IPO

Rodadas secundárias crescem em meio a seca de IPOs

Tempo para realizar IPO aumentou de menos de 4 anos em 2000 para 12 anos em 2015 e quase 16 anos atualmente, mostra estudo

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Demanda por novas formas de exit tem aumentado | Foto: Canva
Demanda por novas formas de exit tem aumentado | Foto: Canva

A recuperação aguardada para os mercados de M&As e IPOs em 2025 ainda não se concretizou. No entanto, em meio ao cenário de escassez de liquidez, uma alternativa de captação vem ganhando destaque: o mercado secundário. De acordo com o estudo State of Tech Exits, realizado pela CB Insights com dados da EquityZen, já são sete trimestres consecutivos de crescimento anual nas transações secundárias envolvendo empresas de tecnologia apoiadas por venture capital no mundo todo.

A procura dos investidores por participações secundárias em empresas privadas está
crescendo, impulsionada principalmente pelo interesse em empresas mais jovens. De acordo com o levantamento, a demanda por essas transações cresceu 56% em junho, na comparação com o mês anterior. Em maio, havia aumentado 32%.

Com o aumento da demanda, o mercado tem percebido também um desconto menor em relação ao valuation da rodada anterior. De acordo com a EquityZen, os descontos médios nos mercados secundários passaram de -55%, no último trimestre de 2023, para -13% no segundo trimestre de 2025.

A explicação está no fato de que empresas têm levado cada vez mais tempo para abrir capital e dar retornos aos investidores. O tempo para realizar IPO aumentou de menos de 4 anos em 2000 para 12 anos em 2015 e quase 16 anos atualmente.

“Espero que esta tendência se acelere, com as empresas permanecendo privadas durante mais de 20 anos”, projeta Jared Carmel, Managing Partner, Manhattan Venture Partners, ouvido pelo estudo. “Essa mudança já está evidente nos dados. Estamos vendo níveis recordes de financiamento privado, ultrapassando US$ 2 trilhões em investimento acumulado, além de um crescimento explosivo nas transações secundárias. A verdadeira criação de valor e liquidez ocorrerá cada vez mais nos mercados privados, e não nos públicos. Como as empresas permanecem privadas por até duas décadas, a liquidez secundária torna-se absolutamente crítica – funcionários, primeiros investidores e fundadores não podem esperar 20 anos por uma saída”, acrescenta.

Embora grandes players como SpaceX, Ripple e OpenAI continuem a dominar o volume de transações secundárias, o interesse tem se expandido também para unicórnios menores e startups em ascensão. No segundo trimestre de 2025, 7 dos 10 principais nomes em negociações secundárias da EquityZen apresentaram valuations superiores a US$ 1 bilhão, incluindo empresas como Axiom Space, Brex e Skild AI.

Mais de US$ 2 trilhões em equity funding já foram direcionados para os mercados privados de tecnologia até hoje, sendo que 90% desse valor foi levantado apenas na última década, aponta o estudo.

As rodadas late stage também atingiram novos extremos, com destaque para a Série K levantada pela Databricks, que levou a startup a um valuation de US$ 100 bilhões. Apenas 16 rodadas Série K já foram realizadas – metade delas nos últimos 5 anos – sinalizando a crescente normalização do financiamento privado em estágios ultra avançados.

Os valores dos cheques também cresceram. Apenas nos últimos 18 meses ocorreram as maiores rodadas de Seed, Série A, Série B, Série D e Série E+ já registradas – com inteligência artificial garfando a maior parte dos aportes. Entre elas, um cheque de US$ 2 bilhões para o Seed da Thinking Machines, empresa de pesquisa e produtos de IA fundada por uma ex-diretora da OpenAI. E um cheque de US$ 3 bilhões na Altos, startup de biotecnologia financiada por Jeff Bezos.