
Nem megarodada, nem IPO. O novo ponto de virada na jornada da fintech Brex foi um M&A. A startup fundada nos EUA pelos brasileiros Henrique Dubugras e Pedro Franceschi foi comprada nesta quinta (22) pelo banco norte-americano Capital One.
A aquisição, no valor de US$ 5,15 bilhões e cuja transação será 50% em dinheiro e 50% em ações, foi confirmada pelo próprio bancão ianque, famoso por seus comerciais com o ator Samuel L. Jackson.
Segundo o fundador e CEO do Capital One, Richard Fairbank, a aquisição é um passo para “aprofundar sua atuação no mercado de pagamentos corporativos e serviços financeiros para empresas”, recorrendo a soluções de mercado em vez de desenvolver internamente.
O negócio, que foi assessorado pelo Bank of America Securities, e os escritórios Baker McKenzie e Wachtell, Lipton, Rosen & Katz, ainda depende de aprovações regulatórias e outras condições usuais de fechamento, com expectativa de conclusão em meados de 2026.
No comunicado, Richard acrescentou que a aquisição está diretamente ligada à visão de longo prazo da companhia. “Desde a nossa fundação, buscamos construir uma empresa de pagamentos na fronteira da revolução tecnológica”, afirmou o executivo. Segundo ele, a compra da Brex acelera esse movimento, especialmente no segmento de pagamentos para empresas.
“Eles inventaram a combinação integrada de cartões corporativos, software de gestão de gastos e banking em uma única plataforma. Poucas empresas conseguiram construir uma solução verticalmente integrada, do nível mais profundo da tecnologia até a experiência final do usuário”, disse o CEO do Capital One.
Vale lembrar que no ano passado o Capital One fez outro movimento bastante agressivo para concentrar mercado, pagando US$ 35 bilhões pela Discover e criando a maior emissora de cartões de crédito dos EUA em volume de empréstimos, destronando o JP Morgan Chase.
Do lado da Brex, a empresa ganha envergadura para escalar sua tese. Segundo Pedro Franceschi, que seguirá à frente da fintech, a união de forças com o Capital One (um banco listado na bolsa de NY e valor de mais de US$ 150 bilhões) e seu alcance no mercado deve permitir que a empresa avance mais rapidamente na oferta de soluções financeiras para milhões de negócios da economia americana.
“A ideia é aumentar a velocidade com que conseguimos entregar soluções melhores para empresas que ainda operam com ferramentas financeiras defasadas”, pondera.
Reestruturou para vender?
Para a Brex, uma empresa que chegou a ser um decacórnio, valendo cerca de US$ 12,3 bilhões em 2021 quando levantou uma rodada de US$ 300 milhões e atraiu investidores como Tiger Global e o Fundo Soberano de Singapura (GIC), a compra pelo Capital One é uma desvalorização que chama a atenção.
Em seu auge, a empresa emplacou sua solução de cartões corporativos e gestão de despesas em cerca de 35 mil clientes, atendendo grandes marcas como DoorDash, Anthropic e Arm.
Entretanto, o fato é que nos últimos dois anos a Brex teve que lidar com expectativas frustradas de crescimento, cortar o cashburn – ou seja, teve que arrumar a casa. Segundo um report do TechCrunch em 2024, fontes ligadas à empresa afirmaram que, no ritmo de gastos que vinha operando, a Brex só tinha caixa para sobreviver até março de 2026.
Mesmo assim, a empresa manteve seus sonhos de um possível IPO, e apostou em expansão geográfica para reacender sua “chama do growth”. No segundo semestre do ano passado, ela obteve uma licença junto ao governo holandês para operar no mercado europeu.
Com exclusividade para o Startups, a Brex divulgou em outubro passado a abertura de uma unidade em São Paulo, com planos de ter cerca de 200 pessoas no Brasil. Na época, o plano traçado era de que a terra natal dos fundadores da companhia representasse 20% do seu quadro total até o fim de 2026.