Sócias da Atlas: Gianina Rossi, Karen Serfaty e Josefina Van Thienen | Foto: divulgação
Sócias da Atlas: Gianina Rossi, Karen Serfaty e Josefina Van Thienen | Foto: divulgação

Fundada em 2021 pelas argentinas Karen Serfaty e Gianina Rossi, a Atlas cresceu apostando em uma demanda ainda mal atendida no ecossistema de fintechs: a parte de pagamento e benefícios para colaboradores contratados no exterior. Com essa proposta, ela chamou a atenção da HRTech unicórnio europeia Atlas, que anunciou a aquisição da startup no fim de janeiro.

Segundo reporta a Forbes Argentina, o interesse da Remote pela Atlas foi direto e pragmático: o produto de cartões corporativos desenvolvido pela startup argentina. A chamada Atlas Card permite que empresas ofereçam cartões individuais para cada colaborador, com controle de orçamento, regras de uso e possibilidade de complementar salários ou benefícios de forma simples.

A incorporação da Atlas adiciona uma camada financeira à plataforma de gestão de funcionários da Remote, em um momento em que a experiência do colaborador — do salário aos benefícios — se tornou um diferencial competitivo.

“A Remote está particularmente interessada no produto de cartões da Atlas”, afirmou Nicolas Alvarez, head de produto da Atlas. “A solução permite desde complementar o salário até definir orçamentos e controles para que os colaboradores usem os recursos onde quiserem”.

Atualmente sediada em San Francisco, a Atlas tem a maior parte de seus clientes com um perfil específico: empresas sediadas nos Estados Unidos, com fundadores latino-americanos e equipes distribuídas globalmente. Para esse perfil, oferecer benefícios equivalentes aos padrões americanos é essencial para atrair e reter talentos, mas operacionalizar isso costuma ser caro e complexo.

A Atlas resolveu esse problema atuando como um backend invisível, cuidando de fornecedores locais, contratos, moedas e compliance, enquanto a empresa contratante recebe tudo consolidado em uma única fatura em dólar.

Além do Atlas Card, a solução inclui um sistema flexível de pontos para alocação de orçamentos sem reembolsos tradicionais e a gestão integrada de benefícios de saúde, com cobertura em mercados como Estados Unidos, México, Colômbia e Argentina.

“Criamos a Atlas porque acreditamos que todas as pessoas, independentemente de onde estejam, devem ter acesso às melhores condições de trabalho. Parte de resolver esse problema passa por oferecer aos profissionais globais soluções financeiras, como um cartão pessoal para funcionários, além de benefícios como assistência médica”, afirma Karen Serfaty.

Em comunicado sobre a compra, o CEO e cofundador da Remote, Job van der Voort, destacou que a gestão financeira transfronteiriça como uma das últimas grandes barreiras para a eficiência operacional dos RHs em negócios globais. Nesse contexto, a Atlas se encaixou quase como uma extensão natural da estratégia da empresa, e o que começou como uma parceria evoluiu para a aquisição integral da empresa, com a tecnologia da Atlas sendo incorporada à plataforma da Remote.

“Desde o primeiro encontro com o time da Atlas, me impressionou a elegância e a profundidade do que eles haviam construído”, disse o CEO. A integração, segundo ele, busca eliminar fricções cotidianas para empresas que contratam talentos além de suas fronteiras nacionais.

Para a Remote, a aquisição reforça uma trajetória de crescimento acelerado – e apelando para M&As quando necessário. Fundada em 2019 pelo holandês van der Voort e o português Marcelo Lebre, a empresa alcançou o status de unicórnio após uma levantar US$ 150 milhões em uma rodada liderada pela Accel Partners, e que avaliou o negócio em US$ 3 bilhões.