Mercado financeiro | Foto: Canva
Mercado financeiro | Foto: Canva

A Laqus, fintech brasileira de infraestrutura financeira que nasceu como Mark 2 Market como uma concorrente da B3, deu um novo passo para se destacar na nova corrida do mercado de capitais – o mercado secundário. Para isso, ela anunciou a compra da Estar.finance, plataforma de negociação de ativos digitais e títulos de dívida criada para operar como Mercado de Balcão Organizado dentro do sandbox regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Segundo destacou a Laqus em nota, o movimento, ainda sujeito às aprovações regulatórias usuais, reforça a intenção da companhia de se posicionar como líder no mercado secundário no país, especialmente em frentes como crédito privado, crowdfunding e tokenização.

Na prática, a compra representa mais do que a soma de duas operações. A Estar.finance foi a primeira plataforma regulada de negociação de ativos tokenizados autorizada pela CVM e se destacou ao longo de sua trajetória no sandbox ao ser a única iniciativa a utilizar integralmente os limites de transações concedidos pelo regulador.

No lado da Laqus, a aquisição é estratégica em um tabuleiro que vem sendo montado há algum tempo. A empresa já atua como infraestrutura regulada para ofertas sob a Resolução CVM 88 (crowdfunding) e oferece serviços como depósito, escrituração e custódia de valores mobiliários.

Atualmente, a Laqus tem cerca de R$ 50 bilhões em ativos sob custódia, um número ainda bem abaxo da B3, que movimenta mais de R$ 1 bilhão. Contudo, a empresa tem investidores que confiam na ideia – um deles é a KPTL, que aportou R$ 10,8 milhões na fintech em 2021, quando ela ainda se chamava Mark 2 Market.

Conforme destaca o CEO da fintech, Rodrigo Amato, em comunicado, a incorporação da Estar chega para ampliar esse escopo e entregar ao mercado uma oferta mais integrada, capaz de sustentar o crescimento acelerado de instrumentos como dívida privada, estruturas digitais e ativos tokenizados.

“A agenda de crédito privado, tokenização e crowdfunding exige uma infraestrutura mais sofisticada e interoperável. Queremos ser a camada que viabiliza esse crescimento com segurança e liquidez — o que não significa, necessariamente, que a Laqus precise ser o local onde todas as negociações acontecem”, completa.

Para Rodrigo Carneiro, diretor da SMU, holding que controla a Estar, a venda da fintech marca o fim de um ciclo bem-sucedido no sandbox da CVM. Aliás, segundo o executivo, a plataforma seguirá operando normalmente durante o período de transição regulatória e a fase final do sandbox.

“Agora, com o apoio institucional e tecnológico da Laqus, damos um passo estratégico para construir uma infraestrutura mais integrada e preparada para os próximos desafios do mercado de capitais”, completa.

O timing da aquisição não é casual. O mercado brasileiro de crédito privado e crowdfunding vive um momento de expansão. Nomes antes associados a outros mercados como crowdfunding (Kria e Captable) e cripto (Mercado Bitcoin)estão expandindo sua atuação para setores como ativos digitais e outras classes de investimento, incluindo o mercado secundário.

É uma tendência que também se observa lá fora. grandes infraestruturas financeiras têm acelerado sua entrada em ativos digitais por meio de aquisições e investimentos estratégicos – a compra da Crypto Finance AG pela Deutsche Börse e a incorporação da Securrency pela norte-americana DTCC são exemplos disso.