Oraion
Derek Lowry, cofundador e COO da Oraion (Foto: Divulgação)

Fundada em Fundada em 2024, a Oraion é uma plataforma de inteligência e automação para empresas que busca resolver um problema antigo – e ainda pouco superado – no mundo corporativo: a fragmentação dos dados e o tempo excessivo necessário para transformá-los em decisões confiáveis.

“Criamos uma plataforma de inteligência empresarial que conecta fontes de dados fragmentadas para resolver um problema de negócio”, explica Derek Lowry, cofundador da empresa, em entrevista ao Startups. “Conectamos dados estruturados, como ERPs e CRMs, e dados não estruturados, que muitas vezes mostram a realidade do que está acontecendo na empresa.”

Segundo Lowry, contratos com clientes, acordos de trabalho e outros documentos não estruturados costumam concentrar informações críticas que nem sempre aparecem corretamente nos sistemas tradicionais. A proposta da Oraion é usar agentes de IA para cruzar esses dados com plataformas como Oracle, Salesforce e HubSpot, validando e limpando as informações logo no início do processo.

“Isso resolve o clássico problema do garbage in, garbage out, porque garantimos que os dados estejam limpos no topo do funil”, diz o executivo.

A startup também mira um gargalo conhecido pelas equipes de dados. “Analistas e engenheiros gastam cerca de 80% do tempo limpando e mantendo dados”, afirma Lowry. “Nossos agentes fazem essa manutenção de forma contínua.”

Além da integração e da limpeza, a plataforma adiciona uma camada de contexto às informações. A startup criou o que chama de context catalog, um mecanismo que ajusta métricas e definições à realidade dos clientes. “Receita ou ARR significam coisas diferentes de empresa para empresa”, explica.

Segundo o CEO, a plataforma garante que as respostas reflitam exatamente a definição daquele negócio, e não parâmetros genéricos. Esse modelo, de acordo com Lowry, também reduz riscos de alucinação da IA, já que as respostas são limitadas ao contexto específico da organização.

O impacto para os clientes aparece em diferentes frentes. “Vemos redução de custos, ganhos de produtividade e mais velocidade na tomada de decisão”, pontua. Um dos diferenciais citados é a interação em linguagem natural, sem dependência de SQL ou abertura de tickets para times de dados. “É como ter um time virtual de dados no bolso. Você faz a pergunta e recebe a resposta em segundos”, destaca Lowry.

Brasil como mercado estratégico

Atualmente, a Oraion tem entidades na Irlanda, Estados Unidos, Reino Unido e Brasil, além de operações comerciais em outros países. O mercado brasileiro, porém, ganhou protagonismo na estratégia da empresa.

“O Brasil tem sido um dos nossos mercados internacionais mais fortes”, afirma Lowry. “Já trabalhamos com clientes brasileiros em setores como private equity, serviços financeiros, seguros e turismo.”

Para o executivo, o país reúne características raras: grande volume de dados, alta complexidade operacional e pressão crescente por decisões rápidas e bem fundamentadas. “O Brasil é uma economia rica em dados e intensiva em decisões”, resume.

A empresa tem investido em presença local. A Oraion mantém uma entidade brasileira, profissionais no país e passou a operar recentemente no Cubo Itaú, em São Paulo. “O Brasil não é um mercado de curto prazo para nós. É um compromisso de longo prazo”, diz Lowry.

Em seu site institucional, a companhia afirma trabalhar com empresas como Nubank, PicPay, Mêntore e ARC Capital.

O cofundador reforça que a startup não adota uma estratégia de “produto pronto” para diferentes países. “Não é uma solução de tamanho único que simplesmente jogamos no Brasil”, afirma. “Estamos construindo integrações profundas com fontes de dados relevantes localmente.”

No mercado financeiro, por exemplo, a plataforma conecta dados internos das empresas a bases externas brasileiras, como informações de mercado e dados públicos, para refletir melhor a realidade operacional dos clientes.

O Brasil foi o primeiro mercado da Oraion na América Latina. A empresa já iniciou vendas no México e fechou um cliente na Colômbia, mas mantém o mercado brasileiro como foco principal na região.

Tração, clientes e funding

Com dois anos de operação, a Oraion atende hoje mais de 30 empresas a nível global, majoritariamente grandes corporações e companhias no topo do mid-market. “Estamos falando de empresas com necessidades reais e complexas de dados”, afirma Lowry.

Em meados de 2025, a startup levantou uma rodada pré-seed de US$ 3,5 milhões, que financiou a expansão internacional e o crescimento do time. O aporte foi liderado pelo fundo norte-americano Studio VC, com participação da Enterprise Ireland e investidores-anjo.

“Estamos nos preparando para levantar nossa próxima rodada no segundo trimestre de 2026”, diz o CEO. A meta é acelerar a expansão na América Latina, Estados Unidos, Reino Unido e Irlanda, além de avançar no desenvolvimento do produto. Segundo ele, a empresa já está em conversas com investidores da América Latina para essa captação.

A Oraion projeta a cerca de 100 funcionários e alcançar aproximadamente US$ 20 milhões em Receita Anual Recorrente (ARR) até o fim de 2026. O grande objetivo, de acordo com Lowry, é ajudar empresas a migrar do excesso de dados para a clareza na decisão. “Fazer isso mais rápido, de forma mais segura e com mais confiança”, resume.