Time da Oppem com a Fiemg Anjos | Foto: Divulgação
Time da Oppem com a Fiemg Anjos | Foto: Divulgação

O programa Fiemg Anjos realizou neste mês o seu primeiro investimento. O aporte, no valor de R$ 350 mil, foi direcionado à Oppem, indtech de Belo Horizonte especializada em software para gestão de contratos industriais. O grupo de investimento anjo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) foi lançado em abril do ano passado e planeja realizar pelo menos três novos aportes em 2026.

A Oppem atua há mais de oito anos no mercado e tem como foco simplificar e digitalizar a administração de contratos de terceiros em grandes projetos industriais, como obras, ampliações e implantação de novos ativos. A plataforma permite que empresas acompanhem contratos individualmente, por projeto ou de forma integrada, oferecendo mais segurança jurídica, rastreabilidade e visibilidade sobre prazos, fornecedores e impactos no cronograma.

“Na indústria, os contratos chegam facilmente à casa das centenas de milhões de reais, e muitas empresas não sabem fazer uma boa gestão de obras. Nossa plataforma resolve exatamente essa dor”, afirma Rafael Gontijo, CEO e cofundador da Oppem.

Primeira rodada da startup

Fundada em 2018 por três sócios, a Oppem passou a contar com dedicação integral dos fundadores nos últimos quatro anos. Segundo Rafael, apesar de já ter recebido um aporte inicial de um parceiro estratégico no passado, este investimento do Fiemg Anjos representa, de fato, a primeira rodada estruturada da startup.

“O objetivo principal nem era a captação de recursos, mas a abertura comercial e as conexões com a indústria. O capital ajuda, mas o grande valor está no acesso ao mercado”, explica o CEO.

Hoje, a empresa é geradora de caixa há cerca de três anos e meio, sem queima de capital, e atende cerca de 20 grandes clientes, entre eles ArcelorMittal, Gerdau, Arauco e Aperam. Em 2024, o faturamento ficou um pouco abaixo de R$ 4 milhões; em 2025, chegou a quase R$ 8 milhões — praticamente o dobro.

Olhando para 2026, a meta é chegar a 100 grandes clientes e dobrar novamente o faturamento. Os recursos da rodada serão direcionados principalmente para expansão comercial, marketing e posicionamento de mercado.

Para Rodolfo Zhouri, consultor de Venture Capital da Fiemg, o investimento reflete não apenas o potencial da Oppem, mas também uma tese pouco explorada no Brasil. “Quase não existem fundos focados em indtechs, e o ciclo de venda para a indústria é longo. O nosso modelo ajuda a encurtar esse ciclo para meses ou até semanas”, afirma.

Segundo o investidor, a Oppem se destacou pela robustez do produto, capacidade de venda e aderência real à dor do cliente. “O fundador viveu o problema que a startup resolve e é obcecado por solucioná-lo. Além disso, é um modelo B2B recorrente, sem churn: os clientes continuam e aumentam o faturamento ao longo do tempo.”

Investidores que também são clientes

Formado por sócios e executivos da indústria que investem capital próprio, o FIEMG Anjos é uma iniciativa do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e tem como diferencial o fato de que muitos investidores também são potenciais clientes das startups investidas. O grupo conta atualmente com 26 anjos, com tickets mínimos de R$ 25 mil — valor que deve subir para R$ 30 mil em 2026. A expectativa é chegar a 40 investidores até o fim deste ano e elevar o ticket médio dos aportes para cerca de R$ 500 mil.

“Ainda é uma semente, mas já faz a diferença em um segmento que não tem muitos fundos de investimento em startups. Mas nosso verdadeiro diferencial está nas conexões, que são a nossa essência, pois os próprios investidores são potenciais clientes. Além disso, a federação dá a chancela para que a startup venda para mais indústrias”, afirma Rodolfo.

Em 2025, o Fiemg Anjos analisou mais de 220 startups, promoveu 10 eventos e integrou novos investidores à rede. Para 2026, o grupo já tem dois term sheets em fase final e pretende realizar pelo menos mais três investimentos ao longo do ano.

“O grande incentivo é gerar negócios. Os anjos têm metas de indicação de clientes e podem aumentar sua participação na startup se ajudarem a impulsionar as vendas”, explica o investidor. O modelo está formalizado em um mútuo conversível, com governança definida e alinhamento total ao crescimento da empresa investida.