Hotmart Fire 2025

Scott Galloway: "Eu só quero que a IA vá embora"

Durante o Hotmart Fire, professor da NYU fez um alerta para encararmos todo o hype da IA com uma saudável dose de ceticismo

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Scott Galloway no palco do Hotmart Fire 2025 | Foto: Startups
Scott Galloway no palco do Hotmart Fire 2025 | Foto: Startups

Para Scott Galloway, esse papo de inteligência artificial já está enchendo o saco. Em meio a tanto hype e especulação em torno da IA, o “Professor G” apenas deseja que as pessoas falem menos disso. “Eu só quero que a IA vá embora. (O hype) é demais para mim”, desabafou Scott.

Claro que a provocação do professor da NYU e apresentador do famoso podcast Pivot, disparada em um Q&A durante o Hotmart Fire em Belo Horizonte não é para ser encarada literalmente, mas ela é um alerta para encararmos essa onda toda com uma saudável dose de ceticismo.

“Eu não gosto de tecnologia. Estou em um ponto da minha vida em que não quero lidar com nada disso. Mas eu lido. Eu trabalho com duas telas: em uma faço meu podcast, navego na internet, leio e-mails. Na outra, estou com o Claude, ChatGPT e Midjourney abertos e me pergunto o tempo inteiro como posso aproveitá-los. Pois eu quero ficar bom nisso, certo?”, diz.

No fim das contas, para Scott, quem entender e “ficar bom” em lidar com as aplicações e ferramentas de IA será o grande vencedor em um futuro não muito distante. Segundo ele, pessoas serão demitidas sim, mas, seja qual for o setor, quem entender de IA não deverá ser substituído por um robô.

“Minha sugestão é: se você não quer ser atropelado pela IA, faça parte do grupo que sabe aproveitá-la. IA não vai roubar seu emprego. Quem entende IA vai roubar seu emprego. Pessoas que trabalham bem vão se dar bem. Acho que essa visão catastrófica da IA está um pouco exagerada”, pontua.

O Ozempic corporativo?

Afeito a tiradas espirituosas, o Professor G remeteu a um de seus artigos recentes para falar dos efeitos que a inteligência artificial terá nos negócios. Segundo ele, a IA se tornou uma espécie de “Ozempic corporativo“: uma solução externa que está fazendo organizações “reduzirem peso” – no caso, na base de demissões.

É uma tendência que já se observa desde o ano passado, com empresas grandes como Google, Duolingo, Microsoft, Meta e outras promovendo ondas de demissões para empregar IA em diversos processos internos. E, como resultado dessa “perda de peso”, várias dessas empresas registraram operações lucrativas, mas não atribuíram isso ao fato de terem feito layoffs – como quem usa Ozempic, mas não admite que emagreceu por ter usado o medicamento.

Para Scott Galloway, apesar dos ganhos, tanto da IA quanto do GLP-1, serem evidentes, eles não vêm sem efeitos colaterais. No caso da IA, ele acredita que o maior dano não é profissional, e sim pessoal. Para Scott, o maior risco da IA é a solidão e o isolamento das pessoas, especialmente entre homens jovens.

“Não estou especialmente preocupado com drones inteligentes que se autoconsertam ou com a desigualdade de renda que cresce em nossa economia no geral. Me preocupo mais com o fato de que teremos essa nova espécie de homens associais, assexuais, que vivem no porão da casa de seus pais e, exceto por ocasionalmente gritar por comida, não encontram propósito em interagir com ninguém. Quando eles chegarem aos 30, estarão deprimidos, obesos, ansiosos e vão culpar as mulheres por seus problemas. E já estamos vendo isso”, disparou.

Para o professor, tecnologia ajuda e muito, mas é preciso se reconectar com o mundo real. Nesse caso, nem toda tecnologia que “reduz fricções ou torna a vida mais fácil” é benéfica, e a IA é uma das principais preocupações nesse movimento.

“Vemos a tecnologia ‘sequestrando’ pessoas da sociedade. Meu maior medo da IA é que os jovens mais talentosos acreditem que podem ter uma vida só interagindo com uma tela e algoritmos. É preciso encarar o mundo complicado, frustrante e difícil que é a vida”, provoca Scott, encerrando com mais uma sacada que arrancou gargalhadas do auditório: “Mostre-me um homem que tem coragem de chegar em uma mulher em um bar e eu te mostro alguém que pode ser um bom vendedor de SaaS.”

*O jornalista viajou a Belo Horizonte a convite da Hotmart.