
A Sequoia Capital está prestes a participar de uma das maiores rodadas de financiamento da história da inteligência artificial. Segundo fontes de mercado, a tradicional gestora ianque deve entrar na megarodada preparada pela Anthropic, um deal que pode superar a marca dos US$ 20 bilhões e pode avaliar a dona do LLM Claude em mais de US$ 350 bilhões. Entretanto, o interesse da Sequoia na rodada chama a atenção por outros aspectos.
Por décadas, o venture capital seguiu uma regra quase tácita: escolher um vencedor por setor. Apostar em dois concorrentes diretos sempre foi visto como conflito, risco reputacional ou, no mínimo, má política. Ainda assim, a Sequoia parece disposta a desafiar essa lógica. Afinal, ela é uma das investidoras mais tradicionais da OpenAI.
De acordo com o Financial Times, a rodada da Anthropic é liderada pelo fundo soberano de Singapura (GIC) e pela Coatue, cada um aportando US$ 1,5 bilhão. A empresa busca levantar US$ 25 bilhões, com uma avaliação estimada em US$ 350 bilhões — mais que o dobro do valuation de US$ 170 bilhões registrado apenas quatro meses atrás.
Segundo apurou o FT, a Sequoia mostrou interesse em entrar na megarodada, o que segundo analistas, é um sinal de que a corrida pela liderança nos modelos de IA está aberta. Levando em consideração que é a Sequoia, esse sinal se torna ainda mais interessante, já que a companhia sempre teve como parte de sua tese a “regra não escrita” de não investir em empresas com interesses conflitantes.
Um exemplo disso se deu em 2020, quando a gestora tomou uma atitude rara ao abandonar completamente seu investimento na Finix, uma startup de pagamentos que passou a competir com a Stripe.
Uma relação antiga
A relação entre Sam Altman e a Sequoia é antiga. Quando Sam abandonou Stanford para fundar a Loopt, foi a Sequoia quem apostou nele. Mais tarde, ele atuou como scout do fundo e apresentou a empresa à Stripe — que se tornaria um dos investimentos mais valiosos da história da gestora.
A proximidade com a atual liderança também é evidente. Alfred Lin, co-CEO da Sequoia, já entrevistou Sam Altman diversas vezes em eventos públicos. Quando Sam foi temporariamente afastado da OpenAI em novembro de 2023, Lin chegou a declarar que apoiaria com entusiasmo qualquer “próxima empresa capaz de mudar o mundo” fundada por ele.
Vale lembrar que a Sequoia já chegou a diversificar investimentos na seara da IA. No ano passado, ela entrou em uma rodada de investimento na xAI, de Elon Musk. Entretanto, enxergaram esse movimento menos como uma aposta direta contra a OpenAI e mais como parte do relacionamento histórico da gestora com Elon Musk.
Contudo, no ano passado, durante um depoimento sob juramento no processo movido por Elon Musk contra a OpenAI, o CEO Sam Altman comentou publicamente sobre os limites impostos a investidores da empresa. Ele negou que houvesse uma proibição generalizada de apoiar concorrentes, mas confirmou que investidores com acesso contínuo a informações confidenciais da OpenAI perderiam esse acesso caso fizessem investimentos ativos em rivais diretos.