
O Spotify anunciou mudanças em sua estratégia para criadores, deixando claro que o vídeo voltou a ocupar um papel central nos planos de crescimento da plataforma, que busca cada vez mais competir com líderes desse segmento, como YouTube e Netflix. O foco das atualizações está em facilitar a monetização de podcasts — especialmente em formato de vídeo — e ampliar o número de criadores capazes de gerar receita dentro do streaming.
Como parte das mudanças, a empresa reduziu significativamente os critérios de entrada no programa de parcerias, permitindo que produtores menores passem a monetizar seus conteúdos com mais rapidez. Agora, basta ter 1 mil ouvintes engajados, 2 mil horas de consumo nos últimos 30 dias e três episódios publicados.
O Spotify também anunciou novas ferramentas voltadas à gestão de patrocínios, com lançamento previsto para os próximos meses. As funcionalidades permitirão maior flexibilidade na inserção, substituição e mensuração de anúncios em episódios, aproximando a experiência de monetização do modelo já consolidado em plataformas de vídeo.
Além disso, a integração com a Spotify Distribution API vai permitir que criadores publiquem e monetizem conteúdos diretamente a partir de serviços de hospedagem parceiros, como Acast, Audioboom, Libsyn, Omny e Podigee, reduzindo fricções operacionais e ampliando o alcance do programa.
A aposta em vídeo ocorre em um momento estratégico para a empresa. O consumo de podcasts em formato audiovisual cresce rapidamente, e o Spotify busca capturar parte de um mercado publicitário historicamente dominado pelo YouTube. Ao mesmo tempo, o avanço do vídeo representa uma tentativa de diversificar receitas em um negócio ainda fortemente dependente da música, setor marcado por altos custos de licenciamento e margens mais estreitas.
O movimento também dialoga com a estratégia de expansão do Spotify para além de seu próprio aplicativo. No últimos ano, a empresa firmou parcerias para levar seus podcasts em vídeo a outras plataformas, como a Netflix, como tentativa de ampliar os retornos com a divisão de vídeo.
Essa guinada rumo ao vídeo começou em 2023, após uma reestruturação interna que incluiu cortes e a saída de Dawn Ostroff, executiva que havia liderado a ofensiva da companhia em podcasts. Agora, o Spotify passa novamente por um período de transição, com a saída do fundador Daniel Ek do cargo de CEO para assumir a função de Executive Chairman.
Ainda nesta quarta-feira (07), o Spotify anunciou também a inauguração do seu novo estúdio de podcasts, o Spotify Sycamore Studios, em Hollywood. O espaço foi projetado especificamente com foco em produções de vídeo e oferece salas de gravação flexíveis, equipamentos de multicâmera e suporte de produção no local. Localizado em um dos principais polos criativos de Los Angeles, o estúdio funcionará como base para grandes programas e estará disponível, mediante convite, para criadores participantes do Spotify Partner Program. A iniciativa se soma a unidades já existentes em Nova York, Estocolmo e Londres.
No terceiro trimestre de 2024, o Spotify registrou receita total de € 4,3 bilhões, alta de 7% na comparação anual (ou 12% em moeda constante, sem o impacto das flutuações das taxas de câmbio). A receita com assinaturas premium somou € 3,826 bilhões, crescimento de 9% ano a ano, enquanto a receita com publicidade recuou 6% no período. A base de usuários ativos mensais chegou a 713 milhões, avanço de 11% em relação ao ano anterior, com adição líquida de 17 milhões de usuários no trimestre. Já o número de assinantes premium atingiu 281 milhões, crescimento de 12% ano a ano, enquanto o ARPU (receita por usuário) premium caiu 4%, para € 4,53.