
Cada vez mais, as startups têm criado soluções que mostram que a sustentabilidade não é boa apenas para o planeta, mas gera também mais eficiência e economia para as indústrias – além de inovação. É o caso da deeptech goiana BioUs Biotech, que desenvolve biopolímeros (bioplástico) a partir de resíduos da produção intensiva da aquicultura e da agroindústria.
Depois de ter levantado cerca de R$ 1,5 milhão em premiações e subvenções, participando de mais de 30 programas de aceleração, a BioUs agora planeja levantar uma rodada Seed de US$ 1 milhão para acelerar seu processo de internacionalização para Europa e Ásia e expandir no segmento agro.
Fundada oficialmente em 2022 pelos biotecnólogos Eduardo Rocha (COO) e Raimundo Lima (CEO) – que foi secretário municipal de Pesca e Aquicultura de Nova Veneza, em Goiás –, a startup reduz a quantidade de água usada na produção de pescado, transformando os resíduos biológicos, como urina e fezes dos peixes, em bioprodutos, com o uso de “bactérias do bem”. Além disso, parte dos resíduos pode ser convertida em biofertilizantes líquidos, para serem usados na agricultura.
“Nós começamos a parte de pesquisa & desenvolvimento em 2013, quando eu fui convidado a participar da Secretaria de Pesca e Aquicultura e comecei a pesquisar a forma como os pescados eram produzidos. Normalmente, a produção em piscinas gasta cerca de 15 mil a 20 mil litros de água para 1kg de pescado. Com a nossa inovação, reduzimos para 120 litros de água. Hoje, estendemos essa tecnologia e temos aplicação também em resíduos de óleos vegetais da produção agrícola e de cana de açúcar”, explica Raimundo.
Semelhantes ao plástico e ao poliéster, os biopolímeros gerados a partir desses resíduos são biodegradáveis e biocompatíveis. Ou seja, não provocam alergia aos seres humanos. Por esse motivo, têm aplicações também no segmento da saúde.
Foi essa aplicação que fez com que a BioUs fosse aprovada no programa de incubação Spartners, uma parceria da Servier, uma das maiores indústrias farmacêuticas da Europa, com a Universidade de Paris-Saclay e a BioLabs, em Paris.
Por meio da sua tecnologia, a BioUs desenvolveu uma nanocápsula que permite a entrega precisa de medicamentos diretamente às células cancerígenas, minimizando os efeitos colaterais e aumentando a eficácia do tratamento. Na incubação, a startup terá a oportunidade de testar sua nanocápsula em estudos pré-clínicos com pacientes, um passo importante para a validação da tecnologia.
Atualmente, a BioUs conta com cinco funcionários e dois consultores, e está incubada em laboratórios em Paris e Aveiro, em Portugal. Para Raimundo, a internacionalização é um passo estratégico para a startup, inclusive pensando na captação de recursos.
“Os juros altos e uma certa falta de maturidade dos investidores brasileiros em deep tech atrapalha. Nos Estados Unidos e na Ásia, o ecossistema tanto para investidores, quanto para patentes, é um pouco mais maduro. No Brasil, o venture capital ainda foca muito em SaaS e fintechs. Mas isso tem mudado, especialmente com as agências de fomento. A internacionalização abre novas possibilidades, principalmente porque nossa solução é escalável e global”, avalia o CEO.