A tal da retomada do mercado de investimentos em startups esperada para 2025 vai ter que esperar mais um pouco. Segundo relatório da Sling Hub sobre o 1º trimestre de 2025, o ecossistema na América Latina passa por uma reorganização quando o assunto é aportes – e inclusive teve queda no volume de deals. Pelo menos, tem algo para comemorar: o período registrou um novo unicórnio – por outro lado, ele não é brasileiro.
De janeiro a março de 2025, a Sling Hub registrou US$ 1,1 bilhão em 147 captações (entre rodadas de equity, dívida e receivable funds) para startups latinas, uma queda de 37% em relação ao mesmo trimestre no ano passado e 67% em relação ao último quartil de 2024. Do total, o Brasil ainda concentra a maior parte do dinheiro, com US$ 500 milhões em transações (42% do montante).
Segundo João Ventura, fundador e CEO da Sling Hub, o primeiro trimestre do ano foi marcado por movimentos seletivos no ecossistema de inovação latino-americano, o que explica a baixa no volume de negócios. Entretanto, a chegada de um novo unicórnio pode ser vista como algo positivo.
No caso, a nova empresa a valer mais de US$ 1 bilhão, é a fintech mexicana Plata Card, que no começo de março levantou US$ 160 milhões em uma polpuda série A liderada pela Kora. Ao atingir o valuation de US$ 1,5 bilhão com o aporte, a fintech de crédito e BNPL quebrou o jejum de unicórnios mexicanos desde a rodada da Stori, em 2022.
Destaques em Rodadas de Investimento
De rodadas de destaque no Brasil, o relatório do Sling Hub colocou em evidência a extensão da série C da healthtech Alice, que captou US$ 22 milhões em fevereiro. Nas rodadas seed, a brasileira em destaque foi a Jota, que levantou US$ 8,9 milhões com a Maya Capital em janeiro.
Por falar em rodadas early stage, o estágio pré-seed foi o que mais gerou deals – 25 na América Latina, com 12 deles acontecendo no Brasil. Já em termos de montante, a rodada da Plata Card puxou as séries A para o topo do levantamento da Sling Hub, com US$ 228 milhões em investimentos.
“HRtechs e Traveltechs surpreenderam com crescimentos expressivos. O trimestre também manteve a dominância de early stages, com forte presença de rodadas pré-seed e concentração de aportes via receivable funds, enquanto o Brasil seguiu como centro do ecossistema, concentrando 55% das rodadas e 42% do capital investido”, finaliza João Ventura.