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O empreendedorismo feminino vem crescendo de forma expressiva no Brasil e no mundo. Por aqui, esse mercado cresceu 40% no último ano, segundo a rede RME. Já são mais de 30 milhões de mulheres empreendedoras, de acordo com o Global Entrepreneurship Monitor – um avanço positivo, mas que ainda está longe do ideal.

A problemática fica mais evidente quando olhamos para setores nichados – no ecossistema de inovação, por exemplo, o protagonismo feminino ainda engatinha. Há 1 década, empresas de base tecnológica fundadas apenas por mulheres representavam 4,4% do mercado total. Hoje, o índice é de 4,7%, mostra o “Female Founders Report 2021”, estudo elaborado pelo Distrito em parceria com a Endeavor e a B2Mamy.

“O desafio de ser uma founder no ecossistema brasileiro de startups é muito grande”, afirma Gabriela Mendes Chaves, fundadora da edtech NoFront – Empoderamento Financeiro. A executiva fala da importância de oportunidades de acesso e criação de programas de fomento à inovação que olhem para a realidade das mulheres – e, mais ainda, das mulheres negras. 

Refletindo sobre um conselho que gostaria de ter ouvido e que teria facilitado sua jornada empreendedora, ela não tem dúvidas: saber do valor de formar uma rede. “É importante nos relacionarmos com pessoas e organizações que impactam nosso trabalho. Quanto maior é a nossa atuação na rede, maior o impacto social e o resultado é ainda mais satisfatório”, diz Gabriela.

Tati Santarelli, cofundadora da HRTech TeamHub, compartilha a mesma opinião. “A comunidade é fundamental, ter aquelas mulheres como apoio para falar sobre suas vulnerabilidades e receber ajuda”, observa. Ela chama isso de empreendedorismo por afeto, já que, além do suporte emocional, a parceria também ajuda na troca de conhecimento de muitas frentes essenciais para fazer o negócio crescer, como marketing, networking, gestão de pessoas, finanças e jurídico.

Principais desafios

Adriana Bombassaro, cofundadora da construtech FastBuilt, enfrentou outro desafio comum entre muitas mulheres empreendedoras: conciliar várias jornadas de trabalho. “Tive que me impor muitas vezes durante esse processo para fazer as pessoas acreditarem em mim como líder”, afirma.

A falta de apoio é refletida na desproporção de dólares investidos em startups lideradas por mulheres. Empresas lideradas por mulheres receberam apenas 2,2% dos recursos de venture capital globais nos últimos 2 anos, mas entregaram o dobro do retorno, de acordo com o fundo We Ventures, iniciativa da Microsoft para investir  em startups de tecnologia e inovação lideradas por mulheres.

“Historicamente, a jornada da mulher nos lugares de poder e dinheiro é muito recente. Networking e acesso ao capital são os maiores desafios hoje”, diz Marina Ratton, fundadora da femtech Feel. “Os fundos e hubs de inovação precisam olhar para isso e se comprometer com a questão”, completa.

Em homenagem ao Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino, veja, a seguir, 15 fundadoras de startups que estão mudando a cara do ecossistema no Brasil.

Adriana Bombassaro, FastBuilt

Formada em ciências da computação há quase 20 anos, Adriana aventurou-se na tecnologia quando um número ainda menor de mulheres atuava na área. No ano passado, ela cofundou a FastBuilt, uma startup especializada em automação para construção civil e gestão do pós-obra. Com a plataforma, o cliente pode acessar fotos do projeto e os materiais usados na obra, encontrar fornecedores, solicitar assistência técnica, identificar onde passam as tubulações, entre outros. Antes de empreender, trabalhou na Teclógica, de gestão de TI, durante 2 décadas. Lá, assumiu cargos como analista de suporte a aplicativos, gerente de projetos e diretora de produtos e serviços.

Bia Santos, Barkus

Depois de concluir a faculdade de administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Bia criou a Barkus como uma startup para promover a educação financeira de jovens e adultos. A companhia, fundada em 2016, desenvolveu um bot no WhatsApp que compartilha de como começar a investir, poupar mais e fazer um uso inteligente de crédito, além de informações sobre juros, inflação, entre outros. Bia é diretora-executiva na edtech, faz parte do conselho da prefeitura do Rio de Janeiro na área de Equidade e Inclusão e do conselho de impacto social do Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam).

Elisa Spader, Yuper

A criação da Yuper no ano passado aconteceu graças a uma das grandes paixões de Elisa – os esportes. A biotecnóloga se preparava para uma prova de triatlo e, durante o processo, buscava opções que a deixassem segura e confortável para competir caso estivesse menstruada no dia da prova. A solução foi criar o próprio negócio, uma femtech de calcinhas absorventes, coletores e discos menstruais 100% recicláveis. Pelo app, é possível acompanhar as fases do ciclo hormonal feminino e registrar intensidade do fluxo de menstruação, humor, sintomas da TPM, qualidade do sono, entre outros.

Fernanda Ribeiro, Conta Black

Além de presidente da AfroBrasil, instituição sem fins econômicos que visa fortalecer a inclusão social e econômica da população negra no empreendedorismo, Fernanda também é cofundadora da startup de serviços financeiros Conta Black. Criada em 2018 com a missão de desburocratizar o acesso aos serviços bancários, a companhia oferece conta digital, internet banking, cartão empresarial e outras soluções para resolver o desafio da exclusão financeira. A empreendedora também é conselheira administrativa no Instituto C&A e líder de diversidade da Associação Brasileira de Fintechs (AbFintech).

Gabriela Mendes, NoFront

Nascida em Taboão da Serra, na zona sudoeste da região metropolitana de São Paulo, a economista criou o NoFront em 2018 para promover o empoderamento econômico da população negra e periférica. A startup usa músicas de rap para falar sobre administração de dinheiro, quitação de dívidas, técnicas de negociação e planejamento financeiro. Gabriela é formada em economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e mestra em Economia Política Mundial pela Universidade Federal do ABC.

Gabryella Côrrea, LadyDriver

Em 2016, Gabryella fundou o LadyDriver como um app de transporte com 100% de motoristas mulheres. A motivação para empreender veio depois de sofrer assédio durante uma corrida com um motorista de um app e ter ficado com medo de fazer a denúncia. Para oferecer mais segurança às passageiras e às motoristas mulheres, criou uma startup de mobilidade com foco no público feminino. Sua plataforma tem mais de 70 mil motoristas cadastradas e mais de 1,5 milhão de passageiras.

Jordana Souza, VOLL

A catarinense é cofundadora da VOLL, uma startup de gestão de transporte e mobilidade corporativa. De forma geral, o que a empresa faz é facilitar o ir e vir dos colaboradores, por meio de uma plataforma que permite checar passagens aéreas, alugar carros, escolher hotéis, gerenciar as viagens da equipe, definir orçamentos e conferir os gastos de mobilidade. Antes de empreender, Jordana integrou o time da Cabify por quase 2 anos como gerente comercial em Belo Horizonte (MG) e gerente de growth das operações nacionais.

Lívia Rigueiral, Homer

Depois de passar pelo portal de vendas imobiliárias CorretorVIP, a  empreendedora criou a Homer em 2016 como uma rede de parcerias imobiliárias exclusiva para corretores de imóvel. A plataforma oferece cursos de capacitação para os profissionais e conecta corretores que têm imóveis para vender a aqueles com clientes interessados em comprar. Como investidora de capital de risco, Lívia faz parte do time de sócios da Ipanema Ventures, cujo foco é apoiar a próxima geração de empresas de produtos e serviços baseados em software.

Luana Ribeiro, DevApi

Aos 27 anos, Luana é diretora-executiva da DevApi, empresa que cofundou em maio de 2020. A startup – adquirida em abril pela TIVIT mas com atuação independente – opera como uma plataforma para integrar sistemas, automatizar processos, orquestrar dados e gerenciar APIs. Formada em sistema da informação pela Universidade Paranaense (Unipar), com MBA em gerenciamento de projetos pela faculdade Cidade Verde, a empreendedora chegou a trabalhar como analista de suporte no grupo alimentício GTFoods Group, responsável pelo departamento de TI.

Maira Reis, camaleao.co

A camaleao.co quer ajudar organizações a aumentarem a representatividade LGBTQIA+ entre seus colaboradores. Criada por Maira Reis, em 2017,  a startup tem um banco de currículos de mais de 3 mil profissionais, e faz a ponte entre talentos e companhias como Natura e Ambev. A empreendedora nasceu no interior de Minas Gerais, mas mudou-se para São Paulo após sofrer lesbofobia do pai de uma ex-namorada. A ideia de criar a startup veio quando começou a escrever no LinkedIn sobre diversidade e inclusão. Profissionais pertencentes à comunidade viram suas publicações e começaram a enviar currículos em busca de oportunidades no mercado.

Manoela Mitchell, Pipo Saúde

Quando decidiu criar a Pipo, Manoela não era uma novata no ecossistema de startups. Já tinha trabalhado durante 7 anos no mercado financeiro como investidora de private equity, mas, em 2019, decidiu ir para o outro lado da mesa de negociação. Sua startup usa dados e tecnologia para ajudar o RH das empresas na hora de escolher o plano de saúde ideal para seus colaboradores e administrar os benefícios. Em julho, a healthtech levantou uma série A de R$ 100 milhões liderada pelo fundo norte-americano Thrive Capital.

Marina Ratton, Feel

Com mais de 10 anos de trabalho e salário fixo na área de marketing, Marina começou sua trajetória profissional sem muita vontade de empreender. As coisas começaram a mudar no final de 2018, quando se viu provocada pela ideia de criar inovações que gerassem um impacto positivo na sociedade. Seguindo esse propósito, ela criou a Feel, femtech fundada em outubro do ano passado que desenvolve cosméticos naturais, veganos e saudáveis para potencializar a sexualidade feminina e levar saúde e bem-estar à rotina das mulheres.

Nina Silva, D’Black Bank

Eleita a mulher mais disruptiva do mundo pelo Women in Tech Global Awards 2021, Nina é fundadora e diretora-executiva da fintech D’Black Bank, que conecta consumidores a empreendedores negros por meio de serviços financeiros digitais. A empreendedora também fundou o Movimento Black Money, para estimular o consumo e a prestação de serviço entre pessoas negras a fim de impulsionar os negócios e fortalecer a circulação de recursos financeiros na comunidade. Ela faz parte do conselho da startup Lady Driver e da Wishe Capital, hub de investimento focado em startups fundadas por mulheres.

Tati Santarelli, TeamHub

Tati é diretora-executiva e cofundadora da TeamHub, uma plataforma lançada em 2018 que faz a gestão da cultura organizacional das empresas. Em junho, a companhia foi selecionada pelo fundo de investimento Semente Preta, que destinará um total de R$ 1 milhão a empresas brasileiras criadas por empreendedores negros. Mas sua trajetória empreendedora vem antes da HRTech. Em 2014, Tati fundou a Agente Inovação Corporativa, que oferece consultorias, desenvolvimento de equipes e lideranças e ajuda na gestão da mudança organizacional, e, desde 2015, trabalha como diretora do Conselho da Mulher Empreendedora da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas).

Tatiana Pimenta, Vittude

Engenheira por formação, com MBAs em gestão empresarial e finanças, Tatiana fundou a Vittude em 2016 com a missão de democratizar o acesso aos atendimentos psicológicos e de saúde mental. A healthtech oferece uma plataforma de terapia online que conecta pacientes e psicólogos de diferentes especializações e linhas de abordagem, impactando mais de 3 milhões de pessoas por mês. Em 2019, a empreendedora foi finalista na premiação internacional Cartier Women Initiative Awards, que reconhece lideranças femininas de negócios de impacto social.

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