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O corporate venture capital vem se tornando uma importante estratégia de inovação aberta para grandes empresas. A modalidade cresceu 142% em 2021, atingindo a marca recorde de US$ 169 bilhões investidos no mundo, segundo a plataforma norte-americana CB Insights

No Brasil, o volume de aportes de fundos CVC chegou a US$ 622 milhões de janeiro a julho de 2021, triplicando o valor investido em 2020, segundo dados do Distrito. Só nos últimos meses, grandes organizações brasileiras como B3, Locaweb, Totvs, Renner e Valid lançaram seus veículos de CVC. Juntos, eles somam quase R$ 1,5 bilhão em aportes minoritários para startups de diferentes portes e setores.

Uma característica importante do CVC é que ele funciona em via de mão dupla. Ou seja, a startup fornece inovação para as grandes empresas, mas a corporação precisa ter ferramentas e recursos para ajudar as startups a crescerem e apoiar os empreendedores neste processo. Veja, a seguir, 5 vantagens do corporate venture capital para as startups e as grandes empresas.

1. Mais que dinheiro

Do lado das startups, o primeiro benefício é, obviamente, o dinheiro. Elas precisam de caixa para continuar operando e atrair investimento externo é uma estratégia comum no ecossistema. Mas não basta ter apenas dinheiro na mão do empreendedor – ele precisa de conhecimento, conexões com mercado e dicas de como aplicar os recursos para crecer. Por isso, as corporações podem entrar com smart money.

Isso inclui oferecer mentorias, dicas de gestão e conectar a startup com novos clientes. Os investidores podem compartilhar suas experiências, conhecimento de mercado e dar insights importantes sobre o modelo de negócio. Richard Zeiger, sócio da gestora MSW Capital, acrescenta que a parceria pode servir como um selo de validação. “Uma empresa reconhecida no mercado legitima o produto das startups, principalmente daquelas que estão início de suas jornadas”, avalia.

Durante as negociações o empreendedor precisa analisar se a parceria vai de fato agregar algum valor para o seu negócio. “Tem que ficar atento para não cair em uma cilada onde a corporação olha para a startup apenas como uma prestadora de serviço”, diz Richard. Segundo o executivo, é importante que a transação seja com termos minoritários, não trave a liquidez da startup e não restrinja seu escopo de atuação em termos de exclusividade.

2. Alternativa ao inverno

O mercado de venture capital vive um momento delicado. As incertezas macroeconômicas estão gerando maior aversão ao risco por parte dos investidores e uma queda no volume de aportes. No entanto, os fundos CVC lançados nos últimos meses mostram que ainda tem gente interessada em investir e (muito) dinheiro disponível.

O fundo da B3, batizado de L4 Venture Builder, foi lançado em maio e vai alocar R$ 600 milhões em  negócios de inovação nos próximos 5 anos. “Durante uma escassez de dinheiro, quem tem um fundo pronto e está capitalizado tem mais tranquilidade para escolher os melhores investimentos. Se você olhar a história de private equity e venture capital vai ver que fundos que nascem em momentos difíceis têm uma chance maior de encontrar boas teses e fechar negócios a preços e condições mais acessíveis”, afirma o executivo.

Rafael Sbampato, líder do comitê de investimentos do fundo Valid Ventures, da Valid, também vê pontos positivos em lançar um CVC durante a crise. “A competição entre os fundos pelas startups será menor e o valor estratégico real da transação vai ser ainda maior”, pontua. A empresa de certificação lançou seu CVC no fim de junho com os planos de investir R$ 300 milhões nas áreas de governo, identificação digital e inteligência artificial.

3. Agilidade

Inovar por conta própria leva mais tempo – e muito mais recurso. Para as grandes corporações, investir em startups é uma forma de entrar (ou crescer) em um mercado com um produto maduro ao invés de ter que desenvolver, testar e validar a sua própria solução.

“As startups são, por essência, muito ágeis. O ritmo de inovação dessas empresas é tão rápido que as grandes corporações geralmente não conseguem acompanhar. O investimento corporativo em startups existe para complementar os processos internos de pesquisa e desenvolvimento”, explica Peter Seiffert, fundador e presidente da Valetec Capital, gestora dedicada a fundos de CVC.

Segundo Richard Zeiger, da MSW Capital, por mais capitalizado e por mais recursos que as grandes corporações tenham para investir em seus programas de P&D, hoje em dia elas não podem se limitar a isso. Ele explica que a inovação acontece de forma muito mais acelerada do lado de fora das grandes empresas do que de dentro. “O grande benefício para as corporações é acessar, de forma bastante estratégica, a inovação e os negócios que estão do lado de fora seu ecossistema”, pontua.

4. Transformação tecnológica

As startups também podem ajudar grandes empresas a superar desafios tecnológicos, sejam elas gigantes do setor ou corporações de outros segmentos do mercado. A Renner, por exemplo, já adquiriu duas startups – a logtech Uello, para melhorar a eficiência logística, e o brechó online Repassa.

“Conquistamos um espaço de destaque no mercado há anos e hoje fazemos parte de um mundo em que a transformação, principalmente tecnológica, é cada vez exponencial”, diz Marie Timoner, head do fundo RX Ventures da Lojas Renner. “Com a velocidade das mudanças hoje em dia, a gente não vai conseguir fazer tudo sozinho internamente. Para que a Renner consiga se desenvolver é preciso se conectar com o ecossistema de fora.”

As corporações precisam definir com precisão seus desafios tecnológicos para saber com quais startups criar parcerias. Somente assim poderão implementar soluções que tenham sinergia com os objetivos do negócio.

5. Vantagem competitiva

O corporate venture capital pode ser uma estratégia para grandes empresas se destacarem dos concorrentes. Isso porque a parceria com startups traz novos serviços, soluções e tecnologias para as corporações. Assim, elas podem melhorar o desempenho dos processos, atendimento e criar novos produtos que atendam às necessidades dos clientes.

“As empresas investidoras estão ansiosas para encontrar e apoiar tecnologias que apoiem ou mudem completamente seus negócios principais. Ela ganha acesso a novos modelos de negócio e promove seu próprio crescimento em várias frentes estratégicas. O corporate venture capital é um movimento sem volta e que só benefícia ambas as partes”, conclui Peter Seiffert, fundador e presidente da gestora Valetec Capital.

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