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A KPMG e a busca pelos “gigantes emergentes” brasileiros

Por Gustavo Brigatto, em 20 de novembro de 2020

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No currículo de fundadores de startups, nomes como McKinsey, BCG, Deloitte e KPMG são presença recorrente. Na atuação junto às companhias e ao ecossistema, no entanto, as gigantes do mundo da consultoria – assim como uma boa parte de seus clientes – ainda estão dando os primeiros passos na aproximação com as companhias novatas.

“O ambiente de startups é muito complexo para se atuar sozinho. É um ambiente de inovação, mas também de muito risco. E também é difícil fazer investimentos diretos por conflito de interesse e questões regulatórias”, diz Robson Del Fiol, sócio-diretor da KPMG no Brasil, e responsável pelo programa Emerging Giants. Por conta disso, diz, a atuação precisa ir mais no sentido de integrador e de suporte ao ecossistema.

Desde 2018, aliás, este é o caminho que a companhia tem seguido. A aproximação começou com o Leap, um programa de consultoria desenvolvido com o Distrito. A proposta é mapear o mercado e trazer produtos e serviços desenvolvidos por startups, universidades e outros atores do mundo da inovação para dentro de projetos de consultoria.

Ano passado, a KPMG começou uma nova iniciativa, o Emerging Giants. Aqui, o objetivo é atuar diretamente no apoio a startups, desenvolvendo relações de longo prazo – afinal, o pequeno de hoje pode virar um gigante amanhã e se tiver relação com a KPMG, a chance de escolhê-la na hora de um grande negócio, como um IPO, aumenta.

O programa foi criado em 2018 pela revisão de uma outra iniciativa que a companhia desenvolvia desde 2014, o Innovative Startups. Além do Brasil, ele está ativo nos EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália, Japão, Itália e outros países.

Segundo Del Fiol, a ideia é fazer turmas anuais de 20 a 30 empresas com as quais a KPMG vai trabalhar de forma mais próxima, com mentorias e apoio em assuntos financeiros, tributários etc. As companhias serão selecionadas de um levantamento feito pela KPMG com o Distrito levando em consideração fatores como velocidade de crescimento, time de gestão, funding e valuation.

Quem são os gigantes emergentes

A lista apresentou 105 companhias com características de Emerging Giants. Nela estão nomes como Warren, Bcredi, BizCapital, Geru, RecargaPay e QueroQuitar.

As fintechs representam o maior número de empresas: mais de um quarto do total (27,6%). Na vice-liderança estão as adtechs (12,4%). Depois vêm retailtechs (10,5%), healthtechs e edtechs (empatadas com 5,7%). Insurtechs, govtechs, construtechs e autotechs são 1% cada.

A concentração das empresas no Sudeste chama a atenção – mas não é exatamente uma surpresa. Praticamente oito entra cada 10 empresas está instalada na região (78,1%), sendo que São Paulo é a sede de 70% da amostra. Nordeste e Centro-Oeste têm só 1,9% das companhias, cada.

“A concentração é uma consequência do ambiente de negócios como um todo e do mercado consumidor mais maduro nestas regiões. Tem muitas variáveis a considerar para melhorar isso, questões governamentais, tributárias e também uma maior integração entre as entidades que compõem os ecossistemas locais, diz Del Fiol.

A média de idade das companhias é de 7 anos, com a maioria tendo sido criada entre 2011 e 2015 (62,9%). Na safra de 2016 a 2018 ficaram 21%. As veteranas da turma, nascidas entre 2000 e 2010, representam 16,2% do total.

Quase metade dos fundadores tem pós-graduação e/ou teve experiência acadêmica fora do Brasil e quase metade (47%) tem ao menos um fundador que já empreendeu antes. Em média, cada startup da lista recebeu 2,4 investimentos e desde 2011, as 105 companhias somam mais de US$ 1,3 bilhão em aportes recebidos. Juntas, elas empregam mais de 15 mil pessoas – sendo que a maior parte delas (60%) tem menos de 100 funcionários.

Jornalista com mais de 10 anos cobrindo tecnologia e inovação no Valor Econômico. Fundador e editor do startups.com.br.