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A Abstartups passará a fazer a auditoria externa de suas contas. O anúncio foi feito por Felipe Matos, que assumiu a presidência da associação em 1º de janeiro, e é uma resposta às críticas recebidas desde que o ex-presidente da ABDI, Guto Ferreira, fez um post relatando uma fraude detectada na prestação de contas do patrocínio da agência ao CASE de 2018.

“Respondendo a alguns comentários, informo que como primeira medida da nova gestão, passaremos a auditar externamente todas as contas da entidade”, escreveu Matos em post no LinkedIn na sexta-feira (dia 8) sem dar mais detalhes.

A publicação atualizou uma mensagem anterior, de quarta-feira (dia 6). Na postagem original, Matos replicou o posicionamento emitido pela Abstartups naquele dia, dizendo que uma apuração interna tinha sido aberta para avaliar o caso. Procurada, a assessoria de imprensa da Abstartups disse que não havia novidades e que o posicionamento de quarta-feira (dia 6) continua valendo.

Na sexta-feira (dia 8), José Muritiba, diretor executivo da Abstartups enviou um comunicado aos associados dizendo que uma nota oficial será divulgada em breve. “Estamos cientes dos fatos apresentados e nosso jurídico já está trabalhando para sanar todos os pontos apresentados”, escreveu. Muritiba, que está na Abstartups desde março de 2019, assumiu a diretoria em janeiro do ano passado depois da saída de Rafael Ribeiro.

Apoio, críticas e questionamentos

Nos comentários da postagem no LinkedIn, Matos recebeu apoio, mas também críticas e questionamentos. “Como um membro do board da ABS desde 2014 só tomou conhecimento agora de um crime ocorrido em 2019?”, perguntou Julianna Antunes, co-fundadora da Sustentaí, startup que atua na área de sustentabilidade, se referindo ao fato de Matos ser conselheiro da associação. Ele respondeu que o conselho tem caráter “consultivo e informal” e que assuntos como prestação de contas não eram o foco. Além disso, não houve nenhuma reunião nos últimos 3 ou 4 anos. “Sobre a apuração dos fatos, não posso declarar nada aqui, porque ainda estamos realizando esse procedimento na ABStartups, mas você tem meu compromisso que vamos esclarecer tudo com a máxima transparência”, completou Matos.

Prestação de contas rejeitada

Em seu post no Medium, Guto relatou que em agosto de 2019 foi informado pela assessoria jurídica sobre “uma grave inconsistência na apresentação de comprovação de gastos da Abstartups com o evento”, que aconteceu nos dias 29 e 30 de novembro de 2018. O problema era a divergência nos valores dos boletos apresentados para justificar os gastos com locação do espaço do evento e o custeio da agência de marketing.

Segundo documentos aos quais o Startups teve acesso, a prestação de contas apresentada em abril de 2019 trazia os valores de R$ 355.635,00 pela locação do espaço e de R$ 194.365,00 da agência, como sendo os custos pagos depois da assinatura do convênio de patrocínio, em 9 de novembro de 2018.

O que análises internas da ABDI detectaram, no entanto, foi que os valores estavam escritos com letras diferentes do restante dos dados dos boletos e que os códigos de barras tampouco correspondiam aos montantes apresentados. Os valores originais dos boletos apresentados eram de R$ 57.518,53 e de R$ 1.053,00.

A avaliação apurou ainda que a maior parte dos custos apresentados já tinha sido paga antes da assinatura do contrato de patrocínio, o que impediria a ABDI de assumir essas despesas. A regra é que as despesas sejam “reembolsadas”, não pagas antecipadamente. Por conta disso, a orientação foi pela rejeição da prestação de contas.

A ABDI não usa o termo “fraude”. Fala apenas em “diversas irregularidades”.

Em conversa com o Startups, Amure Pinho, ex-presidente disse que disse que não sabia de nada até ser informado pela ABDI. Logo que isso aconteceu, uma apuração interna foi instaurada com uma auditoria da empresa Russel Bedford e detectou a fraude e seus autores. Segundo ele, os envolvidos deixaram a associação no fim de 2019. Uma retratação com a ABDI foi acertada com o pagamento de multa e juros. O valor total foi de R$ 625 mil – R$ 550 mil referente ao valor do patrocínio, mais R$ 75 mil de multa e juros.

Em post no Pingback (empresa do Matt Montenegro da qual ele é investidor) na quinta-feira (dia 7) Pinho reforçou pontos que havia dito ao Startups um dia antes e que “houve sim um erro envolvendo alteração de documentos na prestação de contas com uma entidade pública e isso aconteceu durante a minha gestão”. “Imagine que seu filho menor de idade pegou o carro escondido, fez besteira e bateu o carro. Ao invés de pedir desculpas pro pai, ele tentou colocar o carro na garagem e fingir que nada aconteceu, mas depois veio a conta pra pagar”, escreveu.

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