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Qualquer brasileiro pode olhar para uma startup como uma oportunidade de investir. É sério. E não precisa ser super rico, ou ter um histórico bem-sucedido no mundo corporativo (apesar desses dois fatores ajudarem muito).

A questão mais importante é ter noção do risco que você está disposto a tomar: quanto mais no início estiver a empresa, maior o risco de colocar dinheiro nela. Assim como é maior o horizonte de retorno do capital que foi aplicado. Geralmente o mínimo é de 5 anos. E não vai achando que você vai fazer 1 investimento e acertar o próximo Nubank. É preciso diversificar, como já dizia Eclesiastes 11:1-2.

Dito isso, o cardápio que o ecossistema oferece é bem variado. Tem opções para todos os gostos e bolsos. Dependendo da modalidade de investimento, o valor mínimo aplicado pode variar de R$ 1 mil até R$ 1 milhão.

Para facilitar sua vida e escolha, separamos as principais maneiras de se investir em startups e algumas dicas de quem entende do assunto. Dá uma olhada:

A porta de entrada para pessoas físicas investirem em startups é o investimento anjo. Se enquadram nesta categoria executivos, empresários e profissionais liberais que buscam diversificar seus investimentos e também enxergam em uma startup em fase inicial (embrionária) uma forma de ajudá-la a crescer. Neste formato, o aporte é feito diretamente na companhia por meio de um contrato de mútuo ou outro formato. Importante: o investidor anjo não é um sócio direto da empresa, ou seja, não responde por ela ou eventuais problemas que ela tenha – nem deveria receber dividendos ou participação nos lucros, a não ser que haja alguma combinação neste sentido.

O investimento anjo é de longo prazo, de alto risco e de baixa liquidez. E o retorno não é garantido, já que muitas startups fecham antes mesmo de completarem 2 anos de existência. Vale pontuar que a média de mercado é que uma rodada de captação dê um retorno financeiro a partir do 5º ano (se não houver um early exit, ou uma venda antecipada da participação, geralmente por conta de um M&A, como aconteceu com a Chiligum).

Bruno Pauletti, diretor associado da Gávea Angels e presidente da EquityRio Investimentos, dá algumas dicas para quem está começando a investir. “Separe parte do seu patrimônio que não fará falta caso a startup venha a falir e invista com quem já investe”, orienta. 

Investidor-anjo há 11 anos, Bruno já aportou um total de R$ 10 milhões em mais de 20 empresas (metade do valor como investidor-anjo e metade com o fundo de venture capital EquityRio, que fundou no ano passado com seu irmão Leonardo Pauletti). O objetivo do fundo, que investe em empresas nos estágios anjo e pré-seed, é retornar entre 5x e 7x o valor investido. As startups Around, CustomerX e Driven são algumas investidas do portfólio.

O Brasil possui atualmente 6.956 investidores-anjo, segundo pesquisa realizada no 1º semestre pela Anjos do Brasil. Pelo menos 49,9% dos respondentes afirmaram fazer seus aportes via redes de anjos, grupos que criam redes interessantes de contatos, buscam e apresentam startups para seus parceiros e assessoram o investimento.

Na GVAngels, por exemplo, criada em 2017 por ex-alunos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o diferencial está na diversidade de experiências, que servirá para um investimento ideal, o chamado smart money. “Dinheiro não resolve problema de startup. Uma rede de anjos só faz sentido se prestar uma boa mentoria e tiver um networking muito forte”, reforça o diretor do grupo, Wlado Teixeira.

As redes de anjos são normalmente formadas por pessoas com interesses comuns e têm critérios de participação como ter um histórico no mundo corporativo ou ter cursado uma determinada universidade. No caso da GVAngels é preciso ser ex-aluno da FGV. Nos grupos, as decisões sobre qual startup receberá um investimento são feitas em conjunto mediante o interesse de seus membros. Mas cada anjo é responsável pelo seu investimento. Não há um pote a partir do qual os recursos são destinados, como em um fundo de venture capital.

Na GVA, as prioridades na análise das startups são tamanho de mercado, a complementaridade do time e o modelo de negócios. A rede avalia entre 15 e 20 startups por mês para selecionar 3 que receberão investimento. Em um evento de 1h30, as empresas fazem suas aparesentações (pitches), e após uma breve discussão entre os membros do comitê de seleção é decidido quais passam para o processo de due diligence – a auditoria para análise e confirmação de informações do negócio, que antecede a liberação de recursos.

Dependendo do tamanho da rodada, o investimento é feito apenas pela GVAngels (geralmente entre R$ 500 mil a R$ 1,5 milhão) ou em conjunto com redes parceiras, como a BRAngels. Inclusive foi com ela que foi feito um dos maiores investimentos do grupo da FGV. A sortuda foi a martech AutoForce, que recebeu R$ 2,3 milhões em sua primeira captação, há 4 meses. O objetivo da startup é ser uma VTEX das concessionárias, como contei em outra matéria.

Em seus 4 anos de existência, a GVAngels, que hoje conta com 270 membros, já aportou R$ 35 milhões em 38 empresas em estágio inicial. 

Em uma plataforma de crowdfunding é possível realizar investimentos em negócios com alto potencial de crescimento, em estágio pré-seed e seed com valores que podem começar em R$ 1 mil – mas normalmente ficam na casa dos R$ 5 mil.

As rodadas são abertas dentro das plataformas e os investidores cadastrados são chamados para aplicar recursos nelas se assim desejarem. O processo é bem simples – basta fazer o cadastro em uma das plataformas disponíveis como CapTable, Kria, beegin e SMU – e tem como vantagens o baixo valor de entrada e a possibilidade de entrar em um negócio que já foi avaliado por alguém especializado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem um teto de R$ 5 milhões para as captações feitas nesta modalidade.

O retorno, como sempre, não tem previsão de acontecer no curto prazo. No entanto, a saída pode acontecer caso novo aporte aconteça ou a startup seja vendida. A Alter, que fez captação na CapTable, por exemplo, foi vendida para a Méliuz.

Com o lema “invista em startups como os investidores profissionais fazem”, a SMU tem buscado ajudar as startups especialmente no pós-captação. Por acreditar no potencial das investidas, a plataforma inclusive coloca recursos nas rodadas, entrando como investidora. “Estamos no mercado desde 2013, e lá atrás nosso foco era entender o crowdfunding. Depois isso mudou para vender e explicar o crowdfunding para os investidores, e agora estamos focados em ajudar a empresa investida”, afirma Rodrigo Carneiro, presidente da plataforma. 

O valor mínimo para investir na SMU varia de R$ 3 mil a R$ 5 mil. Mas para empresas que estão ainda no pré-seed, modelo B2C, a plataforma tende a fazer um ticket mínimo um pouco menor, de R$ 1 mil, para dar mais visibilidade à captação.

A plataforma já fez 34 rodadas e foi responsável pelo maior exit via crowdfunding no Brasil, neste ano: a Nuveo, que utiliza a inteligência artificial para reduzir custos de backoffice em empresas. A startup captou R$ 570 mil via SMU em 2017 e, 4 anos depois, devolveu quase R$ 2 milhões aos investidores. Um retorno de mais de 35% ano a ano.

Engana-se quem pensa que para investir em um fundo de venture capital basta ter muito dinheiro – estamos falando aqui de investidores qualificados, que têm mais de R$ 1 milhão disponíveis para investimentos e profissionais, com mais de R$ 10 milhões. Esse é um fator primordial, até para garantir que alguém vai te procurar para apresentar uma oportunidade de investimento. Mas assim como o anjo, o investidor de bolso mais fundo também deve contribuir com conhecimento, ajudar a abrir portas para as investidas ao colocar recursos em uma gestora.

Nesta modalidade, o investimento é do tipo blind pool. Ou seja, você dá dinheiro para um gestor. Em termos práticos, assina um cheque em branco – que normalmente fica na casa de R$ 1 milhão – confiando na alocação que aquela casa irá fazer. A grana é aportada e o fundo de VC vai usando partes dela em diferentes empresas e comunica o investidor sobre o destino de cada parte investida. O ciclo de vida de um fundo de VC normalmente é de 10 anos, com possibilidade de extensão por mais 1 ou 2. Os investimentos normalmente são feitos ao longo dos primeiros 3 anos. Depois, vem uma fase de gestão do portfólio construído.

“É um grau de comprometimento muito alto. O cara deu a senha do cofre dele para eu ir lá pegar a grana quando quiser”, brinca Luiz Guilherme Manzano, ex-Endeavor e sócio do fundo Big Bets. Segundo ele, o ângulo de entrada é se comportar como sócio do empreendedor, mesmo antes de ser. “Decidimos que seriamos um bom sócio desde o princípio e o cheque só coroaria uma relação já existente”, acrescenta.

Na prática, Luiz e seu sócio Alexandre Mello atuam como mentores e trabalham próximos dos empreendedores desde a concepção da startup. O processo envolve reconhecer os empreendedores e ajudá-los a tomar as primeiras decisões. O aporte de recursos só vem depois, quando a empresa está madura o suficiente para levantar capital.

O Big Bets fez 14 investimentos até agora e deve chegar perto de 20 até o fim do ano. O primeiro investimento foi feito em setembro de 2019 na Lemon Energia, startup que conecta empresas geradoras de energia limpa a pequenos negócios. Conta Simples, Chatbay e Justus também fazem parte do portfólio do fundo.

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