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Ao investir em startups, é melhor deixar que ela diga o que quer de você, diz Marcos Sterenkrantz, da XP Ventures

Marcos Sterenkrantz
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Quando grandes empresas resolvem investir em startups, um dos maiores riscos para os dois lados é que os processos e burocracias engessem a relação e acabem matando os benefícios esperados inicialmente para a relação.

Para Marcos Sterenkrantz, responsável pela área de inovação e pela XP Ventures, uma forma de mitigar esse risco é deixar que a startup fale o que ela quer. “Deixa o cara falar com o pessoal de infraestrutura, pedir para pensar uma campanha com o marketing. Assim, naturalmente ela se integra mais na estrutura. Não pode colocar o cara em um comitê. Não pode colocar o cara em comitê. Existe alinhamento, governança, mas tem que ser bem desenhado”, diz.

A ver se a companhia vai colocar essa premissa em prática em todos os investimentos que fizer.

As unidades tocadas por Sterenkrantz (que ajudou a fundar a ClickBus, da Rocket Internet e a montar a corretora de criptomoedas Xdex, da XP) a cerca de um ano têm como objetivo encontrar negócios que façam sentido para os rumos da XP. As áreas de interesse são detectadas juntos às 50 unidades de negócios do grupo nas reuniões de definição de estratégia. Dentre as opções detectadas, a XP pode escolher pela contratação tradicional como fornecedor ou pela compra de participação. A equipe do executivo tem atualmente três pessoas dedicadas.

Até agora, foram feitos dois aportes: a compra da fintech de antecipação de recebíveis Antecipa e do aplicativo de consolidação de investimentos Fliper. O contato com o ecossistema de startups também gerou contratos de fornecimento de tecnologia com 4 companhias.

A ideia é buscar investimentos ou acordos com companhias de qualquer parte do mundo. Para os aportes, não houve a constituição de um fundo específico. Os possíveis negócios são avaliados caso a caso. Na avaliação de Sterenkrantz o formato é mais eficiente porque não cria os incentivos errados (de ganho financeiro) e nem pressão para alocar os recursos. “Chamamos uma reunião de um comitê com 7 pessoas para a semana seguinte e em uma reunião de 1h30, 2h, uma decisão é tomada. É algo bem rápido”, diz.

Um movimento mais estruturado da XP nesse sentido era aguardado a algum tempo. Segundo Sterenkrantz isso demorou um pouco para ser feito porque a companhia queria fazer algo que gerasse resultado de forma clara, não que fizesse espuma como alguns programas que o executivo diz ver no mercado. “Quando começamos a estrutura o que mais teve foi fornecedor batendo na nossa porta. Mas preferimos ir fazendo na nossa antes de fazer barulho”, diz.

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