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Ares de inovação sopram no “quatrocentão” São Paulo Futebol Clube

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*Por Claudio Ferreira

Conhecido pelos seus “cardeais”, dirigentes que dominam sua política há décadas ao se revezar no poder, o São Paulo Futebol Clube quer mudar de imagem e abraçar a modernidade. Para isto anunciou hoje a criação do Inova.São, um Centro de Inovação Aberta que está localizado dentro do estádio do Morumbi. A estimativa é que a iniciativa gere algo como R$ 6 milhões em investimentos até 2025 e crie projetos voltados para a modernização da gestão e dos negócios do clube.

Para entender o paradoxo. A última eleição indireta do presidente Julio Casares movimentou apenas 260 pessoas, dos quais 100 conselheiros eleitos pelos sócios e 160 conselheiros vitalícios. Mas parece que a idade dos seus dirigentes pode deixar de ser um antônimo de modernidade. “A área de inovação tem esse “garoto” de 85 anos à frente, mas (com perdão da expressão) eu tenho o tesão dos jovens. Diversos clubes estão falando em iniciativas, porém muitos deles ainda apenas na intenção, enquanto nós temos ações”, discursou Eduardo Alfano, diretor de inovação do clube.

Ele se apressou em dizer que o SPFC – que não anda muito bem financeiramente – não vai colocar a mão no bolso inicialmente, cedendo o espaço físico no estádio do Morumbi para a instalação do hub e municiando de informações, dados e inputs coletados em seu ecossistema para a criação de projetos, produtos e soluções para o clube e para o cenário esportivo. O mote é atrair empresas e startups dentro do nicho das chamadas sporttechs. 

Neste primeiro momento, o SPFC apresentou 3 parceiros: a Sportheca, que cria e cocria soluções e vai atrair startups em estágio inicial de operação; a Deboo, voltada para a seleção, captação e aceleração de empresas com alguma estrada e que tenham potencial para crescer no mercado de soluções para o esporte; e a PH3A, especializada em projetos de Big Data, que está desenvolvendo o projeto do primeiro censo tricolor digital, visando conhecer e, posteriormente, engajar o contingente de torcedores e simpatizantes do Tricolor.

“A concepção do projeto e a definição dos parceiros para viabilizar a operação do Inova.São, assim como suas primeiras entregas, vêm sendo trabalhadas pela diretoria de inovação do São Paulo desde que ela foi criada pelo presidente Julio Casares, em julho de 2021”, explica Wladimir Castro, executivo do departamento de inovação do clube e mestre em Criação e Gestão de Empresas Inovadoras pela Universidade de Valência.   

Como diferencial, o executivo argumentou que a maioria das inovações adotadas por clubes de futebol no Brasil envolve a adoção, com eventuais otimizações, de produtos existentes e trabalhados em larga escala também pelos outros players. No caso do Inova.São, o foco é o oposto. No lugar de replicar, o projeto pretende desenvolver soluções para o SPFC, que também podem ser comercializadas no mercado, gerando assim novas fontes de receitas para a instituição.

Evento de lançamento do Inova.São, no estádio do Morumbi

Armando o jogo

Em sua construção o Inova.São conta com uma metodologia própria de trabalho, desenvolvida a partir de ferramentas de Design Thinking e Lean startups, e um conjunto de melhores práticas em abordagens de inovação. “Não se trata de uma iniciativa ou de um projeto único, pois a articulação das três pontas – espaço de coworking, ecossistema e metodologia – permite estabelecer um ambiente e uma cultura inovadores e de forma duradoura. Vislumbramos a implementação ágil de novas soluções que trarão melhora na performance esportiva do clube, aumento do engajamento de fãs e também na receita gerada”, projeta Eduardo Paraske, co-fundador da Deboo.

A Deboo e a Sportheca são 2 vértices importantes na concepção e projeção de crescimento do Inova.São. “Temos muito orgulho de participar da criação do centro de inovação. Essa iniciativa, que será referência no país, prevê identificar oportunidades, desenvolver soluções para o clube e escalar novos negócios na área de Sportstech”, acentua Eduardo Tega, CEO da Sportheca.

Como prévia do projeto, um workshop reuniu apoiadores, sócios, torcedores, ex e atuais atletas, além de potenciais investidores, para pensar e co-criar ideias. Com um detalhe singular, o evento foi realizado dentro do gramado do estádio. 

Falando em espaços físicos, já está definido que o hub vai contar com um espaço de coworking de 300 m² e com vista para o gramado do Morumbi, dentro da área Concept Hall, localizada no anel inferior do estádio. O objetivo é atrair profissionais de universidades, de empresas, mentores, especialistas, sócios, torcedores, investidores e startups – e não é obrigatório torcer pelo time. “A inteligência do nosso mercado não é um privilégio apenas de sãopaulinos”, pontuou Alfano.

A Escola de Educação Física da USP (Universidade de São Paulo) é a primeira instituição de ensino a fazer parte do ecossistema, que se junta à organização social de cultura IDBrasil, responsável pela gestão do Museu do Futebol. Ambos complementam áreas nas quais o São Paulo Futebol Clube pretende evoluir.

Evento de lançamento do Inova.São, no estádio do Morumbi

Reforços em campo

Recentemente, em parceria com a Sportheca, o São Paulo foi o primeiro clube a aderir ao aplicativo da OneFan, que visa o engajamento dos torcedores e entrega conteúdos exclusivos, interação e a possibilidade de recompensas e resgates, a partir da inteligência de dados baseada no comportamento dos usuários. E outros dois projetos já estão em andamento: o Censo Tricolor e o Terra dos Campeões.

Em uma iniciativa inédita, aqui em parceria com a PH3A, o SPFC vai realizar o 1º Censo do Futebol brasileiro. O projeto conta com alcance global e busca coletar informações para conhecer a fundo ao menos 10 milhões de torcedores. 

Iniciado ainda em novembro de 2021, ele já conta com 1 milhão de informações. “Vamos unificar os dados do clube em um único lugar a partir de três dimensões: o tamanho da torcida (estimada em 18 milhões de pessoas no Brasil), o perfil socioeconômico dos tricolores e o engajamento. Queremos trazer as pessoas das redes sociais e de outras formas de interação, como o torcedor do estádio, entre outros”, explica Paulo César Costa, fundador e CEO da empresa.

O outro projeto, iniciado hoje, é o da Terra dos Campeões, que mira o meio ambiente e é tocado pela Deboo. Aqui, uma área do centro de treinamento do Tricolor em Cotia será destinada ao plantio de árvores em homenagem aos ídolos do clube. O primeiro homenageado é o atacante Amoroso, que participou das conquistas da Libertadores e do Mundial em 2005.

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