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Menos de uma semana depois de revelar que estava em negociação para comprar a Neoway, a B3 anunciou o fechamento da operação. O valor acertado foi de R$ 1,8 bilhão e será pago com recursos provenientes do caixa da companhia. A operação precisa ser aprovada pelo Cade. A companhia continuará operando de forma independente.

“A aquisição da Neoway está em linha com a estratégia da B3 de desenvolver produtos de dados e analytics para os mercados financeiro e de capitais, bem como de crédito e varejo, atendendo tanto clientes financeiros quanto clientes de outros mercados”, informou a dona da bolsa brasileira em fato relevante.

A Neoway tem mais de 450 funcionários divididos em 3 escritórios, mais de 500 clientes, e tem receita líquida projetada de R$ 190 milhões para 2022. O múltiplo de praticamente 9,5x receita futura está levemente abaixo das 10x a 12x que o mercado adota como referência em negócios com empresas de receita recorrente como é o caso da Neoway.

O negócio dá saída a fundos como Accel, Pollux, monashees, Pointbreak e Temasek, que colocaram US$ 45 milhões na Neoway em 3 rodadas, segundo dados do Crunchbase. No começo de setembro, a CapSur, gestora de Mário Ermírio de Moraes Filho e de Carlos Simonsen, comprou uma participação 30% na companhia. A fatia correspondia ao percentual de Jaime de Paula, fundador da empresa, que deixou o comando do negócio em 2019.

Gosto amargo

Apesar do “final feliz”, a venda da Neoway deixa um gosto amargo. A companhia criada em 2002 era candidata a unicórnio e era tida como uma referência em questões de inovação e gestão. Em 2019, no entanto, ela foi parar nas páginas policiais depois da divulgação de conversas do procurador da República Deltan Dallagnol que apontavam que o lobista Jorge Luz havia dito, em delação premiada assinada em 2016, que a Neoway o procurou para conseguir contratos na BR Distribuidora.

O episódio levou à saída de Jaime e a um processo de reavaliação da companhia, que ficou mais de 1 ano auditando e revisando processos e aprimorando sua governança. Uma das medidas foi abrir mão de contratos com órgãos de governo, que respondiam por quase um terço da receita.

Em janeiro Jaime foi alvo da 2ª fase da Operação Alcatraz, da Polícia Federal que apura a prática de crimes corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro em Santa Catarina. Ele é acusado de efetuar contratos fictícios para repasses ilícitos de recursos a servidores públicos e políticos, através das empresas E-Biz Solutions, Ecco Energy e, principalmente, da Neoway Tecnologia.

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