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O mercado cripto brasileiro já tem um bom público. Segundo uma pesquisa da Visa, cerca de 30% dos brasileiros já utiliza algum tipo de criptomoeda. Porém, boa parte deste mercado ainda está nos investimentos e em corretoras como as nacionais Mercado Bitcoin, Foxbit e players internacionais que aqui entraram, como a Binance. Entretanto, segundo a startup Beplix, pouco disso é movimentado de fato na economia real (pagamentos ou transferências) – e é isso que a empresa quer mudar.

“Queremos ser o grande liquidante da economia cripto no Brasil”, explica Thiago Mozzatto, cofundador e CEO da startup, que está lançando seu app com o conceito de Crypto-as-a-Service. O que isso quer dizer? Bem, segundo Thiago e Vinicius Marinho, o outro cofundador e CEO da startup, o app e suas contas digitais permitirão o uso das moedas digitais para pagar desde um cafezinho na padaria ou até mesmo comprar um apartamento por meio da plataforma, gerando liquidez instantânea para o possuidor da cripto.

De acordo com os fundadores da Beplix, uma das principais dores dos usuários de cripto no Brasil é a lentidão para fazer o uso delas. “Na maioria dos players, para utilizar o bitcoin para fazer algum pagamento, é preciso primeiro solicitar uma ordem de venda, esperar um dia ou mais pra cair na conta bancária, e daí então emitir um TED ou um Pix em reais. Na nossa plataforma, o usuário pode fazer isso de forma direta, e nós cuidamos dos detalhes”, explica Vinícius.

“Não tem nenhum boleto emitido no nome da corretora. O pagamento vai do emissor para o recebedor diretamente”, explica Vinícius, esclarecendo que as criptomoedas guardadas pelo usuário em sua conta são 100% deles. “Não somos uma corretora que pode usar suas criptomoedas para fazer alavancagem”, completa (e alfineta) Thiago.

Segundo o COO, a empresa não cobra taxas sobre todas as transações, como em uma corretora, e recebe em cima do spread delas, que segundo o executivo “está dentro dos padrões do mercado”.

Para resumir bem, o CEO da Beplix explica que o app funciona de forma semelhante a um app de neobanco, permitindo o usuário adquirir e guardar em suas contas quatro tipos de moedas digitais: Bitcoin e Ethereum, assim como duas stablecoins (Tether e USDC). “Queremos combinar banco e cripto em uma mesma aplicação”, resume Vinicius.

Por falar em neobanco, recentemente o Nubank lançou a sua solução de do tipo in-app, o Nubank Cripto, que permite a compra e venda de moedas, mas não a transação direta destes valores para pagamentos ou transferências.

Atualmente, a Beplix atua com um parceiro de BaaS (Acesso Bank) para a operação do app, mas ela já está com um pedido no Banco Central para se tornar uma instuição financeira, o que no futuro poderá trazer novos produtos, incluindo cartões físicos de pagamento. Outro plano é incluir mais tipos de moedas digitais, aumentando as opções para usuários.

O grande liquidante

Para ter a tecnologia capaz de permitir estas transações de forma rápida e segura, a Beplix desenvolveu uma plataforma própria – e para isso investiu em time. “Estamos com um time de 20 colaboradores, e metade dele é voltado à parte tecnológica”, explica Thiago. À medida que o app crescer nos próximos meses, a ideia é ampliar a equipe para mais de 50.

O desafio da startup foi criar um sistema capaz de prover liquidez em tempo real para os usuários. “A tecnologia entra para conseguirmos fazer isso de forma rápida e com risco baixo. Para cada operação de usuário, preciso ter conexões no exterior que trave as pontas (cotações e valores) e garanta o crédito em tempo real”, afirma Vinícius.

Vinícius Marinho (CEO) e Thiago Mozzatto (COO), da Beplix

As conexões citadas pelo CEO são grandes atacadistas de cripto, relações construídas pelos dois fundadores em sua experiência como traders no atacado (OTC) durante os últimos anos. Na estimativa dos dois fundadores da Beplix, eles transacionaram mais de R$ 20 bilhões em vendas no atacado, operando com grandes empresas e corretoras.

“Estamos fazendo o caminho inverso de muitos players nacionais. Começamos como OTC e hoje estamos entrando no varejo, mas de uma forma diferente”, observa Thiago. “É essa capacidade de liquidez que nos dá a capacidade de liberar rapidamente pagamentos ou transferências, seja alguém querendo fazer um Pix para pagar um cafezinho, ou alguém querendo fazer um TED para comprar um carro”, explica Vinícius.

Construa e eles virão

E por falar em crescimento, a Beplix espera atingir um público de 100 mil usuários até o final do ano. Para isso, a startup dará uma de Kevin Costner quando construiu o campo de baseball no filme Campo dos Sonhos. Ao construir a infraestrutura, os usuários virão.

Para isso, até o final de 2022 a empresa apostará em uma estratégia B2B2C, firmando parcerias com estabelecimentos e grandes players de e-commerce para receber pagamentos via Beplix. O ideia é apelar para a parcela do público que já utiliza as criptomoedas, mostrando a eles que é possível transferir valores e fazer pagamentos com as moedas digitais, aumentando o número de estabelecimentos recebedores.

“Muitos investem em criptomoedas, e querem utilizá-las, mas pela morosidade que envolve movimentar este dinheiro, acabam deixando parado”, avalia Vinícius. “Existem mais de 10 milhões de pessoas com criptomoedas no Brasil. Se chegarmos a 1 milhão já será uma grande vitória”, complementa o executivo.

Apesar da proposta de ser um agente de liquidez do mercado, o objetivo da Beplix é atrair tanto o pessoal que deseja movimentar suas criptomoedas quanto aqueles que apenas vêem elas como um investimento. “Basicamente, o que queremos é simplificar e popularizar ainda mais o uso delas”, afirma Thiago.

Inclusive, para levar adiante seu plano, a empresa não descarta a possibilidade de levar a sua tecnologia para outras plataformas. Conforme explica o COO, o sistema da Beplix conta com uma API que permite plugar sua plataforma de serviços com outros apps bancários. “Se um grande banco desejar incluir uma solução de cripto em suas contas digitais, e quiser nos usar como liquidante, é algo que podemos fazer”, finaliza.

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