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Dentre as inúmeras dificuldades enfrentadas por quem cria uma empresa, lidar com a parte burocrática talvez seja a mais dura. Contabilidade, jurídico, RH, finanças… tudo junto e misturado e o negócio mesmo, aquela ideia maravilhosa para resolver os problemas do mundo, fica quase que só para as horas vagas.

Jorge Vargas Neto já passou por isso na construção da Biva, da ZenFinance e via isso acontecendo com outras pessoas mais recentemente dentro do Rappi, onde estava depois da incorporação da fintech – história que o Finsiders já tinha contado.

A percepção de que isso não precisava ser assim foi a motivação para a criação da BHub, companhia quer ser para pequenas e médias empresas o que provedores de serviços de terceirização são para grandes companhias. “O sonho é chegar em um ponto em que seja impensável abrir e tocar uma empresa sem ter a BHub”, profetiza Jorge. Como cofundadores a BHub tem Fernando Ricco (que já foi Adyen, BTG, Deloitte e EY) e Marcelio Leal (ex-Nubank e Amazon)

O negócio é inspirado na americana Pilot, que já levantou mais de US$ 161 milhões de investidores como Sequoia, Index Ventures, Bezos Expedition (do Jeff Bezos) e da Stripe. “Eu não conheço nenhum empreendedor que fundou um negócio para tocar o backoffice”, brinca Jorge.

Pacotes e rodada

Atualmente a BHub oferece 4 pacotes de gestão como serviço com preços que variam de R$ 1.199,00 a R$ 2.599,00. O mais caro, e também o mais completo, inclui contabilidade, financeiro e jurídico com atendimento 24 horas. Em todos os planos, o tempo máximo de resposta para uma demanda é de 5 minutos.

Uma 5ª oferta, chamada de StartUp pack, que custa R$ 1.299,00, inclui 5 serviços específicos para quem está começando um novo negócio, com abertura de CNPJ, criação de contrato social e registro de marca.

Em estruturação desde março e operando desde julho, a companhia conquistou 51 clientes e fechou sua 1ª rodada de investimento. O aporte de R$ 23 milhões foi co-liderado por Monashees e Valor Capital, e contou com a participação do QED, da ClocktowerVC, Addition, Picus, EquitasVC, Norte Ventures e investidores anjo como Mariano Gomide e Geraldo Thomaz, fundadores da VTEX; Tiago Dalvi, da Olist e Juan Pablo Ortega, cofundador da Rappi. A Latitud, do Brian Requarth também participou.

Com os recursos, o objetivo é ampliar a equipe que atualmente conta com 24 pessoas com contratações especialmente na área de tecnologia – incluindo vagas direcionadas apenas para mulheres – e fechar o ano com algo entre 300 e 500 clientes.

Os alvos iniciais são as startups e empresas com presença online, que são naturalmente mais propensas a adotar novos tipos de produtos e serviços, mas Jorge não vê limitação para que empresas de todos os portes, e até mesmo profissionais como médicos contratem a BHub. Para o ano que vem ele já planeja uma expansão internacional, começando pelo México.

Third time is the charm

Jorge Vargas Neto é integrante da 1ª turma de fundadores de fintechs do Brasil. Em 2014, quando trabalhava com Bruno Baludccini no escritório Pinheiro Neto, ele resolveu montar a Biva, de empréstimos entre pessoas. Em 2018, o negócio, que chegou a levantar três rodadas de investimento, foi vendido para o PagSeguro. Logo na sequência, Jorge fundou a ZenFinance, para fazer crédito como serviço.

Segundo Jorge, o negócio, que tinha levantado dinheiro com o GFC e tinha uma série A engatilhada com a Valor Capital ia bem até que chegou a pandemia. No fim do ano, a operação foi incorporada pelo Rappi, servindo de base para o lançamento do Rappi Bank no Brasil. “Eu estava feliz no Rappi. O potencial é gigantesco e eu continuo muito próximo das pessoas de lá. Tanto que o Juan Pablo é um dos investidores da BHub. Mas eu comecei a pensar nisso todos os dias. Fiquei obcecado pelo modelo”, diz Jorge.

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