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Não deu nem três meses. A Nomad levantou R$ 160 milhões (US$ 32 milhões) em maio para avançar seu plano de escalar sua operação de banco digital em dólar. Agora no começo de agosto, a companhia demitiu aproximadamente 70 pessoas, cerca de 20% a 30% de sua força de trabalho.

Conforme apuração do caderno Link, do Estadão, a medida foi tomada para garantir a “alta performance da empresa nos próximos anos”. Contudo, a fintech não confirmou o número de demissões realizadas.

Segundo a reportagem do jornal, os cortes foram realizados por meio de videochamada, atingindo áreas como investimentos, jurídico e RH. Na chamada, a diretoria da empresa apontou como motivos da decisão o horizonte incerto quanto à captação de novas rodadas de investimento, mesmo que a fintech tenha se capitalizado há pouco tempo.

Para os que foram desligados, a companhia disponibilizou dois meses de plano de saúde, fim do desconto do vale-alimentação, ajuda na recolocação profissional e sessões com coach de carreira.

Em nota, a Nomad afirmou que investimentos na empresa devem seguir durante o ano.  “A Nomad irá direcionar sua energia operacional para as oportunidades que se apresentam no momento presente da empresa, acelerando o desenvolvimento de produtos e serviços, e o crescimento de sua base de usuários brasileiros”, divulgou a empresa em comunicado.

Para 2022 a meta do banco digital é registrar um crescimento de dez vezes na sua receita, em relação a 2021. Em entrevista ao Startups em maio, o CEO da empresa Lucas Vargas mostrou empolgação com o avanço da empresa no primeiro semestre, o que fez a empresa rever suas metas. Inicialmente o plano era fechar 2022 com 500 mil usuários, e mudou a meta para 1 milhão.

Em maio, a rodada da Nomad totalizou US$ 32 milhões, em uma odada liderada pelo fundo norte-americano Stripes, com a participação da Spark Capital, monashees, Propel, Globo Ventures e Abstract. Na captação, a companhia foi avaliada em mais de R$ 1 bilhão. Os fundadores da Nomad são os empresários Eduardo Haber e Patrick Sigrist – que também foi cofundador do iFood.

Crise generalizada

A Nomad entra para a lista de startups – e mais especificamente de fintechs – que estão se obrigando a rever suas estratégias para se manterem vivas. Na semana passada, por exemplo, a Provi (de soluções de financiamento estudantil) cortou 23% da sua força de trabalho – cerca de 70 funcionários de um total de 300.

O caso mais recente é o da Hash, de Banking-as-a-service (BaaS) para maquininhas de cartão. Esta semana a fintech anunciou uma segunda onda de cortes (a primeira tinha sido em junho, com 50 demissões), mandando 58 colaboradores embora. Desta vez, porém, o buraco foi ainda mais embaixo: a empresa terminou acordos e fechou operações com clientes – e segundo apurou o Startups, a empresa corre o risco de fechar as portas.

O que a Nomad e a Hash tem em comum? Além de serem fintechs, ambas se capitalizaram recentemente, o que mesmo assim não impediu os cortes. A Hash, por exemplo, levantou no ano passado duas rodadas de investimento (série B e C), colocando mais de R$ 250 milhões no caixa.

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