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À medida em que empresas são forçadas a acelerar suas estratégias de transformação digital como consequência da Covid-19, cresce também a demanda por hiperautomação com tecnologias como inteligência artificial (IA) e automação robótica de processos (RPA). De olho no avanço desta tendência em mercados em desenvolvimento, a Laiye deu o pontapé inicial em suas operações no maior mercado da América Latina.

Fundada em 2015, a Laiye é a cria de Yichang Hu e Guanchun Wang, empreendedor de segunda viagem que vendeu sua startup de descoberta de filmes Pitchbook para o Baidu. Durante os anos em que trabalhou na gigante chinesa de tecnologia, em projetos relacionados a caixas de som inteligentes, Wang se deu conta do potencial da IA. A tese do fundador é que setores tradicionais da indústria são carentes de soluções nesta área, e uma evolução nesta frente pode ajudá-las a aumentar eficiência e reduzir custos.

A hiperautomação permite que organizações identifiquem, examinem e automatizem rapidamente o maior número possível de processos usando tecnologia como RPA, IA e low-code. Segundo previsões do Gartner, trata-se de um mercado que deve chegar a US$ 596,6 bilhões em 2022. Com base nesta abordagem, a Laiye desenvolveu uma plataforma integrada que engloba todas as atividades repetitivas de um trabalhador, desde o atendimento ao cliente por diversos canais, até a análise de documentos.

“Estamos vendo uma segunda onda em termos de necessidades das empresas quando o assunto é a jornada de automação. São empresas que começaram este processo talvez há uns três ou quatro anos, mas que ainda não incorporaram a automação inteligente, baseada em IA. Esta é uma demanda que nossos concorrentes mundiais não tem podido atender”, explica Petter Dalén, gerente-geral da Laiye para as Américas.

A empresa tem uma carteira de quase 200 clientes, incluindo as consultorias KPMG e Deloitte, além de outras empresas de tecnologia, como a Lenovo. Na América Latina, a empresa já fechou com uma universidade chilena, que vai usar o software da Laiye para automatizar processos como a gestão de estudantes e documentos da área financeira. No Brasil, foram fechados contratos com empresas do setor de varejo e indústria química.

O plano de internacionalização da Laiye

O começo da operação da empresa chinesa no Brasil é parte de uma agressiva internacionalização. A Laiye atualmente gera 20% da receita fora de seu país natal, mas planeja aumentar este percentual para 50% até 2025. A região das Américas é uma das mais promissoras para a empresa: segundo Petter, estes mercados devem ter a maior representatividade em termos de receita fora da China até 2023.

O Brasil é o mercado prioritário da região e tem a maior equipe: são nove pessoas, numero que deve dobrar nos próximos 30 dias. Em relação ao potencial comercial do país, Petter diz que apesar de a hiperautomação ainda estar engatinhando por aqui, as coisas avançaram muito em relação ao uso de tecnologia.

O líder da Laiye nas Américas, Petter Dalén

“A oportunidade é enorme, há muito trabalho manual repetitivo que pode ser automatizado. Além disso, o brasileiro é muito aberto a novas tecnologias e o fato e que a população é mais jovem faz com que a adoção seja mais simples em muitos casos,” ressalta o executivo.

O movimento de expansão global da empresa vem na esteira de uma Série C de US$70 milhões anunciada em abril deste ano, liderada pelo fundo chinês de private equity Hope Magnolia. O grupo de investidores da Laiye também inclui outros investidores de private equity como a Youshan Capital, além da Lightspeed Venture Partners e Sequoia Capital China. A startup deixa claro que tem os recursos que precisa para fazer um IPO, mas não divulga quando isso deve acontecer.

Aquisições à vista

Ao mesmo tempo em que fechou a rodada, a Laiye também anunciou o acqui-hire da desenvolvedora francesa de chatbots Mindsay, por um valor não divulgado. À época, a empresa disse que a aquisição da empresa baseada em Paris, cuja oferta inclui IA conversacional e RPA, faz parte da estratégia de crescimento na Europa e também para avançar sua função de pesquisa e desenvolvimento. Segundo Petter, também é possível que a Laiye vá às compras no Brasil.

No entanto, uma nova aquisição no Brasil não deve ter o intuito de só apoiar o crescimento da empresa, mas também pela tecnologia, com soluções que possam incrementar a suíte de soluções da Laiye. Segundo o executivo da empresa, o ecossistema de players em automação está “no auge”. “Com o interesse de grandes fundos de venture capital pelo Brasil que temos visto recentemente, temos visto a emergência de empresas com bastante sucesso por aqui. Mas é preciso ver exatamente em que ponto da onda de automação a empresa está, para definir como seria uma possível aquisição”, pontua.

Além disso, existem outros fatores a serem considerados antes de possíveis compras. “Precisamos ver os números, a base de clientes. Outro ponto importante para nós é quem são os fundadores. Na aquisição da Mindsay isso foi decisivo – e conhecendo os fundadores da Laiye, isso deve continuar sendo um fator crucial nas próximas aquisições”, diz o executivo da empresa.

No próximo ano, prioridades para a empresa chinesa incluem a expansão na América Latina – possíveis novos mercados incluem o Chile, Colombia e Argentina – e Estados Unidos, com a construção de cases de sucesso. Para atingir estes objetivos, Petter antecipa que a startup precisará trabalhar na visibilidade de sua marca. “Estamos trabalhando nesta frente, mas é um desafio. Além disso, precisaremos achar as pessoas certas e ajustar uma dinâmica no time, que permita que todos tenham sucesso dentro da Laiye”, conclui.

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