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A CI&T, multinacional brasileira de tecnologia da informação e engenharia de software, fechou um acordo para adquirir a agência inglesa de produtos digitais Somo Global, como parte da estratégia para expandir sua presença de mercado na Europa.

O preço base de compra é de aproximadamente US$ 67 milhões, dos quais até 25% serão pagos em ações da CI&T. Além disso, há uma cláusula de earn-out de até US$ 13 milhões com base no desempenho futuro do negócio. A aquisição está sujeita às condições tradicionais de fechamento e deve ser concluída no primeiro trimestre de 2022.

A Somo é a primeira aquisição da CI&T desde o seu IPO, que aconteceu em novembro de 2021. Na época, a empresa disse que a maior parte do capital levantado na oferta da NYSE (aproximadamente US$ 160 milhões) seria usado para aquisições.

Com sede em Londres, a Somo foi fundada por Nick Hynes, considerado o pai da indústria de pesquisa paga (quando os proprietários de sites pagam para suas páginas aparecerem no topo dos resultados de busca da web) na Europa, e Carl Uminski, em 2009. A companhia, criada para ajudar empresas a aproveitar o potencial da tecnologia móvel, teve um lucro líquido de cerca de US$ 34 milhões em 2021 – um aumento de 41% em relação a 2020.

“A Somo e a CI&T têm uma cultura parecida de colocarem as pessoas em primeiro lugar. Além disso, ambas são focadas em inovação e têm uma forte reputação entre as marcas globais. Juntos, vamos combinar o poder de uma empresa global com a força de um sólido player europeu”, diz o fundador e CEO da CI&T, Cesar Gon.

Com o acordo, quase 300 profissionais baseados no Reino Unido, Estados Unidos e Colômbia vão ingressar na CI&T, levando suas experiências de entrega de produtos digitais a empresas nos setores de serviços financeiros, automotivos, serviços públicos e telecomunicações. O portfólio de clientes inclui nomes como Audi, Vodafone e Virgin Media.

Em entrevista para o Startups, Cesar disse que a companhia já estava analisando potenciais aquisições na Europa – principalmente no Reino Unido – que poderiam ser boa opções em termos de cultura e modelo de negócio, além de trazer expertises específicas de indústrias onde a CI&T não tem uma grande atuação. As discussões com a Somo vinham ocorrendo há cerca de um ano.

Antes da Somo, a multinacional já tinha comprado a Dextra, empresa brasileira de desenvolvimento de produtos digitais e software, por um valor não divulgado. A aquisição da Dextra, que tem escritórios nos EUA e no Brasil, reforçou os planos da CI&T de oferecer uma gama mais ampla de serviços de tecnologia ao mercado e ampliar sua presença nas regiões onde já atua.

“Desde [o investimento feito pela] Advent International em 2019, nosso objetivo tem sido combinar o crescimento orgânico da empresa com um plano agressivo de M&A”, afirma Cesar, acrescentando que o negócio da Dextra, fechado antes do IPO, ajudou a empresa a ampliar sua presença nos EUA antes de mudar o foco para a expansão na Europa.

A multinacional vem buscando uma estratégia de internacionalização nos últimos anos. Em 2018, inaugurou escritórios na Europa, com uma sede regional em Londres e um centro de desenvolvimento em Lisboa. Além disso, a companhia cresceu para outras regiões, como Ásia e América do Norte, e atualmente está presente em 8 países, com uma força de trabalho global de 5.500 colaboradores.

Quando se trata de incorporações futuras, Cesar afirma que a empresa busca empresas agreguem ao trabalho da CI&T em termos de estratégia digital, design, experiência e toda a pilha de tecnologia. Outras aquisições devem ser feitas ainda em 2022, já que a empresa quer oferecer uma experiência de ponta a ponta para organizações que buscam melhorar sua configuração digital.

Embora o futuro pareça promissor, o fundador da CI&T está ciente dos desafios macroeconômicos, como a hiperinflação e a incerteza dos mercados de ações – na época do IPO as ações da empresa atingiram um pico de US$ 20 e caíram para menos de US$ 13 ontem (13). Segundo o fundador, a queda era esperada e tem a ver com a percepção dos investidores sobre o mercado brasileiro.

Por outro lado, Cesar está confiante de que isso mudará e que a resiliência da CI&T fique clara nos próximos trimestres, quando o mercado vai poder analisar ainda mais o desenvolvimento da companhia. Segundo o executivo, com o negócio da Somo, 60% da receita da multinacional virá de mercados com moedas fortes. Além disso, ele destaca que há fatores adicionais que contribuirão para uma maior compreensão do mercado sobre a posição da empresa como multinacional brasileira.

“A volatilidade atual no Brasil cria uma situação muito interessante para nós, pois, apesar de termos muitos custos em reais, grande parte da nossa receita está em moedas como o dólar e a libra”, diz o executivo, acrescentando que a diversificação do mercado e a capacidade de explorar grandes grupos de talentos digitais também colocam a empresa em uma posição favorável.

“Somos novatos [nos mercados públicos], então tenho a missão de explicar nosso modelo de negócios e a forma como temos criado valor para as empresas nos últimos 27 anos. Mostramos que podemos combinar a estratégia de M&A com crescimento orgânico e aprendizados de diferentes países e segmentos para construir o projeto de longo prazo que é a CI&T.”

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