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Bom dia,

Empresas investindo em startups é a nova grande onda do momento. Mas o que começa com juras de amor e grandes expectativas de sucesso e inovação, nem sempre dá muito certo.

Na semana passada, o anúncio do encerramento do aplicativo Delivery Center, feito pela BR Malls e pela Multiplan, foi o grande exemplo disso. Os investimentos, que começaram a ser feitos em 2018, aparentemente não trouxeram o resultado esperado e a opção dos sócios – além dos dois gigantes, mais um monte de outros – foi por descontinuar o serviço.

Os investimentos foram feitos pelas companhias diretamente, sem braços de corporate venture, ou estruturas de inovação específicas. Talvez este tenha sido o problema: os velhos hábitos falaram mais alto. Mas se elas tivessem essas estruturas a história poderia ter sido outra? Talvez sim, talvez não. O Diego Barreto fez uma boa provocação sobre isso no artigo de estreia de sua coluna no Startups: Parabéns, você tem um corporate venture. Agora me mostre o impacto dele na sua empresa!

O que fica é a conclusão – batida, mas pouco ouvida – de que não basta ter boas intenções (disso o inferno tá cheio, como sempre disse minha mãe)

Boa leitura e boa semana.

Gustavo, Fabiana e Gabriela


Semana de 22 a 28 de Novembro

RODADAS DE INVESTIMENTO

  • A startup de logística OneDoor levantou R$ 2,5 milhões em rodada seed para consolidar a expansão por todo o país e internacionalizar o negócio na América Latina. Para alcançar esses objetivos, a empresa vai investir em soluções de open delivery, que visa padronizar e integrar estabelecimentos, canais de venda e sistemas de gestão, com o objetivo de otimizar os serviços de entrega;
  • A TruePay, fintech de pagamentos B2B, recebeu um aporte série A de R$ 176 milhões. A rodada foi liderada pela Addition, fundo de venture capital de Lee Fixel (ex-Tiger Global). O dinheiro será usado para desenvolver a tecnologia, aumentar a capacidade de atendimento e expandir o time. A startup projeta crescer 10 vezes até o fim de 2022;
  • A hiSofi, que permite que os consumidores de crédito decidam como desejam saldar suas dívidas, está com o caixa cheio depois de levantar US$ 30 mil do Finance Forward América Latina, programa de suporte a startups de soluções financeiras que conta com apoio da MetLife Foundation e Moody’s. A iniciativa também selecionou as startups mexicanas Akiba e ContaAyuda, que receberão US$ 40 mil e US$ 30 mil, respectivamente;
  • A Whatslly, startup israelense de integração com foco em relacionamento entre WhatsApp e CRM, recebeu um aporte seed US$ 11 milhões liderado pelo fundo de venture capital Zeev Venture. A companhia pretende expandir os negócios com foco no Brasil e em toda a América Latina;
  • A Blips, startup de aluguel de equipamentos para ajudar pequenos empreendedores, prepara-se para aumentar o portfólio de produtos e serviços no Brasil. Para turbinar os planos, a companhia recebeu uma série A de R$ 10 milhões da aceleradora In.Pulse, de Uberlândia (MG);
  • Com foco na gestão de pagamentos para influenciadores com grupos fechados no WhatsApp e Telegram, a Hubla (ex-ChatPay) recebeu R$ 60 milhões da Kaszek, FJ Labs, Big Bets e do Kevin Efrusy, um dos primeiros investidores do Facebook. O novo aporte será investido em melhorias no produto, com maior flexibilidade e segurança ao usuário, e em melhores ferramentas para a comunidade de criadores de conteúdo.
  • A Kaszek também liderou a série A de R$ 55 milhões da fintech Z1, que quer ser a 1ª conta do público jovem e seguir como seu banco principal nos anos seguintes. O aporte veio na mesma semana que a startup anunciou que estava eliminando a tarifa de assinatura de mensal de R$ 10 de sua conta para acelerar seu crescimento;
  • A healthtech Klivo, que atua na coordenação de cuidados de pacientes crônicos dentro das empresas, fez uma rodada de R$ 45 milhões liderada pela Valor Capital. O plano dos fundadores é triplicar de tamanho nos próximos 12 meses

FUSÕES E AQUISIÇÕES

  • O fundo Criatec, administrado pelas gestoras KPTL e Antera, anunciou a venda da Imeve, especializada em probióticos para nutrição animal. A operação, negociada com o grupo de empreendedores que fundou a empresa em 1980, gerou um retorno de 6,5 vezes para o fundo;
  • A StartSe comprou mais uma empresa para apoiar a construção de sua plataforma digital que integre, em um mesmo ambiente, educação, networking e serviços. Trata-se da fábrica de software Gempe Soluções em Tecnologia da Informação. Essa é a 2ª aquisição da companhia desde que recebeu, no início do mês, um aporte de R$ 75 milhões pela Pátria Investimentos;
  • A Quero Educação tem duas novas empresas em seu guarda-chuva: a Descubra o Mundo, marketplace de intercâmbios, e a Skola, que cria e-commerces para grupos educacionais. Com as novas aquisições e ampliação do portfólio, a Quero Educação espera aumentar o faturamento em 8% nos próximos 2 anos.

FINTECH PARA ESTUDANTES

  • O Grupo Ser Educacional lançou o b.Uni, fintech do setor de educação superior que oferecerá soluções financeiras digitais para os estudantes. Aqueles que pagarem suas mensalidades pontualmente terão cashback. A fintech, que também facilitará o pagamento de salários, pretende mais para frente disponibilizar produtos diferenciados de crédito para esse segmento, além de cartões de crédito, seguros e outros.

MAIS CIDADES

  • A proptech EmCasa está ampliando sua atuação para mais 9 cidades: Niterói (RJ), Campinas (SP) e Guarulhos (SP). Já para janeiro de 2022, será a vez de Diadema (SP), Mauá (SP), Osasco (SP), Jundiaí (SP), Mogi das Cruzes (SP), Sorocaba (SP), Santos (SP) e Ribeirão Preto (SP). Atualmente, a plataforma opera em São José dos Campos (SP), Santo André (SP), São Bernardo do Campo (SP) e São Caetano do Sul (SP), além das capitais paulista e fluminense. A expansão se segue a uma rodada de US$ 21 milhões que a companhia recebeu em julho.

SO LONG, DELIVERY CENTER

  • Pegou todo mundo de surpresa (fora, e também dentro da empresa), a notícia de que a BR Malls e a Multiplan estavam desligando a chave do aplicativo Delivery Center. em comunicado ao mercado, a companhia não deu detalhes sobre a decisão. Mas a leitura é que os sócios cansaram de perder dinheiro com a operação, na qual vinha investindo desde 2018. A Multiplan tem 26,89% do aplicativo e reportou prejuízo líquido (proporcional) de R$ 62 milhões no negócio no balanço até 30 de setembro de 2021, além de patrimônio negativo de R$ 13 milhões – um ano antes, a perda era menor, de R$ 39 milhões. A BR Malls apurou prejuízo com a empresa de quase R$ 72 milhões até setembro, versus uma perda de R$ 33,5 milhões em todo o ano de 2020, segundo nota explicativas dos balanços. Uma lista com quase 700 profissionais da companhia que serão demitidos com a desativação do serviço está circulando nos últimos dias.  

CRIPTO NO MERCADO LIVRE

  • O Mercado Livre vai permitir que brasileiros comprem, vendam e armazenem bitcoins em suas contas. A opção já estava em teste e será liberada de forma ampla para os usuários da plataforma. Num próximo passo, outros países da América Latina receberão a função. Ainda não será possível fazer compras usando criptomoedas. Mas permitir isso não está fora dos planos. A iniciativa vem cerca de seis meses depois que o Mercado Livre anunciou a compra de US$ 7,8 milhões em Bitcoin como estratégia de tesouraria, a primeira empresa grande porte na América Latina a seguir por esse caminho,

O QUE O NUBANK FEZ ESSA SEMANA

  • O Nubank passou a oferecer a seção Shopping em seu aplicativo. O marketplace de compras marca a entrada de serviços não financeiros na oferta da companhia, seguindo os passos do Inter, do next e do C6;
  • O Nubank anunciou o início das obras para a abertura do NuLab Salvador, um hub de desenvolvimento de tecnologia e experiência do cliente e o primeiro escritório da companhia fora de São Paulo. O edifício fica localizado no bairro do Rio Vermelho, uma região conhecida pela criatividade e agito cultural na capital baiana. Além de equipes de tecnologia e design do Nubank, ele vai acomodar futuros eventos, encontros e troca de experiências que devem acontecer a partir do início de 2022, quando as obras estiverem prontas. O investimento tinha sido anunciado em 2020 como parte das medidas que a companhia elaborou para reforçar a diversidade internamente e no mercado de tecnologia.

CRÉDITO PARA PMEs

  • O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou o 7º fundo destinado a melhorar o cenário de crédito para pequenas e médias empresas. O portfólio terá um total de R$ 407 milhões disponíveis, dos quais R$ 345 milhões foram aportados pelo banco de fomento e a diferença pelas gestoras Empírica e Gauss Capital. Quem vai originar os créditos serão as fintechs BizCapital e Finpass, por isso o nome do fundo é FIDC BizCapital Finpass PME. Partes relacionadas de ambas também colocaram recursos no fundo. No total, a carteira deve ter um efeito prático equivalente a R$ 1,8 bilhão sobre o mercado, podendo alcançar até 7,4 mil empresas, com receita em torno de R$ 20 milhões ao ano. Serão créditos fornecidos sem garantia vinculada, apenas com aval dos sócios — uma modalidade bastante escassa às PMEs.

LOJA AUTÔNOMA

  • A Americanas inaugurou uma loja Ame Go no Aeroporto Internacional Tom Jobim – o RIOgaleão. Com tecnologia desenvolvida pela Ame Digital, fintech e plataforma mobile de negócios da Americanas, a nova Ame Go, foi “inspirada” (a palavra certa é outra, na real) na Amazon Go, e é a primeira loja autônoma da companhia a operar em ambiente de alto fluxo. “Com o conceito “pegou, levou”, sem vendedores, sem fila e sem checkout, a Ame Go vai facilitar o dia a dia das pessoas que transitam pelo aeroporto, proporcionando uma experiência de consumo mais ágil e independente. A unidade será aberta no RIOgaleão, uma das principais portas de entrada do Brasil, que espera um aumento de 79% na movimentação total de passageiros durante o mês de dezembro”, disse a companhia em comunicado.

DEI UM TEMPO

  • Após se recuperar e ressignificar sua relação com o alcoolismo, o empresário Marcos Tartuci decidiu compartilhar seu método próprio para tal e fundou, em 2020, a Dei um Tempo. Pelo app da startup, o usuário deve completar as jornadas de atividades diárias propostas com o objetivo final de ressignificar sua relação com hábitos indesejados como alcoolismo, tabagismo e consumo de carne. O app oferece jornadas de 28 ou 90 dias, com preços que variam de R$ 109 a R$ 300.

CRIPTO COMO SERVIÇO

  • A Foxbit, colocou no  ar o Compra Fácil Cripto, um cripto-as-a-service que oferece a clientes institucionais todos os serviços e funcionalidades da Foxbit Exchange. Isso significa que qualquer empresa, banco ou instituição financeira pode oferecer em suas aplicações serviços de uma exchange de criptomoedas de forma rápida e fácil, introduzindo uma nova linha de receita ao negócio e expandindo o portfólio de produtos.

DANÇA DAS CADEIRAS

  • A healthtech Nexodata, especializada em receita digital, anunciou o médico Francisco Balestrin e o executivo Luiz de Luca como senior advisors e membros de seu Conselho de Saúde. Eles participarão de reuniões mensais com a diretoria, para decisões estratégicas mirando uma expansão nacional e desenvolvimento de novos produtos. O médico Evandro Felix também entra para o time da startup como diretor de informação médica.
  • A Pipedrive, plataforma CRM para vendedores, está fortalecendo a equipe executiva global com a chegada de Peter Harris como diretor de operações e Malgosia Plucinska como diretora de atendimento ao cliente. Peter vai comandar a estratégia geral da companhia, liderando as equipes e canais de venda, estratégia de M&As e desenvolvimento de novos mercados. Já Malgosia ficará responsável pelas equipes de atendimento ao cliente do Pipedrive, com o objetivo de formar uma visão conectada de toda a jornada dos consumidores.
  • A Factorial, plataforma espanhola de software para a área de recursos humanos, anunciou a chegada de Renan Conde como diretor de vendas das operações no Brasil. Especialista há 10 anos em desenvolvimento de negócios internacionais, o executivo atua na Factorial em Barcelona desde 2020, onde ajudou no desenvolvimento de novos mercados como Reino Unido, Alemanha, Itália e Portugal. Sua vinda para o Brasil marca a expansão da Factorial na América Latina.

RECOMENDAÇÕES DE LEITURA

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  • O VC Radar é uma iniciativa do Emerging Venture Capital Fellows para democratizar o acesso às teses de investimento das gestoras de venture capital no Brasil. Foram coletadas informações sobre a tese de investimentos de todas as gestoras com atuação no Brasil para ajudar fundadores a encontrar os investidores certos de forma mais eficiente – e vice-versa.
  • A Abstartups colocou no ar a versão 2021 de seu Mapeamento do Ecossistema de Startups

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