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Boa tarde,

A edição dessa semana vai bem atrasada porque as notícias cismam em aparecer! Já leu que a Via Varejo comprou uma fatia da controladora do Distrito?

A semana passada foi divertida porque trouxe algumas coisas que normalmente não aparecem por aqui, como o IPO da Méliuz. Foi o primeiro IPO de uma empresa que seguiu o ciclo de venture capital  completo no Brasil – sem contar com o impulso do BNDES ou de outros órgãos de fomento. Era pra ter sido o Enjoei, mas os coordenadores da oferta atrasaram um pouco a listagem para aumentar o prazo de captação de recursos junto a investidores.

Teve também a fusão da Rocketseat com a Shawee, da Orgânico Gourmet com a Keep Light e a cisão (e venda) de ações da XP pelo Itaú.

E é claro, teve a eleição de Joe Biden para a presidência dos EUA – que traz perspectivas positivas para as Big Techs em termos de reversão nas políticas de restrição a imigração e contratação de talentos estrangeiros, mas abre caminho para avanço em medidas de maior regulação e também de mais tributação.

E vamos nessa que a semana começou animada.

Boa leitura e boa semana.

Gustavo Brigatto
Fundador e Editor-Chefe

 


Enfim, os IPOs!

A Méliuz estreou na B3 na quinta-feira. A companhia levantou R$ 661 milhões, dos quais R$ 367 milhões vão para o seu caixa, e chegou à bolsa, com ações cotadas a R$ 10 e valendo R$ 1,2 bilhão. O papel teve queda de 6,5% no primeiro dia, e fechou praticamente estável na sexta-feira. Hoje já cai quase 3% – num dia de alta de quase 3% no Ibovespa.

Hoje pela manhã, o Enjoei estreou na B3. As ações também operam em queda, em quase 10%.

Tá, mas e daí?
Demorou uns 10 anos para o mercado de venture capital ter seus primeiros IPOs. Então as listagens das duas companhias têm que ser celebradas nesse sentido. Agora vem a parte mais dura, provar que a validação dada pelo mercado não foi só uma derivada da liquidez do mercado, mas que os negócios, e seus gestores, têm condições de tocar as operações para o futuro.

Apesar de atuarem em segmentos distintos, as duas companhias têm como perspectiva comum os investimentos nos conceitos de marketplace e fintech, então devem se trombar em futuros deals e acordos, em breve. As duas empresas também têm um desafio semelhante: expandir sua esfera de atuação do mundo virtual para o varejo físico.


Rodadas de investimento

  • A Time Energy recebeu um aporte de R$ 2 milhões da EDP Ventures. A companhia fundada em 2012 desenvolve tecnologias de monitoramento de consumo de energia elétrica usando inteligência artificial e internet das coisas (IoT). Os recursos serão usados principalmente na expansão comercial.
  • A BossaBox, um marketplace para contratação de profissionais de tecnologia por grandes empresas, recebeu um aporte de R$ 8 milhões em uma rodada liderada pela Astella. A Redpoint eventures, que ano passado colocou R$ 1,6 milhão na companhia, acompanhou. A startup nascida em 2017 tem 11 mil profissionais cadastradas e espera chegar a uma receita de R$ 11 milhões me 2020, três vezes mais que em 2019. Para o ano que vem a expectativa é manter o ritmo, batendo em R$ 35 milhões.
  • A Traive, fintech especializada no setor de agronegócio – ou como tem se chamado, agfintech -, recebeu uma rodada de R$ 14 milhões liderada pela SP Ventures. As americanas Bread & Butter Ventures e a Techstar acompanharam. Os recursos serão usados para ampliar o portfólio de produtos oferecidos pela companhia. Esse é o terceiro aporte realizado pelo fundo de R$ 90 milhões lançado pela SP Ventures em agosto. Antes da Traive, a gestora investiu na Agrofy, marketplace agrícola argentino, e na Leaf, startup de infraestrutura de dados de alimentos e agricultura.
  • A Flapper concluiu sua captação de R$ 2,5 milhões no SMU em apenas sete dias.

Aquisições

  • Depois da iClinic e da Pebmed, a A Afya Educacional fez sua terceira aquisição e arrematou a MedPhone por R$ 6,4 milhões. O aplicativo criado pelo nefrologista Ricardo Maranhão e pelo desenvolvedor Haroldo Goldim em 2010 auxilia médicos no atendimento a pacientes com acesso rápido a informações e tem mais de 58 mil usuários ativos mensais.
  • A Gerdau comprou uma fatia de 33,3% na Brasil ao Cubo por R$ 60 milhões, especializada em construção modular. A companhia fundada em 2016 tem fábrica em Tubarão (SC), 300 funcionários e teve receita de R$ 50 milhões em 2019. O investimento da Gerdau faz parte do plano de diversificação de negócios do grupo. A proposta é que novos negócios gerem receita de R$ 10 bilhões por ano ao final de 2030. A diversificação é tocada pelo Gerdau Next, criada em 2019.
  • De forma bem em passant, Felipe Miranda, da Empiricus, anunciou que a companhia comprou um aplicativo de consolidação de carteiras, “além de outras funcionalidades muito legais”. “Com efeito, este é o melhor app de consolidação de carteiras do Brasil, segundo as avaliações disponíveis na própria App Store. É um motivo de orgulho pra gente”, escreveu ele no site Money Times, que pertence à companhia. Só faltou falar o nome do aplicativo adquirido.  UPDATE: O site seu dinheiro, que também é da Empiricus, deu que o negócio foi fechado com o Real Valor, que é do portfólio da ACE.
  • O banco Modalmais pretende comprar quatro startups nos próximos três meses. O plano é turbinado pelo aporte de recursos feito pelo Credit Suisse, que em junho comprou 25% da operação – com opção de chegar a 35% de participação.

Novos fundos

  • Depois de fazerem alguns investimentos juntos, Fleury e Sabin lançaram um fundo de investimento conjunto: o Kortex Ventures, com R$ 200 milhões – sendo 70% do Fleury e o restante do Sabin. A ideia é realizar entre 15 e 18 investimentos nos próximos 4 anos, olhando muito para a área de saúde, mas com possibilidade de aportes em outros setores também.
  • A EB capital, gestora de private quity de Eduardo Sirotsky Melzer, está levantando R$ 2 bilhões para a EB Fibra, um projeto de consolidação de players regionais do mercado de fibra óptica. O novo veículo já tem R$ 700 milhões captados e demanda para mais R$ 500 milhões. Outros R$ 800 milhões foram levantados por meio de um FIP oferecido pela XP a investidores de varejo.
  • O braço de investimentos da Meta Sistemas, o Meta Ventures, pretende investir R$ 20 milhões nos próximos 4 anos em startups de software como serviço, com modelos de negócios B2B e B2B2C e sinergia com a atuação da companhia. A busca é por empresas em etapas de validação e tração e os aportes são de até R$ 1,5 milhão. Desde o ano passado o veículo já investiu R$ 3 milhões em startups de big data, internet das coisas e marketplace.
  • A Multilaser pingou R$ 10 milhões no WE Ventures, o fundo criado pela Microsoft para investimentos em startups fundadas por mulheres. A companhia irá investir em até 10 empresas cuja área de atuação seja voltada para e-commerce e varejo, a fim de buscar soluções em logística e pontos de venda. Os aportes ficarão entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões por startup em fase de tração, com faturamento mínimo de R$200 mil.

Juntando as escovas

  • A Rocketseat e a Shawee se fundiram para criar o que as companhias chamam de a “maior comunidade de devs da América Latina”. A ideia é, juntas, formar mais de 100 mil desenvolvedores até 2023. É a segunda operação do tipo no mercado de treinamento. Em julho, a Trybe comprou a Codenation. A demanda por profissionais de tecnologia está em alta, ao mesmo tempo em que os orçamentos das empresas para treinamentos e eventos ainda não está, assim, uma Brastemp. O que impulsiona um movimento de consolidação das empresas do segmento.
  • A Orgânico Gourmet, que atua na elaboração de refeições com ingredientes 100% orgânicos e tratamento de alta gastronomia, e a Keep Light, que elabora cardápios direcionados para dietas de restrição calórica, com criatividade e muito sabor se fundiram.

Separação

  • O Itaú decidiu vender parte das ações que tem na XP e dividir o restante em uma nova empresa. A separação é uma forma de realizar ganhos do investimento feito em 2018 e também eliminar o conflito de interesse gerado pela competição entre as empresas no mundo dos investimentos. A ideia é que 5% sejam oferecidos a mercado e os 41,05% restantes sejam alocados em uma nova empresa que será listada em bolsa. O Itaú tinha comprado 49,9% da XP, mas foi diluído para 46% com o IPO da companhia. O plano era assumir o controle do negócio no futuro, mas o Cade bloqueou essa cláusula do contrato, o que acabou criando o conflito entre as partes.
  • A Fama Investimentos decidiu vender sua participação na Linx. A Gestora tinha cerca de 3% da companhia de software. “Acredito que há melhores oportunidades  de alocação de capital hoje no mercado”, disse Fabio Alperowitch, gestor e fundador da casa, à Exame. A gestora foi crítica de primeira hora da oferta de compra da Stone pela Linx. Ao Valor, Alperowitch disse que a saída não significava que a companhia deixaria de lado seu ativismo. O fim da novela da compra da Linx está previsto para acontecer na assembleia de acionistas dia 17.

Money, money, money!

  • As startups brasileiras levantaram um total de US$ 2,49 bilhões no acumulado de janeiro a outubro de 2020. O total representa 84% do que foi investido em 2019 como um todo e supera em 3% o que as companhias receberam nos 10 meses do ano passado – mantendo a tendência de crescimento anual dos investimentos registrada nos últimos anos. Com isso, ao contrário do que se imaginava com a chegada da pandemia em março, 2020 caminha para se tornar o ano de maior movimentação no mercado, superando os US$ 2,95 bilhões de 2019, segundo dados do Inside Venture Capital Brasil, do Distrito, antecipados ao Startups. E a tendência é de crescimento, até porque tem muita gente que ainda não entrou no jogo, como os fundos de pensão.

Sob nova direção

  • Em eleição com chapa única, a Abstartups elegeu a nova diretoria para o biênio de 2021 e 2022. Felipe Matos, que já atuou no programa Start-UP Brasil, do MCTI, e até mais recentemente estava na InLoco, será o novo presidente da associação. Ele já era membro do conselho desde 2014. Ingrid Barth, fundadora da Linker será a vice-presidente. Cristiano Fernandes de Freitas, sócio da Syhus Contabilidade, será o diretor financeiro. José Muritiba, que assumiu o cargo de diretor executivo em fevereiro com a saída de Rafael Ribeiro, segue no posto. A posse da nova diretoria acontecerá em 1º de janeiro. Até lá, a atuação gestão, que tem presidente Amure Pinho, segue à frente da operação. Pinho foi eleito presidente pela primeira vez no fim de 2016 e reeleito em 2018.

Banco do restaurante

  • O iFood deu mais um passo no plano de se posicionar como o banco do restaurante com liberação da conta digital exclusiva para restaurantes cadastrados na plataforma (236 mil). Antes a companhia já tinha lançado um cartão pré-pago voltado aos estabelecimentos.

Sandbox da CVM

  • A CVM abriu processo de admissão para participantes de seu sandbox regulatório. A ideia “é flexibilizar normas para empresas testarem tecnologias e modelos de negócios inovadores por um período de tempo predeterminado de um ano – prorrogável por mais um ano – por meio de autorizações temporárias, a fim de acelerar o desenvolvimento inicial de empresas e fomentar o empreendedorismo no setor de mercado de capitais”, segundo a autarquia. Serão selecionadas 7 empresas, com possibilidade de admissão de ampliação desse número. As propostas devem ser enviadas de 16 de novembro a 15 de janeiro de 2021. O início das atividades está previsto para 3 de maio do ano que vem.

Acelera Boticário

  • Grupo Boticário apresentou seu programa de aceleração de startups, o GB Ventures – que apesar do nome não tem previsão de aportes nas companhias. A ideia é encontrar companhias com produtos já validados, mas que ainda estejam em estágio inicial de desenvolvimento que resolvam dores, tirem fricção dos processos do grupo em três áreas: produtos na área de beleza propriamente dita (beautytech), tecnologia para o varejo e indústria 4.0 (retailtech) e avanços em áreas como inteligência artificial e experiências sensoriais (trendsetter). Durante o período de aceleração (que deve ser de cerca de seis meses, mas podendo ser estendido), as companhias receberão mentorias de executivos e profissionais do Boticário e poderão usar fábricas e laboratórios para testar suas criações.

Desembarque nos EUA (de carona com Jeff Bezos)

  • Depois da rodada US$ 85 milhões e de entrar no mercado de carnes vegetais no Brasil, a chilena NotCo chegou aos Estados Unidos. A startup fechou uma parceria com a rede Whole Foods Market, para vender o NotMilk. O leite feito a partir de plantas estará disponível em 468 lojas da rede nas versões Whole (integral) e 2% (semi). A Whole Foods pertence à Amazon, que pertence a Jeff Bezos, que investe na NotCo por meio de seu fundo Bezos Expeditions. O brasileiro GP também é acionista por meio do fundo The Craftory, sediado na Inglaterra.

Que alívio (por enquanto?)

  • Uber e Lyft respiraram aliviados com a aprovação da Proposition 22, na Califórnia. A proposta, que foi passada em referendo na votação pra presidente na semana passada, reverte os efeitos de uma lei promulgada pelo governador Gary Newson, do partido Democrata, que previa que motoristas deveriam ser classificados como empregados. A Proposition 22 prevê mais direitos, mas sem reconhecimento de vínculo empregatício. A dúvida agora é se com um presidente Democrata esse assunto voltará a assombrar as companhias em uma esfera Federal.

Só para os franceses – também por enquanto?

  • A Netflix começou a testar na França um serviço de TV com programação linear, como um canal convencional, o Netflix Direct – contrariando o que seu fundador, Reed Hastings, sempre disse que não teria interesse em fazer. O serviço vai transmitir programas que já estejam na plataforma da companhia (pelo menos em um primeiro momento).

O maior IPO (que não foi) do mundo

  • A China chamou Jack Ma para conversar e adiou os planos do Alibaba de fazer o maior IPO da história. O cancelamento da operação aconteceu, coincidentemente, depois de o bilionário fazer críticas ao governo chinês em um evento. A avaliação é que a companhia vai demorar pelo menos uns 6 meses para retomar a operação.

 


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  • A Liga Ventures fez um estudo sobre o mercado de travel techs.
  • Na hora de olhar para inovação, o Vale do Silício é a grande referência. Mas tem mais coisa rolando no mundo. E o Brasil é um destes lugares, segundo o Fórum Econômico Mundial – junto com Cingapura, Israel, Coreia e o Quênia.

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