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Depois de vender a sua participação na Yellow, no começo de 2019, Eduardo Musa decidiu entrar em um período sabático. Um descanso bem-vindo depois de praticamente emendar 17 anos de Caloi com quase 2 anos na startup.

No meio do caminho, no entanto, ele pegou Covid. Com um dos pulmões comprometidos, Musa passou um sufoco e teve um elã. “Tenho 50 e poucos anos. Tenho muita coisa para fazer”, conta. Mas no que investir?

Como muita gente perguntava a ele onde, ou que modelo de patinete deveria comprar, e o fato de os problemas enfrentados pelos serviços de compartilhamento terem deixado muita gente órfã, a resposta estava dada. Era hora de voltar ao mundo da mobilidade.

Lá foi ele então acionar seus contatos na China para fornecer os aparelhos, criar a marca e trazer gente para tocar a iniciativa. O publicitário James Scavone e João Ludgero, que trabalhou com Musa na Caloi, na Yellow e passou 1 ano na Grow (resultado da união da Grin e da Yellow e que se encontra em recuperação judicial) entraram como sócios.

Os sócios James Scavone (à esq.), João Ludgero e Eduardo Musa

A marca

O nome Davinci é uma referência ao italiano Leonardo da Vinci, que além de artista, também era urbanista e se preocupava com a questão da mobilidade – ele inclusive projetou um modelo de bicicleta.

O “sobrenome” da empresa é Mobilidade, não patinetes. E isso não é à toa. A ideia é não ficar restrito aos aparelhos de duas rodas. Musa prefere não dar spoiler do que está por vir, mas diz que pretende ter mais opções de dispositivos elétricos que fiquem fora das exigências legais de emplacamento do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN). É citycoco, você perdeu essa! “O conceito de cidade de 15 minutos [em que tudo pode ser feito neste espaço de tempo] tem ganhado força, o que abre novas oportunidades”, diz.

Mas falando dos patinetes

A pré-venda começou a ser feita na sexta-feira (24). O início oficial está previsto para o fim da semana. A princípio, estão disponíveis dois modelos: O DV1, com potência de 250 watts e autonomia de 20 quilômetros, que custa R$ 5.499,00 e o DV2, de 350W e 30 quilômetros de autonomia, que sai por R$ 6.499,00. Os valores podem ser parcelados em 10 vezes e incluem seguro 1 ano de garantia para os patinetes. A entrega é estimada em até 30 dias úteis.

Uma busca no Google traz modelos muito mais baratos, como o M365, da Xiaomi, que é a principal referência da categoria no mundo hoje. Musa destaca como diferencial da Davinci o fato dela estar focada apenas na área de mobilidade, e sua preocupação com atendimento e em estar próxima do consumidor.

No fim do mês, a companhia vai inaugurar uma oficina e showroom em São Paulo. A ideia é ter estruturas desse tipo em todas as cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes.

Fábrica e investimento

Os aparelhos são montados em uma fábrica em Manaus. O incentivo fiscal para fabricação foi concedido no fim de 2020. A unidade nasceu com capacidade para produzir 20 mil patinetes por ano. Mas a ambição é chegar a 100 mil em 2025.

Funcionários na fábrica em Manaus, inaugurada dia 14 de setembro

O investimento inicial previsto pelos sócios para a Davinci é R$ 50 milhões em 3 anos. Para a estruturação e lançamento, foram aplicados R$ 10 milhões. Para o ano que vem é possível que seja aberta uma rodada de investimento. “Mas ainda estou avaliando essa opção”, diz. Se for para captar, uma coisa é certa: ele não pretende trazer dinheiro de gestoras que trabalham com venture capital. “O perfil que a gente precisa é outro”, diz.

A ideia de começar a operar no modelo de venda veio do momento de pandemia, em que as pessoas estão priorizando a compra de equipamentos ao compartilhamento. Musa não descarta, no entanto, a criação de um serviço de aluguel mais para a frente.

Ele também coloca na conta a internacionalização das operações começando a vender nos EUA em um prazo de tempo não muito longo. “A Xiaomi é o principal nome hoje, mas tem uma infinidade de produtos e o patinete é só mais um. Tem espaço para uma marca dedicada”, diz Musa.

A empresa de pesquisa Gran View Research estima que o mercado global de patinetes vai movimentar US$ 34,7 bilhões em 2028, um crescimento composto anual na casa dos 7,6%.

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