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Um ano após sua entrada no Brasil, a Casai tem motivos para comemorar. Impulsionada por tendências como o trabalho remoto de qualquer lugar e a mistura do lazer com o trabalho, a proptech se prepara para expandir a presença no que se tornou seu mercado mais representativo na América Latina.

Mesmo com os desafios impostos ao setor de hospitalidade durante a pandemia, a plataforma de hospedagem de curta temporada afirma ter conseguido quadruplicar sua receita no Brasil em 2021. Sem abrir cifras, a startup diz que teve um crescimento de receita local de 85% no primeiro trimestre de 2022, em comparação com os três últimos meses do ano passado.

Com 700 apartamentos sob gestão em bairros de alto padrão em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, a empresa diz ter uma taxa de ocupação em torno de 90%. Fundada por Nico Barawid e Maricarmen Salazar no México em 2019, a empresa passou a ter no Brasil sua operação principal, tanto em termos de receita quanto capilaridade. Em 2022, a Casai quer chegar em 2500 unidades entre seu país natal e o Brasil, onde deve entrar em mais uma cidade.

“Nossa proposta de valor encontrou um product-market fit instantâneo no Brasil”, diz o diretor geral da Casai no Brasil, Luiz Mazetto, em entrevista exclusiva ao Startups. “Tínhamos como hipótese o tamanho de mercado e atratividade do mercado, que se mostrou verdadeira. Nossa taxa de ocupação é reflexo de uma falta de oferta com qualidade e principalmente, de uma demanda aquecida.”

O ano da empresa foi agitado também em termos de aquisições, com a compra da Loopkey, de sistemas de controle de acesso, e da Roomin, startup que opera, projeta, aluga e gerencia imóveis em Santa Catarina. A startup continua a analisar possíveis futuras aquisições. “Empresas de tecnologia, que tenham um elemento ou sinergia forte com a nossa experiência e operação, são oportunidades que constantemente olhamos no mercado”, aponta Luiz.

A empresa já levantou mais de US$ 53 milhões desde sua fundação, de investidores como Monashees, Kaszek e Andreessen Horowitz – que também investe na Loft e cujo sócio Ben Horowitz é investido da Kaszek. Ou seja, está tudo – literalmente – em casa.

À época de seu lançamento por aqui, a empresa tinha separado R$ 100 milhões para investir no Brasil. Segundo Luiz, esse comprometimento foi inicial e a necessidade de recursos adicionais para o mercado brasileiro está sendo revista pela empresa junto a seus investidores, à medida em que os planos de expansão avançam.

Mimos e tecnologia: como a Casai conquista os clientes

A proposta de valor da empresa é uma intersecção entre a experiência de hospedagem do Airbnb (a startup inclusive usa a plataforma como canal de distribuição, além de seu próprio site e app) e o que o cliente encontraria em um hotel. Os imóveis são equipados com cozinha e Wi-Fi de alta velocidade, dispositivos smart e fechadura digital, além de garantir mimos de marcas como Granado. O hóspede também encontra no apartamento aperitivos e drinks cortesia, como as cervejas artesanais da Colorado.

A experiência apoiada por tecnologia é a cereja do bolo: um serviço de concierge via WhatsApp automatiza o processo de check-in e está disponível para facilitar todos os aspectos da estadia. Nos bastidores, a startup também faz uso intensivo de sistemas que orquestram a logística, locação e gestão dos apartamentos, incluindo aspectos como limpeza, para garantir o bom andamento da operação.

Segundo a Casai, mais de 30% dos hóspedes reservou estadias mais de uma vez, uma taxa que a startup considera alta. “Quando se compara essa recorrência – a possibilidade de um usuário retornar para uma cidade em que a Casai está presente e voltar a se hospedar conosco – com benchmarks da indústria de SaaS (software as a service) ou mesmo com o setor de hospitalidade, é um número bem impressionante”, pontua.

Algumas mudanças nos casos de uso foram observadas pela proptech ao longo do último ano. Luiz comenta que antes da pandemia, a ideia era focar em estadias mais curtas. Após a Covid-19, a proptech passou a notar a emergência de um perfil de cliente interessado em trabalhar remotamente de localidades diferentes por mais tempo. Ao mesmo tempo aumentou a procura pela experiência de trabalhar em cidades com potencial turístico, seguindo a tendência chamada de “bleisure”.

“Quando estas tendências são aceleradas, novos perfis de usuário são criados, como os nômades digitais, que o produto da Casai serve muito bem, tanto para estadias mais curtas quanto as mais longas”, aponta Luiz.

Proposta de valor para os proprietários

A Casai não carrega ativos imobiliários em seu balanço: os apartamentos são de incorporadoras e fundos de investimento, com os quais a startup fecha acordos operacionais de sublocação. Para orientar a decisão sobre quais cidades entrar, são considerados fatores o desequilíbrio entre demanda e oferta de acomodações que atendam o perfil de cliente que busca o tipo de experiência que a startup oferta.

Além dos atrativos para hóspedes, a startup oferece vantagens para quem disponibiliza os apartamentos para serem alugados através da plataforma. Sem abrir a taxa cobrada dos proprietários, Luiz pontua que a proptech consegue entregar uma rentabilidade 70% superior ao que é praticado no mercado tradicional de aluguel. Outro elemento da proposta de valor é a transformação do ativo em si, já que a empresa promete repaginar os imóveis com seu próprio time de designers e projetos mais rápido e a um custo inferior do que os preços de varejo.

Com base na atratividade do modelo, a startup lançou no Brasil um Fundo de Investimento Imobiliário no fim de 2021 na B3, em conjunto com a XP Investimentos e a Navi Capital. O foco é alugueis de curto prazo, para rentabilizar os imóveis administrados pela proptech. Segundo as empresas, o fundo está rendendo 14% ao ano.

Apesar do oceano em que a Casai nada estar cada vez mais vermelho, com uma concorrência que inclui nomes como a Housi, Yuca e Tabas, que também oferecem locação “all-inclusive”, a empresa mexicana continua confiante. “Temos um diferencial muito grande, que inclui principalmente essa resiliência e poder de adaptação que criamos durante o período tão complicado da pandemia. Os resultados que a gente acabou entregando demonstram isso”, pontua Luiz.

Também conta ponto o foco no digital como forma de garantir a satisfação – e o retorno – dos clientes. “Por mais que o componente físico do produto seja muito forte, a tecnologia é peça fundamental para conseguirmos manter um nível de experiência elevado, e crescer de forma escalável e sustentável”, finaliza.

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