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Já não dá mais para chamar o mercado de alimentos plant-based de algo novo no Brasil. Contudo, ele ainda é visto como um de grande potencial para atingir um número maior de consumidores nos próximos anos. Pensando neste horizonte, a Uptaste está entrando neste cenário, focando primeiro no segmento B2B para dar seus primeiros passos.

A foodtech está entrando no mercado com uma linha de produtos própria, como burgers, empanados, almôndegas e outros produtos voltados a clientes B2B, divididos em duas frentes. Na Uptaste Produtos, a marca conta com uma grande variedade de produtos prontos, combinados com aromas, condimentos e realçadores de sabor.  No modo personalizado, Uptaste Solutions, é possível criar portfólio de soluções, permitindo o nível de customização que cada empresa precisa para entrar no mercado de produtos à base de plantas.

A marca é resultado de um investimento de R$ milhões da Adeste, empresa tradicional mas um tanto low profile no mercado B2B de alimentos, mas que agora quer buscar seu espaço no mais badalado espaço do plant-based, em que marcas como Fazenda Futuro atacaram o varejo e se tornaram mais conhecidas junto ao público.

“Vemos um grande potencial de captura do mercado plant based para os próximos anos. Tem um movimento ainda não muito claro, que são os dos consumidores que ainda estão testando e não se tornaram consumidores fiéis”, avalia Cristina Amorim, diretora de inovação na Adeste.

Segundo o líder da Uptaste, Augusto Ichisato, o foco da foodtech é ocupar o mercado B2B para preencher aos poucos uma lacuna que a maioria das empresas nacionais de plant-based (ou as grandes de proteína animal que lançaram linhas de produtos deste tipo) ainda não acertaram totalmente: a de tornar a proteína de plantas algo além do nicho.

A meta é se tornar o produto uma opção fixa para os chamados flexitarianos – que consomem carne tradicional, mas estão abertos a experimentar outras opções de proteína. “Estamos trazendo a inovação e tecnologia para o desenvolvimento de produtos sem abrir mão do sabor, textura e suculência”, afirma Ichisato.

A curto prazo, o plano da foodtech é firmar parcerias com redes de lanchonetes que desejam incluir opções plant-based em seus cardápios, em um formato de co-branding para aumentar a exposição de marca. Com uma operação ainda pequena – cerca de 4 pessoas – a empresa vai concentrar seus primeiros esforços em São Paulo, mas tem o plano de expandir sua atuação de acordo com a demanda.

Quando perguntado sobre as metas da Uptaste, Ichisato preferiu se manter conservador e não abrir números. “Antes de tudo, nosso plano é entregar um produto bom para o mercado, e o grande desafio deste mercado é ganhar market share. O objetivo é ser inclusivo, com mais pessoas consumindo este produto, tendo a possibilidade de escolha”, afirmou.

Augusto Ichisato, head da Uptaste

Contextualizando

Mas antes de continuar, um pouco de contexto. Apesar de ser uma startup, ela parte de uma base construída há décadas. Ela é o braço plant-based da Adeste, empresa paulista com mais de 70 anos de história e cerca de 1400 colaboradores, mas que fez seu nome atuando com subprodutos de origem animal e prestando serviços de engenharia alimentícia para grandes marcas do mercado de carnes processadas.

“Nos tornamos especialistas em trazer soluções para a esta indústria, utilizando nossa expertise em engenharia de alimentos para criar sabores, texturas e estabilidade nutricional para produtos como embutidos, por exemplo”, explicou Cristina. Para a executiva, a experiência da Adeste em engenharia de alimentos voltada ao mercado de carnes é uma base que diferencia a Uptaste na criação de produtos plant-based diferenciados.

O plano rumo ao plant-based começou a se desenvolver a partir de trabalhos que a empresa fez para produtos para outras marcas, ajudando em aspectos como saborização ou melhoria de textura. Contudo, de acordo com a diretora técnica da Adeste e consultora na Uptaste, Matilde Marques, a nova marca deu a liberdade para construir um produto desde o começo, a partir da matéria-prima.

“No plant-based, a base de proteína ou os percentuais de gordura utilizados fazem uma grande diferença. Para chegar no (produto final da) Uptaste, chegamos a testar mais de 90 tipos de proteína, algo que não chegamos a fazer em projetos de outras marcas”, explica Matilde.

Por ser uma startup com equipe reduzida, a Uptaste utiliza dos serviços de P&D da Adeste para a criação de seus produtos. Além disso, a produção dos alimentos é feita fora das fábricas da marca-mãe, em plantas dedicadas a produtos plant-based.

O cenário

Apesar de estar em crescimento, não dá pra dizer que o mercado plant-based vive um boom no Brasil, apesar do que muitos imaginam. Com um crescimento de 7% ao ano, segundo informações do The Good Food Instituto Brasil (GFI), a expectativa é que o mercado ganhe mais tração nos próximos anos, com uma expansão média de 12% até 2027. Ainda assim, é um percentual pequeno comparado ao – aí sim – boom que estas proteínas tiveram nos EUA: de 2019 para 2020 foi um crescimento de 27%, bem cima do varejo do setor de alimentos em geral (15%).

Globalmente, os números são ainda mais promissores. Puxado por nomes badalados como Impossible e Beyond Meat, o mercado mundial de substitutos vegetais pode chegar à cifra de 370 bilhões de dólares, o que representaria 23% de todo o segmento de carnes no planeta, segundo estimativa da consultoria A.T. Kearney.

Mesmo com o mercado brasileiro ainda devagar em relação ao resto do mundo, as foodtechs plant-based daqui estão valorizadas. O maior exemplo é o da Fazenda Futuro, unicórnio avaliado em US$ 2 bilhões e que já ensaia sua internacionalização para aproveitar o crescimento do segmento fora do Brasil. Para isso, ela levantou R$ 300 milhões em novembro do ano passado junto ao BTG e pela Rage Capital, um fundo europeu que investiu tanto nas gigantes Airbnb e Epic Games quanto em foodtechs como a Clara Foods.

Além disso, os players grandões também estão se mexendo por aqui. Dá pra ver isso desde as linhas dedicadas de marcas tradicionalmente de produtos animais como Seara e Perdigão, até iniciativas de outros pesos-pesados como a Kraft, que se tornou sócia da chilena NotCo para atacar o mercado latino-americano.

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