fbpx
Compartilhe

A GrainChain, plataforma norte-americana de rastreamento de commodities que usa contratos baseados em blockchain para gerar liquidez para pequenos agricultores, anunciou sua chegada no Brasil. A startup desembarca por aqui representada pela agfintech MasterBarter, cujo foco é popularizar o acesso ao modelo barter, que consiste na troca de insumos pela produção agrícola.

Anunciada com exclusividade para o Startups, a chegada da empresa e a parceria local tem o objetivo de permitir que agricultores criem acordos digitais mais facilmente. Fundada em 2018, a GrainChain propõe melhorar a rastreabilidade, eficiência e confiabilidade dos dados de commodities ao longo da cadeia de suprimentos. A empresa também ajudou a desenvolver o BarterCard, conta digital baseada em blockchain focada no pequeno produtor rural que também foi lançada no Brasil.

Através da tecnologia da GrainChain, produtores conseguem entender aspectos como a relação empréstimo/valor da produção, através de cálculos feitos com a coleta de dados no sistema, que também levam em conta as informações dos mercados de commodities em tempo real. A empresa possibilita que agricultores saibam quanto vale o volume projetado de produção no curto prazo e que eles comprometam sua produção para obter empréstimos. Além de nomes como BASF e outras empresas baseadas no Brasil do portfolio de clientes da MasterBarter, a startup norte-americana tem clientes nos Estados Unidos, México e Honduras, e diz ter mais de 18 mil usuários.

Segundo Walter Dissinger, CEO da MasterBarter, a parceria com a GrainChain deve permitir a criação de “inovações inéditas” no Brasil. “Nossa aliança traz o acesso a uma variedade de produtos inovadores em todas as etapas do processo de uma forma nunca vista no agronegócio brasileiro. Estes produtos geram transparência e agilidade beneficiando as empresas do agronegócio, criando valor para todos os participantes da cadeia”, diz o executivo, em nota.

Em entrevista ao Startups, o co-fundador e CEO da GrainChain, Luis Macias, falou sobre o atual foco da empresa no Brasil, que é fazer com que produtores entendam o potencial de usar tecnologia que permite a capacidade de criar financiamentos enriquecidos com dados. “A maioria dos [produtores] agrícolas não se importam ou entendem o que é blockchain. Mas o que eles entendem é o conceito de como é possível acessar recursos de uma maneira mais barata, mais fácil, que dê a liquidez de que precisam e que o parceiro bancário tenha a segurança de saber como isso está funcionando”, ressalta.

Segundo Luis o sucesso da startup está fortemente relacionado a tornar o processo de barter fácil e amigável. “Permitir que um produtor aperte cinco botões em um aplicativo e logo ver o dinheiro cair na conta faz uma grande diferença. Podemos fazer isso sem o tipo de tecnologia que estamos fazendo? Não tão eficientemente, nem de uma forma tão automatizada”, aponta o CEO, acrescentando que a simplicidade de processos habilitada pela tecnologia é um fator crítico para a adoção entre o público alvo da startup. “Se complicarmos demais o cenário, fica muito mais difícil fazer com que agricultores apreciem a ferramenta.”

A atração do Brasil

O Brasil é um dos mercados mais promissores do mundo para a digitalização de processos agrícolas, diz Luis, e era uma prioridade para a GrainChain desde a sua fundação. Atualmente, o país responde por menos de 5% da receita da startup e a expectativa é que essa proporção cresça para pelo menos 50% nos próximos dois a três anos.

Os planos de internacionalização da startup ganharam força quando a companhia levantou US$ 8.2 milhões em uma Série A em 2020. “Mesmo em relação aos Estados Unidos, acredito que o Brasil está mais disposto a trazer soluções digitais para todo o processo do que qualquer outro país que já estive, a escala permite isso. A fluidez na implementação de tecnologia em agro no Brasil é incrível”, avalia Luis.

Luis Macias, co-fundador e CEO da GrainChain

“Com a flutuação dos mercados e dada a maneira como o mundo está caminhando agora, [produtores] estão procurando soluções reais para ficar por dentro das mudanças. O jogo das commodities é muito complexo quando sai do país e considerando as flutuações de preço, ter aplicativos que fazem muitos desses cálculos realmente facilita a vida”, acrescenta o CEO.

Sobre a parceria com a MasterBarter, que surgiu de uma ponte feita pela MasterCard, de quem ambas as empresas são parcerias, a união se tornou muito eficaz para acelerar a entrada da startup norte-americana no Brasil. “Sou um grande fã de não reinventar a roda. Ao fazer a parceria com a MasterBarter, conseguimos refinar e aperfeiçoar o que fazemos em outros países aqui no Brasil. Além disso, nosso maior custo de entrada em qualquer novo mercado é entender as práticas locais, regulamentação da integração financeira e relacionamentos de forma geral”, pontua.

“Outro ponto é que no agro, quando você quer conhecer os bons jogadores, você precisa fazer parte do jogo. Adotamos essa atitude e em cada país que entramos encontramos um parceiro incrível, que não só quer fazer as coisas junto, mas entende que tem muita dedicação e planejamento para entrar no mercado. E nós somos grandes fãs de medir quatro vezes e cortar uma só”, aponta. Os próximos mercados latinos que a GrainChain deve entrar serão a Argentina, Peru e Colômbia.

Apoio à segurança alimentar

Ao comentar sobre os desafios de entrar em novos mercados neste momento, Luis diz que a atual instabilidade não torna as coisas mais fáceis, e há muito trabalho em educação a fazer. “Entrar em novas tecnologias e fazer as coisas de uma maneira nova, e quando o mercado está tão incerto quanto hoje, é um pouco desafiador”, diz o empreendedor, acrescentando que o principal argumento nas conversas sobre digitalização no segmento em que a startup opera é o apoio a segurança alimentar.

“Com o forte aumento da inflação e turbulência em todo o mundo, há uma grande preocupação em como vamos manter essa cadeia de suprimentos funcionando de maneira eficaz. Estamos focando em como fazer isso agora, para estarmos preparados quando as coisas ficarem muito mais complicadas daqui a um ano”, diz o CEO.

“Quando fornecemos aos agricultores um bom financiamento de baixo custo e de forma eficaz através de tecnologia, há segurança alimentar nisso. Em um cenário em que o preço dos insumos disparam e as variáveis ​​mudam, o mundo precisa entender que, se não continuarmos financiando nossos agricultores, paramos de comer. Acredito que ferramentas como a nossa permitem uma transição fluida em mercados muito voláteis”, finaliza.

OPINIÃO

Veja todas as opiniões