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Depois de um movimento agressivo de aquisições no ano passado, a Locaweb quer fortalecer seus relacionamento com startups através de investimentos minoritários. A estratégia é apoiada pelo fundo de corporate venture capital da companhia, que prevê aportar R$ 100 milhões em empresas inovadoras – e o primeiro investimento deve acontecer ainda em 2022.

Segundo Fernando Cirne, diretor-executivo da Locaweb, a companhia está em conversas “bastante avançadas” com quatro empresas, caminhando para fazer investimento nos próximos meses. Quando o fundo foi anunciado em dezembro, o posicionamento era de que os recursos seriam direcionados a startups e companhias dentro das áreas de atuação da Locaweb, principalmente no segmento de e-commerce. No entanto, Fernando explica que a tese do fundo é um pouco mais abrangente do que isso.

“A gente está saindo fora da caixa. No CVC podemos nos dar o luxo de investir em empresas de segmentos não tão óbvios para a Locaweb. Áreas não necessariamente têm uma grande sinergia com os negócios”, diz o executivo, em entrevista ao Startups. Ele e o diretor de finanças da Locaweb, Rafael Chamas, citam como exemplo o metaverso, um mercado em ascensão cujas startups ainda caminham para se consolidar no ecossistema.

Na abordagem M&A o foco da companhia é empresas com cerca de R$ 10 milhões e R$ 15 milhões de faturamento. Já no CVC, a Locaweb pode olhar para startups menores. “No M&A encontramos muitas empresas interessantes, mas que não faziam sentido comprarmos em sua totalidade. Seja porque eram muito pequenas ou porque não tinham uma sinergia grande com a Locaweb”, diz Fernando.

O fundo CVC é, portanto, uma forma da companhia não perder oportunidades que não se encaixariam no M&A. “Quando compramos uma empresa, a gente costuma olhar para alguns fatores como sinergia, time, recorrência e cross-selling. Às vezes uma empresa não passa em todos esses critérios, mas tem uma solução interessante e vale a pena investirmos como minotirário”, aponta o executivo.

Fernando Cirne, CEO da Locaweb
Fernando Cirne, CEO da Locaweb (Foto: Germano Lüders/Divulgação)

O corporate venture na Locaweb

“O CVC para mim é sinônimo de inovação. Ele se complementa com o M&A e o desenvolvimento interno. Ainda existe dinheiro no mercado e gente querendo investir”, diz Fernando. Embora o corporate venture ainda tenha uma representação pequena no país, o executivo acredita que a modalidade chegue a 20% das negociações no ecossistema. “O CVC pode ser muito mais interessante para o empreendedor do que o venture capital, porque a startup é inserida em uma grande corporação com recursos para a alavancar.”

Questionado sobre como foi a preparação antes de lançar o fundo, Fernando diz que “não foi difícil”. “Como a gente já tinha um movimento de M&A muito bem estruturado envolvendo conselheiros e executivos C-Level, [o CVC] foi praticamente um subconjunto desse processo. Não foi uma novidade em termos de mapear o mercado, ajuda jurídica, entre outros. Está sendo muito tranquilo navegar neste mercado”, pontua.

Ainda assim, quase 7 meses depois do lançamento o fundo ainda não tem a sua primeira investida. O executivo afirma que, dado o momento atual do mercado, a Locaweb chegou a encontrar empresas interessantes, mas muitas vezes negou avançar nas negociações devido ao valuation exagerado.

“Muitas empresas ainda não entenderam que [o mercado] não funciona mais dessa forma e busca startups que cresçam e sejam rentáveis. A gente tem que trabalhar com o cenário atual de altas taxa de juros, que fazem com que se perca um pouco o potencial de monetização das empresas. O mercado ainda não absorveu isso ou se adequou à nova realidade. Negamos muito investimento por causa da expectativa exagerada do empreendedor.”

O que falta para essas empresas entenderem o cenário atual? “Falta faltar dinheiro”, dispara Fernando. “É a única resposta simples. O dia que acabar o dinheiro, eles vão entender.” O executivo ressalta que a Locaweb chegou a encontrar boas empresas a “um preço mais adequado à realidade”. As 4 startups em negociação se encaixam nessa categoria e as negociações estão “caminhando para concretizar o investimento”.

O trabalho com as investidas deve variar. Se forem empresas sem muita sinergia com o negócio da Locaweb, o apoio será o dinheiro puro. Em outros casos, o smart money pode vir com integrações, cross-sell ou uma cadeira no conselho. Para empresas altamente sinérgicas, Fernando destaca a possibilidade de fazer o follow-on e aumentar a participação no futuro.

Questionado sobre quais são os desafios do braço de corporate venture da Locaweb nos próximos meses, Fernando é direto: “acho que a gente não tem desafio”. Ele explica que a companhia está vivendo um “momento privilegiado”. “Diferente dos concorrentes e do mercado de forma geral, a Locaweb não demitiu ninguém, está performando bem, crescendo de forma rentável e com dinheiro no caixa. Quem tem desafio é quem queima dinheiro, não está performando e não entendeu que o valuation não é mais aqueles múltiplos absurdos – esses terão que se reinventar”, argumenta.

Sem abrir números específicos, Fernando diz que a Locaweb está crescendo “dois dígitos fortes” e pretende seguir crescendo com rentabilidade. Diante do cenário macroeconômico, a companhia reduziu o ritmo dos M&As, mas diz que não está parada nesse sentido. “Continuamos mapeando o mercado e as negociações seguem acontecendo”. A Locaweb fez mais de 13 aquisições desde o seu IPO em 2020, entre elas a Squid, Bagy, Octadesk e Bling.

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