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Com investimento de R$ 50 mi, Creditas entra no mercado de compra e venda de carros usados

Fintech anuncia plataforma digital e pontos físicos de compra, venda e financiamento de automóveis com taxas a partir de 1,15% ao mês

Por Fabiana Rolfini, em 12 de maio de 2021

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A Creditas está colocando no ar hoje sua operação própria de compra e venda de carros, a Creditas Auto. É o 2º marketplace criado pela fintech de crédito com garantia. Em agosto/20 ela já tinha colocado no ar um site para compra, venda e reforma de imóveis. O movimento faz parte da estratégia de construção de um ecossistema de produtos ao redor das áreas em que o unicórnio atua: imóveis, carros e salários.

Nos carros usados, a Creditas vai atuar no modelo de compra, revisão/inspeção e revenda – com opção de pagamento por meio da recompra do carro do cliente e também com linhas de financiamento oferecidas por ela (que tem taxas a partir de 1,15%).

Soa familiar? Pois é sim. O modelo parece muito com o proposto pelo unicórnio mexicano Kavak, que chegou ao Brasil recentemente – diz aí: você já viu um anúncio deles no Instagram, né? – e também da brasileira Volanty. Quer mais uma “coincidência”? Creditas, Kavak e Volanty são empresas investidas da SoftBank. Isso quer dizer que o fundo tende a se dar bem com essa história de comprar e vender carros usados na América Latina em algum momento. Resta saber agora qual dos filhos se dará melhor nessa disputa.

Detalhes da operação

Segundo Fábio Zveibil, vice-presidente de soluções para clientes da Creditas, a operação de seminovos começou a ser pensada há 2 anos e no último ano a empresa estruturou essa oferta. Até agora, foram investidos R$ 50 milhões. Os recursos foram destinados à compra de 800 carros, e na criação de uma rede de 5 lojas onde os modelos ficarão expostos na cidade de São Paulo (nos shoppings Santa Cruz e Anália Franco, nos supermercados BIG Washington Luiz e BIG Pacaembu e um ponto na região da Berrini) e de um centro automotivo em Barueri (SP). O imóvel de 30 mil m² tem capacidade para 3 mil veículos e vai funcionar como um showroom, mas terá a função de ser a “fábrica” onde a Creditas prepara os carros para revenda – com áreas de mecânica, funilaria, pintura e estética automotiva e um estúdio fotográfico.

Dos carros que a Creditas comprou até agora, 500 estão anunciados e os 300 restantes estão em fase de preparação para serem colocados a venda. Os modelos oferecidos têm idade de até 10 anos – ou um pouco mais, dependendo do estado de conservação – e preços que variam entre R$ 20 mil e R$ 180 mil. A garantia é de um ano. O processo de compra pode ser feito totalmente on-line, com entrega do veículo em casa, ou presencialmente. Quem compra tem até 7 dias, ou 300 km para devolver o carro se não gostar.

“Os clientes sentiam falta dessa opção, do avanço para a transação. Só o produto financeiro não é suficiente. As pessoas vão trocar de carro a cada 1 a 3 anos. Queríamos participar disso”, disse Zveibil durante um evento on-line com jornalistas, transmitido a partir da unidade de Barueri ontem. Ele não revelou quanto a Creditas ainda pretende investir na operação, mas disse que a ideia é chegar a 2 mil veículos comprados até o fim do ano e a uma rede de lojas em várias regiões do país.

A estrutura poderá ser montada a partir de parcerias, a princípio, mas no médio prazo, o objetivo é ter uma operação totalmente verticalizada. “Vai ser um negócio muito grande, com certeza. O mercado é muito grande e a oportunidade também”, disse. Zveibil destacou que a Creditas está com o caixa cheio da rodada de US$ 225 milhões, recebida em janeiro – na qual virou unicórnio, aliás – e que vai investir pesado na divulgação de seu novo produto, com ações em redes sociais, influenciadores e o patrocínio ao piloto Gaetano Di Mauro, da Stock Car. “É um negócio que você precisa de reconhecimento de marca”, reforçou.

Sobre a competição com Kavak e Volanty e apostas da SoftBank em vários cavalos, Zveibil disse que se ela está fazendo isso é porque o mercado é grande e que a Creditas tem como diferencial o conhecimento que tem dos clientes por conta de seus outros produtos de crédito. “Com isso eu posso preparar o carro que a pessoa vai querer no futuro, porque ela vai trocar de carro em algum momento”, disse.

Mercado e atuação no B2B

O mercado de seminovos no Brasil gira de 8 a 10 milhões de unidades por mês e é muito pulverizado em pequenas concessionárias espalhadas pelo país. Mais recentemente, Localiza, Unidas e Movida, as 3 gigantes de locação de veículos, se tornaram nomes importantes no segmento pela necessidade de renovação de sua frota a cada 12 a 18 meses. A demanda pelos usados ainda cresceu durante a pandemia pela redução no ritmo da produção de carros novos pelas montadoras.

Para garantir um fluxo de veículos – e uma política de boa vizinhança com o mercado? -, o negócio da Creditas terá também um componente B2B. Isso significa que ela pretende comprar e vender carros não só de consumidores, mas também de locadoras e concessionárias. Neste sentido, ela criou o Creditas Auto Pro, uma plataforma de relacionamento com lojistas com condições especiais, que incluem o desenvolvimento de uma loja de carros on-line exclusiva para ajudar a alavancar suas vendas, acesso com prioridade ao seu inventário e programas de incentivo com premiações. Além disso, os clientes da Creditas Auto terão acesso ao portfólio de carros dos lojistas parceiros.

Investir para ter retorno (em algum momento)

A Creditas registrou uma receita 50% maior no 1º trimestre, chegando a R$ 124,2 milhões puxada pela reaceleração na demanda iniciada no 3º trimestre do ano passado e também pela ampliação do portfólio de crédito oferecido por ela. No período de janeiro a março, a fintech ampliou em 73% sua carteira de crédito, chegando a R$ 1,55 bilhão. A originação de novos créditos chegou a R$ 420,7 milhões, um avanço de 57% na comparação com os R$ 268,4 milhões do mesmo período do ano passado.

Ao mesmo tempo em que avançou em volume de recursos, a fintech ampliou os esforços para lançar produtos e ganhar clientes e, por isso, registrou um aumento de 25% no prejuízo líquido, que ficou em R$ 64,6 milhões. A margem de contribuição (descontando custos de financiamento, custos de serviço, provisões de crédito e impostos) ficou em 53,1% entre janeiro e março, 8 pontos percentuais abaixo do registrado um anos antes.

Para Zveibil, isso faz parte do processo de crescimento. “É um negócio que temos certeza que dará retorno com o ganho de escala”, disse.

 

Jornalista com 10 anos de experiência no mercado de TI corporativa dedicados à apuração e produção de reportagens sobre tecnologia, negócios, finanças e carreira, incluindo a cobertura de eventos internacionais. Tem passagens por veículos e empresas de mídia de destaque do segmento, como TI Inside e IT Mídia.