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A hora de vender um carro usado é agora. É sério. A procura por modelos de 2ª mão está superaquecido com a falta de carros novos e a disputa para comprar o seu possante ainda mais.

A Creditas lançou a Creditas Auto e comprou a Volanty. A Kavak quer investir R$ 2,5 bilhões no Brasil. E agora, a InstaCarro, umas das primeiras startups a apostar nesse segmento (usedcarstech?) levantou uma rodada de R$ 115 milhões para não ficar de fora da brincadeira.

A rodada de série B foi liderada pelos fundos J Ventures, FJ Labs e Rise Capital, dos EUA, que já eram investidores da companhia, e contou com a participação dos espanhóis All Iron Ventures e Big Sur. A rodada anterior da InstaCarro tinha sido em 2018. Com os US$ 23 milhões atuais, ela soma US$ 56,5 milhões captados, segundo dados do Crunchbase.

Um dos focos do reforço de caixa será o início da operação de compra direta de carros pela InstaCarro.

Desde sua fundação, em 2015, a companhia opera em um modelo B2B, com concessionárias participando de leilões virtuais feitos por ela dos carros que ela avalia. “Isso permite ter uma proposta de valor mais completa, resolver todos os problemas do consumidor. Metade das pessoas que vendem um carro com a gente é porque querem comprar um carro novo”, diz Luca Cafici, fundador da InstaCarro. Segundo ele uma das possibilidades que o novo formato traz é a oferta de serviços financeiros, como financiamento dos veículos comprados. “Como negócio, a compra direta torna a operação mais atrativa”, completa.

Segundo Luca, a InstaCarro vai participar como mais um comprador nos leilões, junto com as 4 mil concessionárias que ela já tem cadastrados e não vai haver disputa ou conflito de interesses.

Também está nos planos de investimento ampliação do atendimento na cidade de  São Paulo, seu principal mercado, e a entrada em cidades como  Campinas, Curitiba, Joinville, Santos, Brasília, Goiânia, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A equipe que hoje conta com 120 pessoas deve dobrar até o fim do ano.

Ajustes na operação

Mesmo antes da pandemia, a InstaCarro já tinha feito um ajuste pesado em sua operação. Em 2018, a companhia enxugou cerca de metade de seu quadro. Segundo Luca, essa fase difícil já passou.

Antes da pandemia, a companhia vinha crescendo a uma taxa de 5% ao mês. Após o impacto inicial do caos trazido pelo isolamento social (com fechamento das 20 lojas e das concessionárias parceiras), a companhia passou a se beneficiar de tendências como as viagens dentro do próprio Brasil e a busca por moradia fora dos grandes centros, passando a avançar a um ritmo de mensal de 20%.

Um impulso foi a operação em domicílio, que já tinha sido lançada antes de março do ano passado, mas acelerou muito nos meses seguintes. Hoje, 90% do atendimento é feito remotamente.

Desde que começou a operar a InstaCarro vendeu 35 mil veículos e movimentou R$ 1 bilhão. O número de transações em 6 anos é 30% menor do que a Kavak prometeu fazer até o fim de 2022: vender 50 mil carros de um total de 100 mil unidades compradas. O mercado brasileiro de usados é o 3º maior do mundo, movimentando na casa de 10 milhões de unidades por ano.

Luca diz que a meta do concorrente é ousada, mas para por aí e sai pela tangente com a clássica: o mercado é grande para todo mundo. “A disputa é para roubar clientes do offline, não entre a gente. Nos EUA tem 6 grandes players do mercado de usados, cotados em bolsa, inclusive. O líder tem uma fatia de 2% do mercado”, argumenta.

Na disputa com Creditas e Kavak, a InstaCarro tem um trunfo: enquanto as duas estão se focando em carros com no máximo 10 anos de idade, a InstaCarro compra modelos de qualquer ano de fabricação. Pode parecer um mero detalhe, mas é um ponto importante em um mercado que tem hoje a frota mais velha em 25 anos, com média de 10,2 anos.

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