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O delivery de comida te dá diversas opções para saciar uma larica específica. E se tivesse um fator surpresa nisso? No caso, receber uma sacola com produtos excedentes e aptos para consumo (sem saber exatamente o que virá na seleção), de restaurantes, padarias, hortifrutis e confeitarias, mas que seriam descartados? E o melhor, com descontos que podem chegar a 70%.

Essa é a proposta da Food To Save, foodtech sustentável que luta contra o desperdício de alimentos, e que se prepara para ganhar escala, após 1 ano de operação. Com R$ 800 mil via bootstrap e FF (family and friends), a startup desenvolveu e validou seu produto. E olha que não foi fácil. Nos primeiros 3 meses de vida da empresa, isso foi feito pelo Instagram, com vendas feitas por mensagens diretas.

Agora, com um pré-seed de R$ 1,3 milhão, é o momento de aprimorar a tecnologia, com novas funcionalidades de engajamento, além de investir na área comercial e de marketing. O valor foi captado do bolso de 272 investidores em menos de 24 horas, via CapTable

Segundo a plataforma de investimentos, a rodada foi concluída tão rápido pois atende a todos os critérios buscados por quem investe em startups: modelo de negócio consolidado e inovador e, principalmente, seu impacto ambiental.

Consumo consciente

A prática de vender alimentos que excedem a produção diária, ou que estão próximos ao vencimento, e com desconto, já existe há muitos anos em supermercados, padarias, e outros estabelecimentos.

Mas, segundo o co-fundador e CEO da Food to Save, Lucas Infante, isso não é suficiente para evitar o desperdício de milhares de toneladas de alimentos diariamente no Brasil. Por ano, a quantidade de alimentos descartados no país chega a 27 milhões de toneladas, segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU).

Murilo Ambrogi, Lucas Infante e Fernando dos Reis, fundadores da Food to Save

O modelo de negócio da foodtech é baseado no conceito triple-win, ou seja, todos saem ganhando: estabelecimento, consumidor e meio ambiente. O comércio ganha um novo fluxo de clientes e monetiza com produtos que antes eram descartados. Já o consumidor tem acesso a uma variedade de alimentos com descontos atrativos, enquanto o planeta agradece por menos descarte incorreto de alimentos e, consequentemente, redução na emissão de gases de efeito estufa. Com mais de 80 mil pedidos no aplicativo, a foodtech já evitou a emissão de 250 toneladas de CO2.

“Queremos provocar a sociedade para esse tema tão importante. Nosso grande desafio é reeducar os brasileiros a olhar para um consumo mais consciente e para o reaproveitamento dos alimentos. Mudar o mindset do consumidor para entender que um produto excedente é diferente de restos, de sobras de alimentos”, diz Lucas.

Kinder ovo dos adultos

De acordo com Lucas, muita gente chama a startup de Kinder ovo dos adultos, pelo fator surpresa das sacolas. Há alguns meses, inclusive, esta editora que vos escreve baixou o app da Food to Save, encontrou uma confeitaria interessante para pedir uma sacola com desconto, mas ainda não criou coragem para ser surpreendida. Quem sabe agora não me aventuro?

Em 1 ano de operação, a startup já movimentou mais de R$ 1,8 milhão e gerou mais de R$ 1 milhão em receita incremental aos estabelecimentos parceiros, entre eles Rei do Mate, Dengo Chocolates, Pizza Hut e Duckbill. São mais de 200 mil downloads do aplicativo, e mais de 500 estabelecimentos parceiros nas regiões onde opera – Grande São Paulo, no ABC e em Campinas. 

Recém chegada no Rio de Janeiro, a startup tem a meta de superar, até o fim do ano, a marca de 500 toneladas de alimentos salvos, e ampliar a operação para outros estados. Em breve a empresa deve chegar a mais uma capital, ainda a ser definida, entre Belo Horizonte, Brasília ou Goiânia.

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