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A Comgás está a mil por hora com as atividades de seu hub de inovação aberta. Menos de um ano depois de lançar o Plugue, a distribuidora de gás deu início à segunda rodada de desafios e traça os próximos passos para a iniciativa, que podem incluir atividades em uma frente de corporate venture capital (CVC).

O Plugue foi criado para ser uma ponte entre o ecossistema de inovação e a Comgás, e tem o objetivo de apoiar a busca da companhia por formas inovadoras de evoluir seu modelo de negócio e gerar novas fontes de receita. O terreno em que a empresa pode emplacar inovações é vasto: com mais de 20 mil quilômetros de rede de distribuição de gás natural encanado em 94 municípios, a empresa abastece os segmentos industrial, comercial, residencial e automotivo, viabiliza projetos de cogeração e disponibiliza gás para usinas de termogeração.

Outra meta da Comgás com o hub de inovação é agregar projetos robustos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) aos serviços prestados aos mais de 2,1 milhões de clientes em sua área de concessão no estado de São Paulo. Para isso, a companhia já investiu R$ 16 milhões para a primeira chamada de projetos de pesquisa e desenvolvimento, que envolvem startups, universidades e centros de pesquisa.

“Dentro do mercado de inovação, existem várias verticais, como fintech, retail tech, energytech. Mas não existe gastech, e é nesse espaço que a gente quer se especializar. Como somos o hub de inovação da maior distribuidora de gás do Brasil, entendemos que temos um papel fundamental em desenvolver essa vertical”, pontua Letícia Dantas, head de inovação aberta da Comgás, em entrevista ao Startups.

Depois de ter feito uma primeira chamada aberta para que o ambiente de inovação – incluindo startups – pudessem apresentar propostas para seus desafios, a Comgás já está com uma segunda chamada aberta. Outros movimentos no horizonte para os próximos meses também incluem o avanço do Plugue Ventures, braço de investimentos da do hub de inovação. Esta frente deve contar com um orçamento separado do que está sendo investido em P&D, que equivale a 0.25% da margem de distribuição da companhia.

“Estamos analisando formas de olhar para o ecossistema de startups e estabelecer relações talvez mais estratégicas, seja via parcerias, alianças ou até mesmo através de um CVC. São opções que estamos pensando como seria possível estruturar”, diz a executiva, acrescentando que é possível que a companhia busque um parceiro externo para ajudar a orquestrar atividades em áreas como as chamadas abertas.

Crescimento exponencial

Em sua primeira chamada, o Plugue recebeu 342 propostas de entes do ecossistema. Segundo Letícia, isso se compara a uma média de 40 propostas que a companhia recebia de parceiros existentes, quando ainda não tinha esforços direcionados à área de inovação. “Considerando que foi uma primeira chamada de um veículo recém-criado, consideramos o número [de propostas recebidas] um crescimento exponencial e surpreendente. Isso também nos mostrou que tem muita gente interessada em fazer negócios conosco e que este é um mercado promissor”, diz a executiva da Comgás.

Cidades inteligentes e sustentáveis, transição energética, gás verde e eficiência energética são as áreas de foco para a chamada aberta. De um lado, a empresa se beneficia com as respostas aos seus desafios e de outro, as selecionadas podem se tornar parceiras de negócios da Comgás. Um grupo de 66 ideias foram consideradas aderentes ao que a companhia está buscando, que por sua vez resultou em 19 propostas selecionadas para o ciclo 2022-2023 pela banca da companhia, que foram submetidas à avaliação final da Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsesp).

Letícia Dantas, head de inovação aberta da Comgás | Foto: Comgás/Divulgação

Enquanto este grupo inicial se prepara para iniciar os trabalhos, o Plugue já começou os trabalhos para a próxima chamada, que fica aberta até 31/8 e segue os mesmos pilares definidos no ano passado. Segundo Letícia, o investimento em P&D estimado para este ciclo deve ficar em cerca de R$ 8 milhões. Os projetos selecionados seguirão para uma outra peneira, onde serão classificados como soluções rápidas ou imersivas. No primeiro grupo, que compreende projetos em estágios de maturidade mais avançado, aprovados desenvolverão provas de conceito a serem testadas por áreas de negócio da Comgás.

As soluções imersivas, por outro lado, precisam de um trabalho de desenvolvimento antes da implementação. Estas passam por um caminho que vai desde a elaboração do plano de trabalho e de definição de métricas de sucesso, bem como de metas. Os participantes também recebem um treinamento para um pitch day, e os aprovados apresentam os projetos para a Arsesp. A duração dos projetos é plurianual e pode durar entre um e três anos.

Avançando em gastech

Sobre as principais lições absorvidas pelo time ao longo dos últimos meses, Letícia diz que o ponto principal é relativo a construção da relevância do programa. “O maior aprendizado que estamos tendo nos últimos meses é sobre como manter esse canal vivo, com parcerias que potencializem a abrangência e a disseminação do Plugue como um veículo que gere negócios para o ecossistema e se consolide cada vez mais como a plataforma de inovação aberta do setor de gás e energia, ou seja, gastech brasileiro”, frisa.

Com o impulso da chamada aberta, a Comgás está construindo um ecossistema de startups parceiras que já tem uma certa recorrência em termos de negócios gerados junto à distribuidora. Uma delas é a Enablers, startup focada em dispositivos inteligentes, que está desenvolvendo uma solução de smart metering com a Comgás. A companhia tem um desafio regulatório de ter 100% de seu parque de medidores operando remotamente até 2049 e está atualmente liderando um dos maiores projetos de Internet das Coisas do Brasil.

Para apoiar a iniciativa, a Enablers trabalhou com a companhia desde o desenvolvimento de uma tecnologia de sensores até a prova de conceito. Um piloto com 78 mil unidades já foi produzido, que levou a um contrato maior, que prevê a instalação de mais de 200 mil unidades. Além disso, a startup vai se envolver em um projeto cuja meta é desenvolver uma solução nacional de medidores inteligentes.

“[O projeto com a Enablers] mostra nosso compromisso com o ecossistema, o potencial do Plugue e do que a gente está fazendo em termos de geração de negócio e de novos mercados, já que o smart metering é um novo espaço em que estamos sendo protagonistas”, ressalta Letícia.

Acompanhando tendências

A atuação do Plugue é orientada por quatro eixos: aprendizado, para promover novas formas inovadoras de trabalhar; conexões, onde o hub atua como um articulador do ecossistema, unindo suas dores às soluções desenvolvidas por entes do mercado; experimentação, cujo objetivo é aumentar a capacidade da Comgás, que é uma empresa de mais de 150 anos, tente coisas novas através de uma “cultura de laboratório”. O eixo final, de produto, é sobre como a empresa consegue fazer cada vez mais produtos com menos projetos, gerando desdobramentos com valor agregado a partir das iniciativas lideradas pelo hub.

O hub de inovação aberta também desempenhou um papel importante este ano, ao ajudar a Comgás a definir sua estratégia de longo prazo, que é pautada na centralidade em pessoas (incluindo clientes, parceiros e comunidades locais), foco na eficiência nas jornadas de fornecimento de gás e cidades do amanhã, onde a visão é de centros urbanos mais conectados, inclusivos e diversos.

“Uma das megatendências que a gente persegue aqui é a diversificação do comportamento. E se o comportamento está mudando, a gente precisa mudar o mindset, aprender a aprender – e desaprender – com novos métodos e fontes”, diz Letícia, acrescentando que uma das formas que a companhia tem tido estes aprendizados é através de experiências, incluindo participações em eventos como o Startup Weekend focado em energia, que aconteceu na semana passada. No evento, 10 colaboradores da empresa participaram criando novas ideias de startups e conquistaram o segundo e terceiro lugar entre as iniciativas premiadas.

Em relação a desafios, Letícia diz que os principais temas tem sido relacionados a estruturar as atividades, e materializar o que o hub já se comprometeu a fazer, além de buscar parcerias. Por exemplo, a Plugue fechou um acordo com a Microsoft que deve distribuir mais de R$ 300 mil em créditos para consumo dos produtos da empresa de software através do hub.

“Nosso desafio é justamente fazer com que o programa rode ou os programas rodem com qualidade, trazendo valor agregado para o ecossistema e ao mesmo tempo, montar o time, estruturar a Plugue, e operacionalizar o que a gente desenhou nesse primeiro ano”, pontua a executiva.

Quando o assunto é expectativas para daqui a um ano, Letícia espera contar mais sobre o impacto nacional que a Comgás estará gerando no ecossistema. “Temos um compromisso muito grande com o desenvolvimento do Estado de São Paulo, mas não dá para falar de gás e energia de transição energética se falar do Brasil como um todo, e do potencial que o nosso país tem de se posicionar de forma estratégica e impactante nessa agenda. Em um ano, queremos dizer que a gente está fazendo parte – trazendo evidências claras e objetivas – dessa transformação do mercado”, conclui.

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