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Compra da Linx pela Stone vira alvo de questionamentos

Por Gustavo Brigatto, em 14 de agosto de 2020

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A compra da Linx pela Stone chamou atenção na terça-feira por seu impacto no mercado de pagamentos. Mas agora, está levantando sobrancelhas com relação à governança e a possibilidade de vazamento de informações. Dependendo de como as coisas andarem, os termos do acordo precisarão ser revistos, ou o acordo como um todo, desfeito.

Ontem, a CVM abriu dois processos para analisar movimentos ligados à Linx: um ligado a notícias, fatos relevantes e comunicados e outro sobre a incorporação da operação. Não há detalhes sobre o teor dos processos. O processo de análise é considerado normal para operações como

Caso em sua análise o regulador constatar irregularidades, o próximo passo seria instaurar um processo sancionador. Não há um prazo para encerramento das apurações iniciais.

Quais as dúvidas?

Já na terça-feira, circularam informações sobre a possibilidade de operações com informações privilegiadas. Isso porque antes do fato relevante divulgado pela Linx no começo da tarde para falar sobre as conversas com a Stone (que ainda não estariam concluídas), as ações da companhia acumulavam alta de 10% na B3. No começo do pregão naquele dia, elas chegaram a operar em baixa, um possível reflexo negativo do adiamento da conferência com analistas para falar sobre o balanço do 2º trimestre divulgado na segunda à noite.

A avaliação de especialistas é que a companhia teria se apressado para divulgar o fato relevante com uma forma de remediar a situação. Logo na sequência, as ações dispararam e fecharam o pregão em alta de mais de 30%.

Outra questão levantada foi em relação ao pagamento oferecido aos fundadores da Linx – Alberto Menache, Nércio Fernandez e Alon Dayan – que detém 13,92% da companhia, em acordos de não competição. O valor a ser pago é de R$ 240 milhões. Menache tem ainda um contrato de trabalho por um período de três anos, pelo qual vai receber R$75 milhões de reais, além do salário mensal de R$416 mil reais e outros benefícios.

Os termos propostos seriam uma forma velada de dar um prêmio de controle aos três acionistas, o que é vedado dentro das regras do Novo Mercado. O segmento da bolsa no qual a Linx está listada foi criado para privilegiar as boas práticas de governança corporativa, que incluem pagamento igual para todos os acionistas no caso de uma aquisição (tag along).

Na contas da gestora FAMA Investimentos, de Fabio Alperowitch, que detém 3% das ações da Linx e divulgou carta aberta criticando o negócio, o valor total a ser recebido pelo grupo será de aproximadamente R$1,2 bilhão, o que resultaria em um valor de R$46 por ação, prêmio de aproximadamente 35% sobre o valor a ser recebido pelos minoritários.

“A FAMA Investimentos advoga há anos pelos princípios éticos e pela prática da boa governança, segundo a qual os acionistas devem sempre ser tratados com isonomia e respeito. A transação em questão fere aquilo que acreditamos ser o nosso princípio mais importante: a ética”, escreveu a gestora.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência acompanhando os mundos da tecnologia e da inovação, com passagens pelo DCI, Sebrae-SP, IT Mídia e Valor Econômico. Fundador e Editor-Chefe do Startups.com.br.