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Pouco depois de finalizar a série A da Cora, Igor Senra recebeu uma mensagem no WhatsApp do pessoal da americana Greenoaks, que entrou na rodada. Como bom mineiro, ele ficou desconfiado. Na conversa, veio a proposta: antecipar para agora a série B do banco digital para empresas, prevista para 2022.

A resposta não foi imediata. Afinal, ter muito dinheiro disponível é bom para acelerar os planos, mas também pode ser um problema, deixar a startup menos criteriosa em suas decisões. Para decidir, Igor recorreu a uma anotação que tinha feito quando a Cora fechou sua rodada seed. Nela, estava o valuation esperado para o negócio até o IPO. Na proposta da Greenoaks, o valor da fintech estava 50% acima do cenário mais otimista imaginado lá atrás. O sim então chegou.

Assim, a Cora fechou uma rodada de R$ 630 milhões (US$ 116 milhões), 4 vezes mais que o cheque da série A – e viva a liquidez do mercado! O aporte foi liderado pela Greenoaks e contou com a participação de Ribbit Capital, Kaszek Ventures e QED Investors que já eram investidores. Dois novos nomes também entraram: Tiger e Tencent. Segundo Igor, a dupla tinha ficado de fora da série A, e foi acomodada agora. “No nosso histórico até agora, quem entra em uma rodada lidera a próxima, então fica aí um pensamento”, brinca o fundador.

Com o aporte, o plano é acelerar o ritmo de lançamento de produtos. Na lista de ofertas está a ampliação das modalidades de crédito, como antecipação de recebível, crédito para capital de giro, opções de investimentos de curto prazo para gestão de caixa e até alternativas de mais longo prazo.

Ampliar a prateleira de ofertas é interessante para tornar a Cora mais atraente para as pequenas e médias empresas que buscam alternativas aos bancos tradicionais, e também ajuda a fintech a ampliar suas fontes de receita e tornar a operação rentável. Atualmente ela só tem como fonte de receita a taxa de intercâmbio que recebe pelos gastos feitos com o cartão de débito Visa que oferece aos seus clientes.

A meta, que já vinha de antes da série A, é chegar ao fim do ano com 380 mil contas abertas – ou quase 3 vezes mais que as 140 mil atuais. Em fevereiro, eram 42 mil. Para o fim de 2022, o objetivo é bater em 1 milhão.

Mas não são só novas ofertas que fazem as metas serem alcançadas. A ideia é intensificar os esforços de marketing também. “Temos sido tímidos nos investimentos. Agora vamos para as cabeças”, diz. Perguntado se a nova investida poderia incluir ações fora do mundo digital, Igor disse que não.

Para dar conta do avanço, a equipe que hoje conta com 168 pessoas chegará a 250 até o fim do ano e vai dobrar no ano que vem.

Perguntado sobre a intensificação na competição, com investidas de fintechs como Conta Simples, Nubank (que também tem Tiger e Tencent como investidores), Itaú e BS2, Igor diz acreditar que o diferencial da Cora é o fato de ele e seu sócio, Léo Mendes, já saberem como lidar com o público de pequenas e médias empresas desde 2006, quando fundaram a Moip.

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