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Boa notícia para o ecossistema de startups! Em 2021, os investimentos globais de Corporate Venture Capital cresceram 142% sobre o ano anterior, atingindo a marca recorde de US$ 169 bilhões investidos. Os dados são do relatório State of CVC, da plataforma norte-americana de inteligência de mercado CB Insights.

A pesquisa atrela esse avanço a um conjunto de fatores, entre eles, o aumento significativo dos mega rounds, rodadas de investimento acima de US$ 100 milhões. Elas representam 62% do total aportado em 2021.

“[Essa é] uma tendência puxada inicialmente pelos fundos bilionários de Venture Capital do Softbank, Tiger, entre outros, que agora se reflete também nos investimentos efetuados pelas Corporações”, analisa Cassio Spina, fundador da associação Anjos do Brasil e diretor sênior da consultoria ACE Cortex, em uma publicação no LinkedIn. “Os números reforçam que o CVC não só veio para ficar, mas possui uma forte tendência de crescimento global”, acrescenta.

Em termos regionais, a pesquisa mostra que os Estados Unidos atraíram US$ 86.9 bilhões de investimento CVC – mais do que o dobro do que em 2020 (US$ 40.5 bilhões). O país teve 4 rounds de mais de US$ 1 bilhão, direcionados a empresas dos setores de energia, TI e saúde. No Vale do Silício, o 4º trimestre de 2021 movimentou mais do que o dobro do que o recorde trimestral de 2020, de US$ 5.2 bilhões.

A Europa registrou um salto de 170% nas rodadas CVC, chegando a US$ 22,7 bilhões. O líder da região foi o Reino Unido, que movimentou sozinho US$ 7,2 bilhões do total. O relatório destaca também a Alemanha, cujas 4 rodadas acima de US$ 650 milhões impulsionaram o CVC do país para US$ 6.5 bilhões – um salto de quase 5 vezes em relação ao ano anterior.

Os financiamentos para empresas com sede na Ásia atingiram um recorde de US$ 49,8 bilhões em 2021, com destaque na China, Índia e Israel – nestes mercados, o volume de corporate venture capital investidos dobrou ano a ano. Segundo o CB Insights, 46% da movimentação global de CVC para startups do varejo aconteceu na Ásia, seguida dos Estados Unidos (26%), Europa (19%) e América Latina (7%).

Globalmente, o número de rodadas e volume movimentado em CVC para fintechs cresceram 62% e 202%, respectivamente, no último ano. Em 2021, o investimento total de US$ 33.2 bilhões em fintechs foi mais do que o dobro do que o antigo recorde de 2019.

E o Brasil nessa história?

O estudo também traz alguns dados do mercado brasileiro de CVC. Para começar, o país aparece entre as 9 maiores séries D do 4º trimestre de 2021. A rodada de US$ 250 milhões da Facily, anunciada em novembro, ficou em 5º lugar no ranking, atrás das norte-americanas Lacework, Devoted Health, Nuro e Anchorage Digital.

No Top rodadas CVC do período, o país é destaque 6 vezes, com direito ao 2º e 3º lugar do ranking, ambos ocupados pela Facily, respectivamente, pela série D de US$ 250 milhões e pela extensão da rodada, de US$ 135 milhões, que garantiu à plataforma de social commerce o status de unicórnio. A liderança ficou com a exchange de criptomoedas FTX, das Bahamas, que levantou US$ 421 milhões em outubro.

Voltamos a aparecer no 4º lugar, com a série B da plataforma na nuvem para serviços bancários e pagamento Pismo, de US$ 108 milhões; 8º lugar, com a série A de US$ 12 milhões feita pela startup carioca de tecnologia aplicada à segurança Gabriel; e em 9º lugar, pela série A de US$ 10 milhões da insurtech Azos.

Apesar da movimentação, o 4º trimestre brasileiro representa uma queda em relação ao trimestre anterior, quando o país recebeu US$ 838 milhões em 25 rodadas. De outubro a dezembro, o volume caiu para US$ 525 milhões, distribuídos em 14 rounds.

“O que chama mais a atenção [sobre o mercado brasileiro] é que investimentos early stage representam quase 2/3 do total dos investimentos realizados em 2021, mostrando que nosso mercado ainda é nascente com muito espaço para crescimento”, escreve Cassio, no LinkedIn, em referência à pesquisa do CB Insights.

O report mostra que 61% dos rounds CVC de 2021 no Brasil foram para startups early-stage, ante 18% para mid-stage, 10% late-stage e 11% na categoria “outros”.

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