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Credere recebe aporte de R$ 2,5 mi da DOMO e da Bossa Nova para tornar financiamento de veículo “tão simples quanto compra no cartão”

Por Gustavo Brigatto, em 22 de dezembro de 2020

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Com a proposta de ser o gateway de pagamento para o mercado de financiamento de veículos, a potiguar Credere levantou uma rodada de R$ 2,5 milhões liderada pela DOMO com participação da Bossa Nova (que tinha feito uma rodada pre-seed no fim de 2017). A companhia ainda tem como investidores-anjo Marcelo Alecrim, presidente do grupo Ale Combustíveis e Jucelino Souza, ex-CEO da Ale.

Os recursos da nova rodada – que foi fechada em setembro, mas só anunciada agora – serão aplicados principalmente na expansão das equipes de vendas e marketing para dar mais agressividade à estratégia comercial. O objetivo é dobrar, ou até triplicar o volume de recursos processados por ano, chegando a algo entre R$ 6 bilhões e R$ 9 bilhões em um prazo de 18 meses.

A companhia atua nos bastidores, oferecendo a infraestrutura para que concessionárias façam o processo de análise de crédito de forma automatizada. O processo hoje é muito manual, com idas e vindas de documentos que podem fazer o negócio se alongar por semanas. A companhia opera no modelo de software como serviço e vende três módulos: simulação (com apresentação de resultado já de uma pré-análise, não de uma conta fictícia), proposta e formalização da proposta.

A ideia, segundo Orlando Seabra, cofundador e presidente da Credere, é tornar o processo tão simples quanto uma uma compra com um cartão de crédito. “Com 3 ou 4 informações do cliente conseguimos rodar simulações em até 6 bancos. Além de simplificar o atendimento, você começa a descobrir crédito onde antes essa opção nem era oferecida”, diz ele citando que o tamanho do mercado de financiamento de carros e motos no Brasil, de R$ 200 bilhões por ano, é subestimado por conta das baixas taxas de aprovação de crédito: 15% a 20% no caso de motos e de 30% a 40% em carros. “O Brasil de verdade não faz financiamento”, reforça Seabra. A estimativa da companhia é que o índice de aprovação de crédito pelos vendedores tenha um incremento de 20% usando sua tecnologia. “É um mercado gigante que está passando por transformação que faz a indústria se reposicionar. E a Credere amara as pontas tanto do lado do transporte quando dos serviços financeiros”, diz Rodrigo Borges, da DOMO.

Atualmente a Credere tem atuação em 25 estados e conta com 250 grupos de concessionárias como clientes. Por mês, ela recebe 150 mil pedidos de simulação de crédito e fecha 35 mil propostas de financiamento. As consultas são feitas nos bancos Pan, BV, Bradesco, Itaú, Santander e nos bancos das montadoras. A Creditas acaba de entrar na lista. Na última semana, ela fechou contratos para atender as startups de compra e venda de veículos Carflix, Volanty e Netcarros.

Segundo Seabra, os bancos têm investido em ferramentas parecidas com as que ela desenvolve, mas para seus próprios serviços, o que limita a atuação. No mundo das startups, ele diz acreditar que a competição tende a aumentar, mas que a Credere tem uma barreira de entrada por seu histórico de atuação – e agora os recursos para acelerar seus planos. Um dos próximos passos é ir além da oferta de financiamentos e incluir a opção de aluguel de carros, que está crescendo muito no Brasil. “Queremos oferecer a melhor opção de acordo com o perfil do consumidor”, diz.

A Credere foi fundada em 2014 por Seabra, Sanderson Santana (diretor de tecnologia) e Fred Alecrim (diretor de recursos humanos) para atender o mercado de concessionárias de motos. Ela ficou concentrada nesse segmento até 2018, quando começou a ampliar sua atuação para as quatro rodas. Até o fim de 2019, a companhia estava muito focada no desenvolvimento do produto. Tanto que os R$ 3 bilhões em crédito transacionados por ela foram feitos com uma equipe de apenas oito pessoas.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência acompanhando os mundos da tecnologia e da inovação, com passagens pelo DCI, Sebrae-SP, IT Mídia e Valor Econômico. Fundador e Editor-Chefe do Startups.com.br.