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Que atire a primeira pedra o empreendedor que não sentiu medo, insegurança ou pânico (ou tudo junto e misturado) quando a pandemia de Covid-19 deu as caras. O cenário de incertezas econômicas pairou sobre o teto do ecossistema de startups.

No entanto, a surpresa nada fácil de engolir não impediu que muitas startups mantivessem ou aumentassem seu faturamento – 41,4% manteve, e em 10,4% dos casos, aumentou os ganhos em 50% ou mais, se comparado com o período antes da disseminação do vírus, segundo a Abstartups – e até mesmo fossem criadas.

Ainda segundo a Abstartups, 587 novas startups criadas desde março de 2020, sendo 246 naquele ano e mais 341 em 2021. O próprio Startups nasceu em julho de 2020! A gente conversou com 4 delas para entender como foi essa jornada até agora.

Agronegócio e logística 

Para algumas startups, principalmente dos segmentos agro e de logística, a pandemia não impactou o negócio, pelo contrário, até ajudou de certa forma. É o caso da Agrolend, fintech que oferece crédito para produtores rurais. A startup se beneficiou da comunicação virtual durante o período conturbado, o que acabou facilitando as parcerias firmadas pelo Brasil todo. Algo que seria feito em anos, levou meses.  

Com a mesma rapidez, a startup fundada em dezembro de 2020 levantou dois aportes em menos de 1 ano. Apenas 2 meses após ser concebida, a Agrolend obteve R$ 10 milhões em um seed que teve a participação de 35 investidores – 5 deles institucionais. Já em outubro de 2021 conquistou mais R$ 40 milhões por meio de um Fundo de Investimentos em Direito Creditório (FIDC), no qual entraram Itaú Asset, Verde Asset e Augme. E agora no início do ano se preparam para uma série A

Os irmãos e fundadores da Agrolend, Andre (à esq) e Alan Glezer, e a cofundadora Valeria Bonadio

“Apesar de conservadores, os produtores rurais são super adeptos à tecnologia na lavoura. Mas para solicitar um crédito, só tinham um banco tradicional como opção. Então quando levamos algo inovador e aderente à sua realidade, conseguimos escalar o negócio”, afirma Andre Glezer, que se juntou ao irmão Alan Glezer para fundar a Agrolend. A expectativa é de crescer 10 vezes em 2022, com uma carteira de crédito de R$ 400 milhões.

O processo é simples, rápido e sem burocracia. O crédito é feito em parceria com revendas de insumos, parceiros de longa data do produtor rural. Atualmente são 40 parceiros ativos por todo o país. Os empréstimos, que giram em torno de R$ 300 mil, são feitos pelo Whatsapp e liberados em até dois dias, com prazo médio de financiamento de 1 ano. 

No setor de logística, com pandemia ou não, Denny Mews, presidente da curitibana CargOn, decidiu só olhar para frente. A logtech que atua como operador logístico digital no gerenciamento do transporte de cargas pesadas nasceu em março de 2020, bem quando a pandemia estourou. “Foi desafiador, tivemos que repensar muitos planos, mas o setor de logística não parou, até cresceu no início da pandemia pela loucura de todo mundo querer estocar coisas”, diz Denny. (Lembram das prateleiras nos mercados sem papel-higiênico?). 

E mesmo em um cenário de crise, a companhia já recebeu três aportes, dois investimentos-anjo, um Corporate Capital e um seed, totalizando R$ 5 milhões, que contribuíram para a aceleração e escala do negócio. Após faturar R$ 6,8 milhões em 2021, a empresa projeta um faturamento de R$ 30 milhões neste ano.

Além da digitalização do segmento, a CargOn oferece diversos benefícios aos motoristas de transportadoras. Um seguro de vida em parceria com a BB Seguros, no valor de R$ 50 mil, e o programa FICA (Fidelidade CargOn), para o acúmulo de pontos, que poderão ser trocados por benefícios em postos de abastecimento são alguns deles. 

Denny Mews, presidente da logtech CargOn

Seed e série A quase simultâneas

Criada há apenas 6 meses, a BHub, startup de gestão de backoffice por assinatura, já acumula um pré-seed de R$ 23 milhões e uma série A de R$ 115 milhões. O intervalo entre as duas rodadas? Apenas 2 meses. Sim, o ritmo de desenvolvimento da startup de Jorge Vargas Neto, é frenético.

Foi durante um café digital com mais de 300 presidentes e cofundadores de startups durante a pandemia que Jorge teve o insight que precisava para criar a empresa. “Desenvolvemos nosso produto pensando em desburocratizar a gestão do backoffice, permitindo que os empreendedores foquem seus esforços no que é essencial ao negócio”, comenta. Ou seja, deixando a parte chata literalmente “nas mãos” do software da BHub.

Jorge Vargas Neto, fundador da BHub

Além do trabalho de contabilidade, a empresa oferece um dashboard com os principais KPIs (indicadores chave de desempenho) financeiros. Nas palavras de Jorge, é como a BHub fosse um departamento financeiro interno (mas terceirizado) com uma solução de contabilidade combinada. 

Com atuais 150 clientes, a BHub espera aumentar este número para 5 mil até o fim do ano. Com a recente série A, a empresa também pretende expandir seu time de 56 colaboradores para até 220.

Demanda por serviços digitais

Há também casos de startups que aproveitaram a grande demanda por serviços digitais em decorrência das medidas de isolamento social para crescer. A edtech Gentelab, por exemplo, que desenvolve serviços e conteúdos educacionais corporativos, viu uma oportunidade no ensino à distância. Fundada em março de 2020, a startup paulistana fechou seu primeiro ano de atuação com faturamento de R$ 800 mil, que dobrou no ano seguinte. 

A Gentelab começou na verdade licenciando conteúdo para universidades corporativas, sem uma plataforma própria de tecnologia. Segundo o fundador Ricardo Shinyashiki, foi na metade de 2021, quando receberam um investimento anjo de R$ 625 mil que desenvolveram a própria plataforma para focar na experiência do usuário.

Ricardo Shinyashiki, fundador da Gentelab

A startup se denomina um ecossistema de aprendizagem contínua e oferece plataforma de ensino, biblioteca de conteúdos de especialistas, dados e análise de performance, além de curadoria. A escolha de temas para os conteúdos é feita pela necessidade dos clientes e atualização de tendências do mercado: liderança, vendas e inteligência emocional são alguns deles.

O crescente sucesso da empresa reflete em projeções bastante otimistas para 2022. “Tudo indica que faremos uma rodada seed neste ano e, com nossa tecnologia escalável, devemos triplicar o faturamento”, comemora Ricardo.

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