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Poderia ser um enredo meio bíblico ou shakesperiano, mas na verdade é uma mudança em um dos principais fundos de VC do mundo. Masayoshi Son, o líder do SoftBank, perdeu (mais) um de seus principais executivos. Rajeev Misra, o líder do Vision Fund – o carro-chefe da gestora – está deixando o seu posto como executivo da empresa.

Segundo destacou a SoftBank em nota, Misra continuará ligado à companhia, porém em um papel menor no Vision Fund I. Contudo, ele não terá mais participação no Vision Fund II.

Com a saída de Misra, Masayoshi Son perde seus dois principais “filhos” em questão de seis meses. Em janeiro, Marcelo Claure, responsável pelos fundos latino-americanos da SoftBank (SoftBank Latin America Fund e SoftBank Latin America Fund II) também se retirou da empresa, após divergências quanto à sua remuneração.

Aliás, com a saída do boliviano Claure, Misra recebeu a tarefa de também liderar os fundos latino-americanos – como se já não fosse uma bucha ter que cuidar dos dois Vision. Ambos os fundos têm mais de US$ 100 bilhões em capitalização e que tomaram uma “tungada” recorde de US$ 27 bilhões em prejuízo no último relatório anual.

Os motivos da decisão de Misra em deixar um cargo dessa magnitude são ainda desconhecidos, mas algumas hipóteses podem ser levantadas. Em maio, em meio ao começo do pânico do mercado em relação a um “inverno do venture capital”, a SoftBank resolveu apertar o cinto.

Conhecida por ser generosa com seus executivos e funcionários, a empresa anunciou uma nova e austera política salarial, reduzindo inclusive o salário de seus principais executivos. Detalhe: o CEO Son não cortou seu ordenado em um centavo. Quanto à Misra, a empresa não informou se o salário dele sofreu cortes.

O bom filho à casa não retorna?

Na SoftBank desde 2014, Misra foi um dos principais na ascensão do conglomerado ao topo do mercado de venture capital. Assim, ele se tornou um dos dois principais “filhos de Son”, ao lado de Claure, que também capitaneou alguns dos projetos mais bem-sucedidos da empresa. Por exemplo, Claure cuidou da venda da Sprint para a T-Mobile por US$ 21 bilhões e comandou a virada positiva da (até então) draga de dinheiro que foi a WeWork.

Segundo informações de bastidores, este cenário gerou uma disputa interna sobre quem seria o executivo escolhido para gerir o massivo Vision Fund anunciado em 2017. Misra acabou sendo o escolhido, enquanto Claure recebeu os fundos latino-americanos para tocar.

Contudo, com a saída de Claure, que demandou US$ 1 bilhão em bônus no final de 2021 e tomou um não, começaram as rachaduras na alta cúpula do fundo, com o mercado perguntando como a gestora conseguiria se manter robusta sem um dos principais executivos. Pra complicar, agora com a saída de Misra, a pergunta fica ainda mais premente.

Voltando às parábolas bíblicas, diferentemente de Caim e Abel, que se mataram pela atenção de Deus, parece que os filhos renegaram seu superior. Agora resta saber como o “todo poderoso” Masayoshi Son vai fazer para manter tudo sob controle em seu reino.

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