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De olho na oferta de crédito para pequenas empresas, banco digital Cora quer fechar o ano com 380 mil contas

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Quem tem uma empresa iniciante (seja uma startup ou um negócio tradicional) sabe a dificuldade que é acessar serviços financeiros. O cenário está começando a melhorar com a chegada de novas opções pela via das fintechs, que trazem diferentes abordagens para atacar o problema.

Enquanto algumas vão no caminho da especialização (PJ Bank da Superlógica olhando condomínios; Donus, da Ambev, iFood e Rappi mirando bares e restaurantes etc.), tem gente se enxergando como plataforma (como a Conta Simples) e também olhando para o crédito.

“A demanda reprimida entre as pequenas empresas é absurda. Os grandes bancos têm volume, têm informação, mas não conseguem atender. Os modelos estatísticos funcionam para medir nas pessoas físicas. Nas grandes empresas, tem os balanços. Mas a cara para o meio não funciona nenhum dos dois. Para este perfil, é mais determinante saber o quanto ele movimenta do que o score de crédito”, diz Igor Senra, fundador da Cora.

O banco digital nasceu em 2019 – depois que ele e seu sócio, Leonardo Mendes deixaram a Moip, que tinha sido vendida para a Wirecard em 2016 – como uma conta digital para PME. Em outubro de 2020 ela começou a operar oficialmente ao receber autorização do Banco Central para operar com banco (número 403). Antes do fim de 2021, o plano é colocar no ar a oferta de crédito. “Esse sempre foi o grande plano para a Cora”, diz Senra.

Fase piloto

O piloto já está rodando para calibrar os processos. A proposta de não cobrar tarifa de manutenção de conta, nem de nenhuma transação feita dentro da Cora, aliás, faz parte desse plano.

A ideia é deixar os clientes “serem eles mesmos”, ou seja, fazerem todo tipo de transação que precisarem, sem se limitar porque podem ter que vir a pagar alguma coisa por isso. Com isso, a tendência é que ele concentre mais sua vida financeira na Cora e, assim, ela consiga saber a verdadeira verdade sobre as necessidades desse cliente. O que leva a uma oferta de crédito com menos risco.

Os recursos para a operação inicial de crédito estão sendo aplicados pela própria companhia, mas a ideia é montar um fundo do tipo FIDC em algum momento. “Temos tempo antes de fazer esse movimento. Até para acumular alguma performance antes de fazer uma captação no mercado”, diz Senra. Ele não abre quanto a fintech pretende emprestar até o fim do ano.

O que ele conta é que a ampliação do leque de ofertas da Cora vai ajudar a companhia a atingir sua ambiciosa meta de multiplicar por quase 10 sua base de clientes em 2021. A ideia é chegar a um total de 380 mil até o fim do ano. Contra 42 mil em fevereiro. Em 2020, foram 30 mil contas. Segundo Senra, o interesse tem acelerado, por isso a companhia confia que vai conseguir acelerar o ritmo de ganho de clientes e bater a meta.

Atualmente, a Cora só tem como fonte de receita a taxa de intercâmbio que ela recebe pelos gastos feitos com o cartão de débito Visa que ela oferece aos seus clientes. Com a oferta de crédito, ela passa a ter mais uma fonte de recursos e já começa a pensar na rentabilidade da operação, segundo Senra.

Para começar a operar, a Cora levantou uma rodada seed, significativa, de US$ 10 milhões, liderada pela Kaszek e acompanhada pela Ribbit Capital no fim de 2019. Perguntado se já está na hora de fazer uma série A, Senra disse que não. “Ainda tenho metade da rodada guardada”, diz. Como toda startup, a Cora segurou os gastos e esticou o caixa ao longo de 2020 para enfrentar a pandemia. “Agora temos fôlego para investir antes do crescimento chegar”, diz ele.

Stock options

Um desses passos é acelerar as contratações. A equipe que fechou 2020 com 50 pessoas já está beirando as 90 e deve encerrar 2021 com 220. Para garantir o engajamento dos funcionários, a Cora ofereceu aos seus primeiros colaboradores um plano de compra de opções de ações.

O benefício estava nos planos desde a rodada de 2019, representando 8% do capital da empresa. Para montar o plano, Senra diz ter consultado 10 escritórios de advocacia. Cada um deu um parecer diferente sobre o assunto.

A solução veio pelo Mattos Filho: oferecer a compra das ações – pelo preço base da rodada de 2019, e com um percentual máximo definido de acordo com o cargo – como uma opção aos 50 funcionários iniciais da companhia depois do pagamento do salário líquido, caracterizando o negócio como uma operação mercantil, não trabalhista.

Essa distinção é o que cria a insegurança jurídica nos contratos de opções de ações feitos pelas startups brasileiras atualmente. Deixar a natureza mercantil clara era o pleito do setor no Marco Legal das Startups. Mas o assunto ficou de fora do texto aprovado pelo Senado na semana passada – na avaliação alguns, isso foi bom porque o texto que tinha vindo da Câmara criava mais problema do que resolvia.

De acordo com Senra, o efeito na motivação dos funcionários foi imediato e a companhia agora estuda estender o benefício para as contratações feitas mais recentemente e para as que ainda virão.

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