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A DeÔnibus, marketplace de venda de passagens de ônibus, fechou sua 1ª aquisição. O alvo foi a Fretamais, um outro marketplace, mas voltado ao fretamento de vans, micro-ônibus e ônibus. Com o negócio, que não teve o valor revelado, a companhia pretende multiplicar por 10 o volume de vendas feitas, chegando a R$ 1 bilhão em 5 anos.

Em conversa exclusiva com o Startups, o fundador e presidente da DeÔnibus, Breno Moraes, disse que o negócio está em linha com o posicionamento adotado pela companhia desde 2018: ser um ponto único onde o viajante pode escolher a melhor forma para se deslocar.

Além do atendimento a quem viaja, ele enxerga uma oportunidade de avançar na oferta B2B, levando às empresas de fretamento e agências de viagem os sistemas de tecnologia que ela já oferece a rodoviárias e empresas de ônibus no formato white label.

Hoje a Fretamais tem 240 empresas de fretamento cadastradas em sua plataforma e uma equipe de 6 pessoas. Na DeÔnibus, são 300 empresas, e 35 funcionários.

Caso antigo

A relação entre as duas empresas é antiga. Breno e Fernando Santos, um dos fundadores da Fretamais, se conhecem há mais de 10 anos e a DeÔnibus foi uma investidora da Fretamais no início da sua operação, em 2018. “A gente queria estar próximo do projeto. O fretamento era um mercado que nos interessava, mas que não teríamos capacidade de fazer ao mesmo tempo”, contou Breno.

Com a pandemia e a queda na venda de passagens e nos fretamentos, as duas companhias começaram a conversar sobre como unir esforços e focar em um caminho único. O caminho envolveu uma troca de ações para estruturar a incorporação

Ainda não há uma data para inclusão da oferta de fretamento no site da DeÔnibus. A expectativa é que pelos próximos 6 meses as empresas mantenham operações independentes para irem se conhecendo e planejando a integração.

Fernando Santos, cofundador da Fretamais (à esq.) e Breno Moraes, cofundador da DeÔnibus

O mercado

O mercado de transporte no Brasil está ficando movimentado com a Buser fazendo barulho e incomodando os players tradicionais – que criaram suas próprias versões do serviço, como a wemobi. As europeias Flixbus e Bla Bla Car têm investido em suas operações por aqui. Até março, a egípcia Swvl vai começar a operar no Brasil com seu serviço de transporte por ônibus.

Além das ineficiências de um setor que recebeu pouco investimento nos últimos anos, entra na conta a expectativa de aumento de viagens internas depois da pandemia e mudanças de hábito surgidas nos últimos tempos, como mais gente morando fora dos grandes centros.  

Para Breno, a abertura do mercado é benéfica para todo mundo. “Para o viajante é bom, melhora o serviço, tem mais alternativa. E as empresas de ônibus repensaram o negócio delas. É uma estrutura muito grande, pesada e custosa. E tem formas mais eficientes de fazer a mesma coisa”, avaliou.

Indo de ônibus

Em novembro a DeÔnibus levantou R$ 4 milhões em dívida e equity. A parte de equity foi liderada pela GVAngels, que colocou seu cheque máximo, de R$ 1,5 milhão. Também participaram investidores pessoa física. A captação foi uma preparação para uma nova rodada que Breno quer fazer em breve. “Ainda temos bastante espaço para captação. O captable está bem protegido”, diz Breno.

Nascida em 2012 como Brasil by Bus e voltada à venda de passagens de ônibus para estrangeiros, a DeÔnibus participou da 1ª turma de aceleração da Aceleratech, hoje ACE. Em 2016 ela captou dinheiro com um family office e pessoas físicas. Dois anos depois, mudou o modelo e o nome, assumindo o formato de operação que tem hoje. Com a mudança de modelo, a companhia acelerou o ritmo: de R$ 8 milhões em vendas em 2014, a companhia saltou para patamar de R$ 100 milhões em 2019.   

Segundo Breno, depois de uma queda de 55% em 2020, as viagens têm apresentado um crescimento superior a 80% em 2021. Apesar de o mercado ainda não ter voltado ao patamar anterior ao da covid, as vendas pela internet continuam a crescer, podendo representar metade do mercado até 2026 – contra 12% antes de março de 2020.

O crescimento registrado ao longo de 2021 permitiu que a companhia voltasse a ser lucrativa e que o fundador voltasse a dormir depois de 1 ano e meio. Ele até já começa a sonhar. “Se seguir dessa forma, temos um 2022 otimista”, disse.

Falta só combinar com a Ômicron.

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