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A Logstore, plataforma SaaS que amplia a integração entre o varejo físico e digital, é a primeira investida do RX Ventures, o fundo de corporate venture capital da Lojas Renner. A startup recebeu um aporte de valor não revelado liderado pela gestora DOMO Invest. A gigante varejista entrou na rodada com um investimento minoritário.

Fundada em 2017 por Helson Santos e Diego Dias, a Logstore permite que os atendentes das lojas recebam automaticamente, por meio de um aplicativo, os pedidos gerados no e-commerce e localizem os produtos no ponto de venda. Segundo a companhia, o tempo de separação e embalagem dos produtos é quase 80% menor do que nos processos convencionais, em que os vendedores precisam acessar diferentes sistemas antes de preparar as encomendas. 

“O tempo para fazer a seleção do produto em loja é muito menor. Mais velocidade reduz o custo e melhora a experiência do consumidor”, diz Guilherme Reichmann, diretor de estratégia e novos negócios da Lojas Renner, em entrevista ao Startups. Segundo o executivo, foi justamente isso que a atraiu a gigante varejista para o negócio, além de a startup ter um produto escalável por ser um software. “É uma solução que a gente acredita que vai realmente mudar a forma como as pessoas trabalham no varejo”, pontua Guilherme.

A Logstore, hoje com 40 colaboradores, vai usar o dinheiro para reforçar o time de marketing e vendas e fazer cerca de 20 contratações nos próximos meses. Além disso, a companhia pretende evoluir o produto para, no próximo ano, iniciar uma expansão na América Latina e levantar uma série A. No Brasil, a startup atende mais de 500 mil pedidos por mês de clientes como Vivara, Leroy Merlin, Grupo Mundial Mix e Grupo DPSP (Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco). 

“Quando avaliamos uma oportunidade de investimento, olhamos para a capacidade da startup de apoiar nosso desenvolvimento como companhia através da inovação, mas também o potencial de a ajudarmos a crescer”, diz Marie Timoner, head do fundo RX Ventures. Com a Renner, a startup ganha, além do capital financeiro, a oportunidade de testar e validar (novas) funcionalidades nas lojas da rede varejista com apoio de todo o time de supply. A Renner pretende conectar seus executivos com os fundadores da Logstore para compartilhar expertises em varejo que ajudem a startup a evoluir. 

Segundo Helson Santos, presidente da Logstore, a startup buscou fundos que tivessem sinergia com sua visão estratégica de longo prazo. “Buscamos parceiros que acreditam no nosso potencial de escala para o B2B e de ser uma solução global. A DOMO já investiu em startups que se tornaram globais e a Renner tem uma relevância muito forte no mercado de moda na América Latina”, diz o empreendedor.

Marie Timoner, head do fundo RX Ventures, e , Guilherme Reichmann, diretor de estratégia e novos negócios da Lojas Renner.
Foto: Fabiano Panizzi/Divulgação

O RX Ventures

A Renner lançou o RX Ventures em março deste ano com o objetivo de investir R$ 155 milhões em pelo menos 10 startups, considerando 4 anos de investimento e mais 4 de desinvestimento. Gerido pela Ahead Ventures, o foco do fundo são startups early stage, em estágio seed ou série A.

A prioridade vai para os segmentos de varejo e moda, e-commerce e marketplace, martechs (conteúdo, marketing e branding), fintechs e logtechs (supply chain e logística). Além das próprias soluções e modelos de negócio, os critérios para alocação dos recursos incluirão o comprometimento das startups com boas práticas ESG. 

Os próximos aportes, assim como foi o da Logstore, devem ser feitos em coinvestimento com outros fundos – uma estratégia que a Renner classifica como essencial. “Nós temos um conhecimento único no mercado, mas um outro que queremos evoluir e usar parcerias para isso”, diz o diretor de estratégia e novos negócios, Guilherme Reichmann. O que a empresa já tem é a expertise do varejo e o entendimento das dores e necessidades dos clientes.

No entanto, a companhia ainda é novata no venture capital. “A DOMO Invest é muito relevante no ecossistema e um dos fundos que mais tem aportado na América Latina nos últimos anos. Ela traz um conhecimento do processo de investimento e seleção das startups”, diz Guilherme. Segundo o executivo, a parceria entre os fundos beneficia ambas as partes e, principalmente, a startup que contará com um pool de investidores formado por uma das maiores varejistas e um dos maiores fundos de VC do continente.

A decisão por não abrir o valor do aporte faz parte da tese da RX Ventures. “A gente tem uma política muito clara de não abrir os valores, até porque a gente acredita em preservar essa privacidade da startup nesse momento”, explica Guilherme. Ele acrescenta que, no caso da Logstore, manter o sigilo também foi uma decisão da DOMO Invest. A Renner diz querer aprender com as melhores gestoras do mercado e ter se conectado a mais de 20 potenciais parceiros nos últimos meses.

Questionado se a Renner fará outros investimento este ano, Guilherme diz apenas que a companhia tem uma convicção muito grande de continuar a crescer muito em inovação, e que o RX Ventures vai seguir buscando os melhores negócios de 2022 para frente. “Potencialmente sim, vão ter outros investimentos. Mas esperamos fazer isso na hora certa, quando acharmos empresas que tenham um fit com a nossa tese e empreendedores que estão transformando o varejo”, pontua.

O RX Ventures é o 3º movimento que a Renner faz para se aproximar de startups. O braço de corporate venture nasce depois das parcerias comerciais e da aquisição das empresas Uello, logtech de entrega expressa e gestão de processos logísticos, e Repassa, brechó online criado para promover a moda circular.

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