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Enquanto os passaralhos continuam no ambiente de startups, a Fortis Games vai na contramão deste movimento, e acelera planos contratar centenas de profissionais non Brasil. Com um modelo de trabalho remoto, a desenvolvedora e publisher de videogames quer triplicar em tamanho no próximo ano, através de contratações e aquisições.

A startup norte-americana foi lançada em março deste ano por ex-executivos da Electronic Arts, WB Games, Zynga e outras gigantes de games. No mesmo mês, anunciou a aquisição de três empresas: a Oktagon Games no Brasil, a Doppio Games, em Portugal; e a Metagame, na Romênia.

Segundo o COO da empresa, o ex-WB Game Shawn Foust, a empresa atualmente tem 175 funcionários mas vai pisar fundo no acelerador, em especial aqui no Brasil. O executivo, que está no país para o BIG Festival, evento do setor de games do qual a Fortis é patrocinadora, diz que o trabalho remoto foi um dos principais pilares da proposta de valor da Fortis.

“Quando desenhamos a Fortis, haviam muitas teorias sobre como um estúdio deveria funcionar, mas estas suposições vinham de uma era diferente em desenvolvimento de games. Quando construímos nosso pitch, nossa tese era focada em design e propunha que talvez focar em escritórios físicos não seria a melhor estratégia, e que uma grande mudança aconteceria no mercado”, diz Shawn, em entrevista ao Startups.

“Ao invés de dizer que vamos contratar só na Bay Area, Los Angeles, ou Montreal, podemos ver o que o mundo tem a oferecer em termos de talento, e buscar estes talentos globalmente. É um pitch que quebra várias regras, já que investidores querem algo muito definido e específico”, acrescenta o executivo, que pretende contratar pelo menos 200 pessoas no Brasil para atuar remotamente nos próximos dois anos.

Ao longo de um ano, os fundadores da Fortis Games fizeram pitches para cerca de 90 investidores entre fundos de venture capital e private equity, além de family offices e investidores estratégicos, segundo Shawn. Os empreendedores então decidiram fechar com a Sands, gigante de resorts de Cingapura, e se tornar uma subsidiária da empresa por uma questão de alinhamento estratégico.

“Decidimos pela empresa que achamos que tinha o tipo certo de visão contrária no mercado e a perspectiva certa de como se constrói um negócio no setor de games. Nós acreditamos firmemente que o tipo de modelo de negócios free to play é onde ganhos maciços podem ser obtidos, em torno de uma estratégia baseada em design”, aponta o COO.

Mercado promissor

A Fortis diz estar trabalhando em meia dúzia de jogos para diferentes perfis, com projetos que focam em audiências que vão desde mulheres acima dos 30 anos de idade até o típico consumidor de games no estilo battle royale. Os títulos da Fortis devem chegar ao mercado no fim de 2023. Segundo Shawn, o Brasil é interessante tanto do ponto de vista de acesso a talentos quanto do ponto de vista de distribuição.

“A orientação cultural dos brasileiros em torno de games também é muito forte, bem como o conhecimento e entusiasmo destas pessoas, que já jogaram muito no celular e no PC, e entende o tipo de games que queremos fazer. Além disso, temos muitas evidências que mostram que o Brasil é um mercado consumidor muito interessante, especialmente para jogos que tem uma orientação mais social,” diz o executivo.

Ao comentar sobre como vai peitar a competição local, que incluem empresas como o unicórnio Wildlife Studios, Shawn diz que o estilo de desenvolvimento em torno de design de sistemas e a abordagem de inovação em design da Fortis estão entre os principais diferenciais da empresa.

“Temos a vantagem de ter expertise não só em design, mas como operar design em escala. Estou confiante que vamos vencer em tudo o que faremos? Não, porque não é assim que a indústria de games funciona. Mas acho que temos uma vantagem significativa”, ressalta.

A Fortis também está de olho em outras oportunidades para crescer via M&As, segundo o executivo. “O que geralmente procuramos são empresas que já existem há algum tempo, idealmente que já tem pelo menos um produto na rua”, aponta Shawn.

“Além disso, procuramos empresas que achamos que têm mais ambição do que o capital disponibilizado a elas e um forte desejo de se provar e trabalhar dentro do nosso ecossistema: não somos um monte de estúdios de jogos. Somos um único estúdio com uma só identidade, então você precisa querer trabalhar nesse formato para ser uma possível aquisição,” frisa.

Segundo o empreendedor, muitas empresas do segmento de games querem seguir o próprio caminho e serem independentes, tanto em termos de condução do negócio quanto em desenvolvimento de produtos. “Eu sou uma daquelas pessoas que ficariam felizes em apresentar estas empresas a investidores de venture capital. Amo ver empresas sendo criadas e acho isso incrível, mas a maioria delas não vai funcionar dentro do modelo Fortis,” pontua.

Construção de longo prazo

Ao comentar sobre a quantas anda a integração com a Oktagon, o COO é só elogios ao time brasileiro e a cultura da empresa adquirida. Segundo Shawn, a empresa encontra maneiras de tornar o trabalho divertido, e cita exemplos como shows de talentos dentro dos all-hands [reuniões com todos os funcionários da companhia].

“Às vezes, diversão não é tão importante no Vale do Silício, mas aqui é um pouco diferente. Há algo especial na cultura que o Ronaldo [Cruz, fundador da Oktagon] construiu, que faz com que o trabalho remoto se torne mais fácil, mais divertido. Isso reverbera em toda a empresa e facilita a integração”, aponta.

Sem abrir quanto exatamente a Fortis está investindo no Brasil, Shawn diz que o volume de capital a ser direcionado para a operação em terras canarinhas depende da capacidade da empresa de construir um pipeline de talentos, além de se tornar conhecida por aqui. Apesar de o Brasil ter um longo caminho à frente para se tornar relevante para a empresa em termos de receita, a empresa aposta na estratégia de longo prazo.

“Achamos que vale a pena construir nossa reputação e relacionamentos com a comunidade brasileira: isso significa que nossos jogos terão mais chances de serem bem-sucedidos. Algoritmos pesam em jogos que envolvem muita atenção e que têm pessoas gerando conteúdo em torno deles. Achamos que o Brasil está praticamente na vanguarda quando o assunto é interação social em jogos”, aponta.

Segundo o executivo, o foco não é o valor separado para investir, e sim o retorno no investimentos que a empresa for fazendo: “À medida em que o retorno aumenta, nosso investimento aumentará na mesma medida. Queremos que as pessoas que estão na universidade no momento pensem em nós como um dos melhores lugares para trabalhar em games. Sabemos que este processo demanda energia, pessoas, e capital – e estamos levando isso muito a sério”, conclui.

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