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EmCasa faz rodada de R$ 110 mi e traz a Globo de volta ao setor imobiliário

Proptech vai usar o dinheiro para ampliar sua cobertura nas cidades do Rio e de São Paulo e também para avançar para outras praças

Por Gustavo Brigatto, em 21 de julho de 2021

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Em sua 3ª captação de recursos, a imobiliária virtual EmCasa levantou R$ 110 milhões para financiar o plano de expansão de sua cobertura nas cidades do Rio e de São Paulo e também para mais cidades do Brasil. Até o fim do ano a meta é fazer R$ 1 bilhão em vendas, contra R$ 700 milhões em 2020.

A rodada foi liderada pela Globo Ventures, o braço de investimento em startups do grupo, e marca sua volta ao mercado imobiliário 8 meses depois de concluir a venda do ZAP VivaReal para a OLX. Pegaram gosto pela coisa, né? Também entraram na rodada a Igah Ventures, como co-líder do aporte, e a gestora americana Flybridge – que é investidora da MadeiraMadeira, da Infracommerce e cujo sócio Jeff Bussgang foi professor do cofundador e presidente da proptech, o Gustavo Vaz, em Harvard. Monashees, MAYA Capital, Pear Ventures, NBV e ONEVC, que já eram investidores, acompanharam.

Com a nova rodada, a EmCasa soma R$ 168 milhões captados desde sua fundação, em 2018. É bastante dinheiro em pouco tempo, mas ainda uma pequena fração diante dos bilhões captados por dois de seus maiores concorrentes, a Loft e o Quinto Andar, e também pouco perto do porte da OLX.

Para Gustavo, o grande diferencial da companhia está uso de tecnologias que ajudam a melhor a indicação de imóveis aos interessados e também um relacionamento mais próximo e profundo com os compradores, com ajuda na contratação de crédito e nas questões burocráticas do processo.

No centro disso, está um olhar especial para o corretor de imóveis. Aliás, corretor não, consultor, como ele gosta de chamar. Atualmente são 80 profissionais com esse perfil contratados pela EmCasa. Pois é, equipe interna.

A proposta é oferecer capacitação e ferramentas tecnológicas que ajudem a melhorar seu trabalho e também dar uma vida mais digna para o profissional, com salário fixo e benefícios.

A proposta veio da vivência do própria Gustavo. A mãe dele foi corretora por muitos anos e ele entende bem as incertezas envolvidas na profissão. Atuando em outra área hoje, ela já recebeu vários convites para se juntar à EmCasa, mas ainda não topou. “Quem sabe agora ela aceita”, brinca Gustavo.

É verdade que com o modelo proposto pela EmCasa o variável, que costuma ser a parte do leão dos ganhos dos corretores, fica bem menor que o praticada no mercado. Mas o que também acaba acontecendo é que o corre… digo consultor, fica mais eficiente, chegando a vender 20 imóveis por ano, contra apenas 2 ou 3 no modelo tradicional. O Brasil tem hoje cerca de 400 mil corretores de imóveis. “O modelo tradicional do corretor tem que acabar. Eu acredito que em 5 anos todo mundo vai operar em um modelo parecido com o nosso”, profetiza Gustavo.

Use of proceeds

Com a nova rodada – que Gustavo diz que não era tão urgente já que a companhia ainda tinha cerca de metade dos R$ 20 milhões captados em 2020 – a ideia é investir mais em desenvolvimento, marketing ampliar a cobertura para mais bairros nas cidades do Rio e de São Paulo e também entrar em novas praças. Segundo ele, o número exato e o nome das cidades ainda está em definição. Até 2024 a companhia que passar dos atuais 200 para 1,5 mil funcionários. “Temos a opção de fazer um IPO em uns 2 anos”, comenta Gustavo citando a listagem do GetNinjas, que chegou à bolsa com receita próxima a R$ 50 milhões.

O patamar é o que a EmCasa deve atingir em 2021 se cumprir a meta de transacionar R$ 1 bilhão. Ela se remunera cobrando um percentual que varia entre 5% e 6% sobre a venda do imóvel, o tradicional do mercado imobiliário.

De acordo com Gustavo a operação está perto de ter Ebitda neutro porque investe pouco em marketing. “40% dos compradores chegam até nós por recomendação, sem custo de aquisição. É margem na veia”, conta. Além disso, já começa a haver uma recorrência no uso com pessoas que compraram um imóvel usando o site para vender uma propriedade e também comprar outros. Um caso curioso é de uma pessoa que comprou um imóvel para si e depois usou a EmCasa para comprar um outro para a sogra.

Tudo (ou a maior parte das coisas) em casa

Nascida em 2018, a EmCasa passou seu 1º ano de vida estruturando sua operação e desenvolvendo sua principal ferramenta, o software Garagem. É, eles gostam de fazer as coisas… em casa. “É uma vantagem competitiva”, avalia Gustavo. Perguntado se isso não torna o negócio menos escalável e portanto, menos suscetível aos ganhos de escala esperados das companhias financiadas por venture capital, ele diz que sim, mas que tudo bem, e a pegada é essa mesmo. “É um negócio intensivo em pessoas”, diz.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência acompanhando os mundos da tecnologia e da inovação, com passagens pelo DCI, Sebrae-SP, IT Mídia e Valor Econômico. Fundador e Editor-Chefe do Startups.com.br.

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