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Em uma viagem a trabalho para os EUA há 4 anos, Fabiana Tchalian conheceu um produto que tinha chegado ao mercado pouco tempo antes: água vendida não em garrafa plástica ou de vidro, mas em caixa, como um suco. Ela se encantou e, na mesma hora, mandou um e-mail (pois é, o ano era 2016, né!) para o primo, Rodrigo Gedankien. “Sempre tive vontade de empreender. Não me via como executiva quando pensava no meu futuro”, conta ela.

Da troca de mensagens (e de vários testes como a importação de um produto com água do Ushuaia, na Patagônia argentina) nasceu a marca que chegará ao mercado nas próximas semanas: a Água na Caixa. A proposta é colocar no mercado uma alternativa com apelo mais sustentável que as tradicionais garrafas plásticas.

A caixa feita pela TetraPak é 82% composta de materiais renováveis, feita de papel e plástico de cana-de-açúcar. De acordo com Gedankien, o desenho da embalagem – com a boca mais larga – foi feito para que ela seja reutilizada muitas vezes. “Quanto mais você reutilizar, mais vamos te amar”, brinca, mostrando modelos de embalagens que, segundo ele, estão sendo usados “há anos”.

No lançamento, a Água na Caixa chega ao mercado com embalagem de 500 ml. No primeiro semestre de 2021 o plano é colocar no mercado uma opção de 330 ml. A distribuição começa pelo estado de São Paulo, mas já há negociação para levar o produto para outras regiões. Até o fim do ano que vem a ideia é estar em mil pontos de venda. Um dos primeiros locais onde a Água na Caixa será vendida é a Casa Santa Luzia, em São Paulo. O endereço não é coincidência. Guilherme Sobral, neto do fundador do supermercado, é um dos investidores da companhia.

Além dele (e de Fabiana e Gedakien) investiram na empreitada Eduardo Eisler (ex-VP da TetraPak), Gabriela Onofre (diretora de marketing da Acesso Digital) e Thiago Tregier (diretor da gestora de recursos Concórdia).

Gedakien não revela quanto foi aportado no projeto até agora, mas diz que a companhia está com uma rodada de R$ 3 milhões aberta para levantar recursos para financiar seu capital de giro.

Os consumidores são um alvo claro, mas a venda para empresas também será um ponto importante da estratégia da Água na Caixa. “Temos marcas nos procurando para fazer parcerias por conta do apelo da sustentabilidade”, diz Gedankien.

A extração da água e o envase estão sendo feitos por meio de um parceiro e uma máquina alugada (a primeiro do tipo em operação no Brasil) em Pinhalzinho, cidade do chamado Circuito das Águas, rota turística compostas por nove cidades no interior de São Paulo. A capacidade de envase atual é de 50 milhões de unidades por ano.

O mercado de água envasada movimenta R$ 10 bilhões no Brasil, com 7 bilhões de litros. Quase toda produção é vendida em garrafas PET, mas a diversificação nas embalagens tem começado a acontecer. Em janeiro, a Minalba colocou no mercado água com gás e sem gás em latas de alumínio de 310 ml. Em agosto do ano passado o Pão de Açúcar começou a vender a JUST Water, marca criada em 2015 por Jaden Smith, filho do ator Will Smith. No mês seguinte, a companhia atingiu um valuation de US$ 100 milhões. A importação do produto – que é extraído na bacia hidrográfica de Glen Falls, no estado de Nova York (EUA) – é feita pela Hadd Distribuidora. A caixa de 500 ml custa R$ 7,99. Segundo Gedankien, o preço da Água na Caixa ficará abaixo disso. “Afinal envasamos no Brasil”, diz.

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