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Com a janela de IPOs dando de sinais de fechamento no Brasil – e em busca de um valuation mais interessante -, a empresa de sistemas de comunicação entre empresas e clientes Zenvia entrou com pedido de IPO na Nasdaq. A ideia é usar os recursos da captação para pagar a compra da D1, anunciada em março, e investir em novos produtos, expansão internacional e eventuais aquisições. Se a oferta vingar, a Zenvia será a 1ª empresa de software da América Latina listada na Nasdaq e a segunda com capital aberto nos EUA. A argentina Globant está na NYSE desde 2014.

É a segunda tentativa da companhia de se tornar uma empresa pública. Em 2019 ela chegou a pedir permissão para emitir valores mobiliários – que poderia incluir instrumentos de dívida e também ações na B3 -, mas o processo acabou não seguindo adiante.

A Zenvia tem como principais acionistas Cassio Bobsin, seu fundador e as gestoras Oria Capital e Spectra. No começo do ano passado, a companhia tinha levantado uma rodada de US$ 54 milhões liderada pela Oria.

O prospecto preliminar enviado à SEC, a CVM dos EUA, traz um valor de oferta de US$ 100 milhões, mas o montante é normalmente usado como uma referência e pode não representar o tamanho real da operação.

Empresas do segmento de SaaS nos EUA apresentaram múltiplos de receita na faixa de 16x no 1º trimestre, segundo a SaaS Capital, empresa especializada na concessão de crédito para empresas que atuam no segmento. Considerando isso, o valuation da Zenvia pode chegar a US$ 1,5 bilhão na oferta.

Em 2020 a companhia registrou receita líquida de R$ 492,5 milhões em 2020, o equivalente a US$ 94,8 milhões, com aproximadamente 9,5 mil clientes. O montante considera as aquisições da Sirena (feita em julho de 2020) e da D1 (anunciada em março, e que ainda aguarda aprovação de reguladores) e representa um crescimento anual de 119,7%.

Ano passado, a Zenvia registrou prejuízo de R$ 21,4 milhões, revertendo lucro de R$ 13,8 milhões em 2019 e de R$ 19,9 milhões em 2018. A companhia tem fluxo de caixa positivo desde 2015 e atribui as perdas do ano passado aos investimentos feitos para acelerar seu crescimento.

No fim do ano passado, a companhia tinha 470 funcionários, mais que o dobro dos 226 registrados em janeiro. Contando a D1, o número chega a 672. Dos funcionários, 83 estão instalados nos escritórios na Argentina, EUA e México. A companhia está em processo de expansão internacional focada em América Latina e diz estar em contato com clientes no Chile, Peru, Equador, Uruguai, Guatemala e outros 15 países.

Apesar da ampla base de clientes, a Zenvia tem uma fatia significativa da receita concentrada em seus 10 principais nomes: um terço do total em 2020. A fatia já foi maior. Em 2018, a lista representava 37%. Em 2019, era 34%. Com a incorporação da D1 é esperado um novo incremento, para 35%. “Estamos trabalhando para reduzir essa concentração investindo em iniciativas de marketing para atrair novos negócios pequenos e médios para a nossa plataforma e incluir novas ofertas à nossa base atual”, escreveu a Zenvia no prospecto. Atualmente, só 2% da receita vem da plataforma de autoatendimento, voltada aos pequenos negócios e às vendas indiretas.

A oferta nos EUA é coordenada por Goldman Sachs, Morgan Stanley e Itaú BBA e também conta com a participação do UBS, Bradesco BBI e XP Investimentos.

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