fbpx

Fintech Marvin quer promover “escambo” de recebíveis de cartão e recebe aporte do ex-BACEN Luiz Fernando Figueiredo

Compartilhe

Se ao ler o título dessa matéria você não cantarolou qualquer trecho de “Marvin”, dos Titãs, nós temos um problema. Mas depois a gente conversa sobre isso. O que interessa agora é falar sobre a fintech que quer oferecer às empresas uma alternativa para não ter “pouco dinheiro pra poder pagar / todas as contas e despesas do lar”.

A proposta é colocar os recebíveis de cartão de crédito como um método de pagamento a fornecedores. E não é pela antecipação dos créditos como já acontece. A ideia é que as próprias obrigações sejam oferecidas na negociação.

Explicando. Hoje, uma loja vende produtos com cartão e pode antecipar o que receberia em um prazo de 30 dias pagando uma taxa (bem salgada) à adquirente. O que a Marvin propõe é que ela elimine essa etapa e simplesmente repasse a obrigação de recebimento ao seu fornecedor. Esse escambo é interessante porque reduz o custo de quem compra e também o risco de crédito de quem vende, já que o compromisso de honrar a dívida deixa de ser da loja, do restaurante ou do posto de gasolina e passa para a Cielo, Rede, Stone ou PagSeguro, por exemplo. De acordo com Bernardo Vale cofundador da fintech, para ela, o formato também é vantajoso porque não exige que ela tenha recursos específicos para oferecer o crédito.

It´s all about timing

O modelo já estava na cabeça dele desde a época que estava na Stone, entre 2016 e 2017. A companhia chegou a avaliar essa opção, mas a regulação naquele momento não dava segurança para a investida. Com a Circular 3.952 do Banco Central (BACEN), que entra em vigor em 7 de junho ele se tornou viável. O que ela propõe é que os recebíveis sejam registrados em entidades independentes, fazendo com que não fiquem atrelados à dona do meio de pagamento na qual a compra foi feita. Em 2020, os brasileiros fizeram R$ 2 trilhões em compras usando cartões.

“O que a gente acha que vai acontecer é que muita gente vai lançar marketplaces de antecipação de recebíveis. Mas isso não resolve o problema”, diz Vale, que foi cofundador da Monkey Exchange, uma fintech de… antecipação de recebíveis. Ele deixou a companhia em março com a venda de sua participação na rodada feita com a Kinea. Henrique Echenique, que já trabalhou no Itaú e na Central de Recebíveis (CERC), uma das registradoras do mercado, é o outro fundador.

Ambição e rodada

A ambição é transacionar R$ 500 milhões ainda em 2021. Assim como a Monkey, a proposta da Marvin é atuar com contratos com grandes empresas. A ideia é que elas ofereçam a opção de pagamento com recebíveis aos seus clientes, ampliando o alcance sem aumentar muito seu custo de aquisição.

A Marvin começou a operar oficialmente há menos de 3 meses. O investimento inicial foi feito pelo ex-diretor do BACEN, Luiz Fernando Figueiredo e sócios de sua gestora Mauá Capital, que estão montando um veículo próprio para fazer seus investimentos. “Quando me apresentaram o projeto, vi que além de ajudar a indústria, estão ajudando o varejo a comprar melhor e fugir das altas taxas de antecipação que existem do mercado. Acredito que com a nova agenda do BACEN que está para chegar, teremos um grande trabalho pela frente. Estou super otimista”, disse Figueiredo em comunicado.

Na rodada, a startups foi avaliada em R$ 65 milhões. O valor investido não é revelado. “O que tem acontecido no mercado é uma disputa de o meu é maior que eu seu. E nós não queremos entrar nisso”, diz Vale. Fazendo uma conta de padeiro reversa: considerando que em uma rodada seed a fatia fica entre 15% e 20% da startup, a captação deve ter ficado entre R$ 10 milhões e R$ 13 milhões.

Mas por que Marvin?

Vale conta que a ideia era ter um nome que não definisse a companhia e que também a personalizasse. Ao pesquisar opções, Marvin soou bem por trazer boas recordações pela música dos Titãs e também pelo cantor americano Marvin Gaye. Agora é ver se 10 anos passando, para esse Marvin, vai dar pé.

OPINIÃO

Veja todas as opiniões