fbpx
Compartilhe

A Sezzle, startup norte-americana de pagamento digital para e-commerces e varejistas, acaba de chegar ao Brasil. Fundada em Minneapolis, em 2016, a companhia tem o objetivo de acelerar as vendas de pequenos e médios lojistas e ser referência em buy now, pay later (BNPL, sigla em inglês para Compre Agora, Pague Depois) no país.

A expansão acontece menos de 6 meses depois de a companhia ser adquirida pela australiana Zip, também especializada em BNPL. Na época, a Sezzle foi avaliada em cerca de 491 milhões de dólares australianos (mais de US$ 352 milhões). Presente também no Canadá, na Índia e em países da Europa, a startup totaliza quase 10 milhões de usuários, dos quais 3,5 milhões fizeram alguma compra nos últimos 3 meses.

“A Sezzle é uma mistura de fintech e retailtech”, diz João Pedro Teles, diretor-executivo da startup no Brasil, em entrevista ao Startups. De um lado, a companhia criou uma solução financeira que permite que pessoas sem cartão de crédito ou com baixo limite possam comprar de forma parcelada e sem juros. Do outro, ela atua como uma plataforma de aceleração de vendas, com ferramentas como programas de fidelidade, campanhas de marketing e cupons de desconto para as lojas.

“O conceito de BNPL é muito difundido em países como Austrália e Estados Unidos, e vem ganhando força também na Europa. No Brasil, ainda há muitas discussões sobre o tema e um grande espaço para crescer”, destaca Charlie Youakim, cofundador e diretor da Sezzle norte-americana, em comunicado.

O timing para a internacionalização parece bom, considerando que o valor de transações feitas com essa modalidade de pagamento em 2021 atingiram um total de US$ 120 bilhões em todo o mundo – o dobro do alcançado em 2020, de acordo com um levantamento da GlobalData. Para 2026, a expectativa é que o volume chegue a US$ 576 bilhões.

João Pedro Teles, diretor-executivo da Sezzle no Brasil

A Sezzle no Brasil

O Brasil é o 1º mercado da Sezzle na América do Sul, mas a expectativa é avançar também para Argentina, Chile e Colômbia em breve. Segundo João Pedro, “a operação nacional é bastante independente da matriz nos Estados Unidos”. 

Por aqui, a proposta da startup é focar nas pequenas e médias empresas para que elas ofereçam mais uma opção de pagamento parcelado na hora do fechamento da compra. A solução permite que os consumidores paguem em 4 parcelas, mas que as lojas recebam o valor da compra já no dia seguinte. 

A iniciativa, pontua o diretor, impacta diretamente no aumento do fluxo de caixa e dá aos lojistas a possibilidade de oferecer descontos especiais. O risco de fraude e inadimplência, além da gestão do recebimento de parcelas, fica por conta da Sezzle.

Já para o consumidor final, a solução permite fazer compras online, receber o produto e concluir o pagamento em parcelas quinzenais. Além disso, os consumidores podem re-escalonar os pagamentos. Ou seja, se perceberem que não conseguirão pagar a parcela, podem adiar esse pagamento, jogando a parcela para o final.

Por aqui, a empresa conta com 21 colaboradores e está localizada em Salvador (BA). A escolha do Nordeste como sede da empresa aconteceu porque João já estava situado por lá. O empreendedor havia fundado a fintech Bankman em 2019 e já tinha uma estrutura e networking necessários para tocar as operações da Sezzle.

A projeção é ter 500 lojas parceiras e 10 mil usuários no primeiro ano, movimentando 30 mil transações e gerando R$ 12 milhões em volume bruto de mercadorias (GMV) e R$ 862 mil em receita.

Metas e desafios

No próximo ano, a expectativa da Sezzle é somar 1.500 lojas e 65 mil usuários, com 170 mil transações, um GMV de R$ 100 milhões e 7,5 milhões em receita. Para 2024, a meta é ter 3.000 lojas no portfólio, 230 mil usuários e gerir 670 mil transações, que levem a um GMV de R$ 470 milhões.

Para alcançar as metas, a Sezzle terá que enfrentar 2 principais desafios. Primeiro, fechar rodadas de investimento em um momento em que o mercado não está muito aberto para novos aportes (ser independente da matriz faz com que a startup precise ir buscar recursos de terceiros).

Além disso, a companhia precisa posicionar um modelo de buy now, pay later mais inovador no contexto brasileiro. “O Brasil tem praticado o BNPL há muitos anos, mas diferente do que as empresas estrangeiras tem feito”, pontua João Pedro. Antigamente isso era feito de forma analógica, com um parcelamento de longo prazo, em muitas parcelas e, normalmente, cobrando juros (diretamente ou embutidos no preço do produto).

“Era um formato rígido e tradicional, com pagamentos mensais de parcelas sem a possibilidade de reagendamento”, diz o executivo. Depois, começaram a surgir os modelos digitais, que conhecemos como o crediário – que mantém o número alto de parcelas e altas taxas de juros.

Segundo João, no exterior o BNPL surgiu como um produto de curto prazo e valores baixos para permitir que a pessoa faça compras, mas que elas não representem um grande investimento. “É esse modelo que a Sezzle quer democratizar no Brasil. Um produto flexível, verdadeiramente sem juros e que garante ao usuário sem cartão de crédito a possibilidade de parcelar as compras”, pontua.

O executivo não descarta futuras aquisições para acelerar o crescimento da empresa por aqui, mas afirma que elas só devem acontecer depois da algumas rodadas de investimento.

OPINIÃO

Veja todas as opiniões